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Desafios e avanços na educação inclusiva são debatidos em simpósio regional

FOTO: Kissyla F. Pires

Inclusão beneficia todas as crianças, e não apenas aquelas com deficiências, afirmam especialistas

GOVERNADOR VALADARES – Com foco na construção de uma educação mais inclusiva, o 2º Simpósio da Educação Especial e Inclusiva do Leste de Minas foi realizado nesta quinta-feira (2), em Valadares, reunindo profissionais da educação, gestores públicos e especialistas da região. O evento aconteceu no campus II da Univale e abordou desafios, estratégias e experiências voltadas à inclusão de estudantes com deficiência nas redes de ensino.

A programação teve como destaque a palestra magna da filósofa e psicóloga Viviane Mosé, que abordou os desafios da escola contemporânea e a urgência de uma educação verdadeiramente inclusiva. Para Mosé, o momento é de reconhecer avanços, mas também de enfrentar realidades que ainda excluem.

“Desde 2008, a gente tem essa inclusão nas escolas, e isso é fundamental. Então, a gente está indo bem em um determinado aspecto, mas ainda estamos muito longe de atingir o nosso objetivo, que é todas as crianças, igualmente, terem uma educação — uma educação inclusiva. Inclusiva no sentido de que as crianças tenham acesso ao que a humanidade produziu de melhor para elas, de forma igualitária, com ferramentas para que essas diferenças entre as crianças possam ser respeitadas, e elas tenham direito não apenas ao convívio, mas ao aprendizado”, disse a palestrante.

A filósofa destacou ainda que a inclusão escolar não beneficia apenas a criança com deficiência, mas toda a comunidade escolar.

“A inclusão muda a educação inteira. A educação precisa avaliar e valorizar todas as crianças. […] Todos nós, seres humanos, temos fragilidades e potencialidades. Mas não temos uma escola que nos olhe na nossa singularidade. A gente é olhado como padrão. E se você se enquadra no padrão, você é valorizado; se não se enquadra, não é. Isso é cruel, não apenas para a criança que tem a deficiência explícita, mas para todas as crianças”, alertou.

Viviane Mosé – FOTO: Kissyla F. Pires

Além de abordar questões filosóficas, Viviane Mosé também chamou atenção para a infraestrutura escolar e o preparo docente como pontos centrais para que a inclusão ocorra de fato. “Nós precisamos que as escolas se adaptem fisicamente a esse atendimento. […] É necessária uma adaptação física para que isso aconteça. Precisamos também que os professores estejam preparados. […] São necessárias as salas, com profissionais, mas também com material pedagógico”, explicou.

Segundo ela, a exclusão tem efeitos amplos e profundos. “A exclusão é contagiante. E não há nada mais sofrido para um ser humano do que isso. Porque o ser humano se caracteriza pelo pertencimento. […] Em uma criança não verbal, por exemplo, não estamos excluindo só a criança — estamos excluindo a família dela também.”

Diálogo e parceria como caminho para a inclusão

Outra convidada do simpósio foi a palestrante Luana Dias Barreiros, que apresentou uma reflexão sobre a permanência de crianças com deficiência nas escolas e a importância de parcerias entre famílias, educadores e profissionais da saúde.

“São muitos desafios, porque a gente está falando da inserção dessas crianças no contexto escolar. A gente tem a lei que garante que essas crianças vão estar na escola regular, mas enfrentamos desafios na permanência. […] É preciso garantir que essas crianças tenham bem-estar dentro da escola, que elas também estejam envolvidas no processo de ensino-aprendizagem”, afirmou.

Durante sua fala, Luana apresentou dados de uma pesquisa norte-americana que mediu, ao longo de quatro anos e meio, os níveis de estresse em mães de crianças com autismo, revelando um quadro alarmante.

“Ao final, a pesquisa conclui que o nível de estresse dessas mães pode ser comparado ao mesmo nível de estresse de sobreviventes do Holocausto ou de soldados em guerra. É um dado que realmente nos preocupa quando lemos esse estudo”, destacou.

Luana Dias Barreiros – FOTO: Kissyla F. Pires

Para ela, é essencial que os educadores compreendam essa realidade para que o acolhimento às famílias seja mais efetivo. “É importante que os educadores tenham ciência disso, até para pensarmos melhor nas tratativas com essa família, no acolhimento, na abertura e, sobretudo, no diálogo aberto.”

Luana também defendeu a união de esforços como chave para transformar a inclusão em realidade. “É necessário haver uma confluência entre os objetivos da família, da escola e dos profissionais clínicos que acompanham essa criança. […] Se houver uma parceria e uma confluência nos nossos objetivos, eu acredito que esse é o melhor caminho para sanar e realmente contribuir para a inclusão.”

O simpósio contou ainda com sete oficinas temáticas, abordando assuntos como Transtornos de Aprendizagem, Autismo (TEA), TDAH, Trissomia 21/Síndrome de Down, deficiência intelectual, envelhecimento e inclusão, entre outros temas relevantes para a educação especial e inclusiva.

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