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Reforma Tributária acende alerta no campo e mobiliza produtores em Valadares

FOTO: Fred Seixas/DRD

GOVERNADOR VALADARES – A Reforma Tributária e os impactos diretos na rotina do produtor rural foram o tema central da primeira edição de 2026 do Café Rural, promovido pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Governador Valadares. O encontro foi realizado na tarde dessa segunda-feira (23), no Parque de Exposições.

O debate reuniu os contadores Saul Carvalho Junior, Saulo Campos Carvalho e Bertila Maria, que abordaram as principais mudanças previstas com a reestruturação do sistema tributário brasileiro e os reflexos para a atividade rural, especialmente na formação de preços, na comercialização e na organização fiscal das propriedades.

Segundo Saulo Campos Carvalho, compreender o novo modelo é fundamental para garantir segurança na gestão. “É preciso entender como a Reforma impacta custos, formação de preço e organização fiscal. Informação clara e planejamento são decisivos para o produtor”, afirmou.

Especialista na área rural, Saulo explicou que haverá mudanças como o pagamento de imposto na venda da mercadoria e a geração de crédito no consumo pelo produtor. De acordo com ele, os grandes produtores tendem a ser mais afetados neste primeiro momento, enquanto pequenos e médios ainda não sentirão impactos imediatos.

Ele destacou que o produtor precisará atuar cada vez mais com perfil empresarial. “Será fundamental manter a documentação organizada, emitir e guardar notas fiscais de compra e venda, realizar a conciliação bancária e ter maior controle da gestão”, pontuou. Sobre benefícios diretos, ele avalia que ainda é cedo para mensurar. “Acreditamos que os efeitos positivos poderão ser percebidos a partir de 2033, quando se encerra o período de transição.”

Bertila, por sua vez, ressaltou que a reforma trará impactos tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, atingindo especialmente o fluxo de caixa de empresas e produtores rurais, além da possibilidade de aumento da carga tributária. “Empresários e produtores precisarão investir em planejamento orçamentário e tributário para evitar dificuldades durante a transição”, orientou.

Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Governador Valadares, Edberto Rezende afirmou que o setor está atento às mudanças. “O impacto pode ser muito grande. Por isso, queremos trabalhar de forma antecipada com os produtores para que não tenham surpresas desagradáveis ao final do exercício”, disse.

Mercado da carne vive ciclo de alta global

O diretor do Portal Grupo, Lenine Luedy, também participou do encontro e traçou um panorama do mercado da pecuária de corte. Segundo ele, o setor está entrando em uma tendência de alta, impulsionada por um cenário global inédito.

“É a primeira vez que os grandes players globais estão no mesmo ciclo de baixa de produção. Então haverá procura não só no Brasil, mas em outros países, pela falta do produto no mercado”, afirmou. Ele explica que grandes produtores internacionais enfrentam redução de rebanho e baixa produtividade.

De acordo com Lenine, a arroba brasileira segue entre as mais baratas do mundo quando cotada em dólar. Os Estados Unidos, por exemplo, registram hoje o menor rebanho dos últimos 75 anos. A Austrália também reduziu significativamente seu plantel nos últimos anos, enquanto a Argentina trabalha com rebanho menor.

Ele lembra que a pecuária é cíclica. “A gente até brinca que quem manda no preço do boi não é o boi, é a vaca.” Segundo ele, quando muitas fêmeas vão para o abate, posteriormente falta bezerro, o que valoriza o animal. Em seguida, há retenção de matrizes, escassez de boi gordo e alta no preço. O diferencial atual, segundo Lenine, é que esse movimento ocorre simultaneamente em vários países, algo inédito no histórico da atividade.

Nos Estados Unidos, além do ciclo, há a questão da margem de lucro do produtor, que, segundo ele, nunca foi tão baixa, mesmo com a arroba próxima de 130 dólares. Na União Europeia, houve redução de um milhão de cabeças nos últimos dois anos, também sob influência de agendas ambientais. A Austrália enfrentou seca severa, com perda significativa de fêmeas e dificuldade de recomposição do rebanho.

Nesse cenário, o diretor avalia que o preço da arroba tende a subir. O pico, inicialmente projetado para 2026, já tem previsões apontando para 2027 ou 2028. “Ainda não se sabe a que patamar a arroba pode chegar”, afirmou. Atualmente, o Brasil exporta cerca de 30% da produção, percentual que vem crescendo. Com menor oferta global, pode haver disputa entre mercado interno e exportação.

Sobre os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, Lenine explicou que, em um primeiro momento, o chamado “tarifaço” do então presidente Donald Trump afetou o setor, já que os norte-americanos eram o segundo maior comprador da carne brasileira. No entanto, segundo ele, o mercado global é mais complexo.

“Inicialmente, deixamos de vender diretamente para os Estados Unidos, mas passamos a vender para outros países que, por sua vez, repassavam essa carne aos americanos”, afirmou. Ele destacou ainda que as duas maiores processadoras de carne do mundo são brasileiras e possuem plantas na América do Sul e nos Estados Unidos, o que permite estratégias de abastecimento. Para ele, o impacto inicial foi mais negativo no campo das notícias do que efetivamente no mercado, já que os preços acabaram se ajustando ao longo do tempo.

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