Na despensa da casa de Adriana Coutinho estão somente o básico: arroz, feijão, farinhas, temperos e leite. Mas para manter as compras em dia, a cuidadora de idosos relatou ser necessário fazer um verdadeiro “malabarismo” entre as ofertas dos supermercados. Ainda assim, não dá para abastecer o armário como antes, da forma que ela gostaria.
“Eu procuro olhar na televisão as ofertas que estão tendo nos supermercados. E, hoje, eu já não faço mais a minha compra mensal igual eu fazia. Se o óleo no supermercado ‘x’ estiver num preço mais em conta, acessível, eu aproveito aquela promoção para comprar o óleo. Assim eu faço com o arroz, com o feijão, com o alho, com a carne, com a verdura…Tá difícil para todo mundo. Tinha que dar uma melhorada nos preços para a gente”, disse a valadarense.
E para acompanhar de perto o dilema dos consumidores neste cenário de inflação, o DRD esteve em um supermercado de Valadares na manhã desta segunda-feira (15). De fato, a mesma queixa estava na ponta da língua de quem transitava no local: “Hoje você não pode olhar marca. Infelizmente, hoje em dia, você tem que olhar não a qualidade, mas o bolso”, afirmou Selmo Pereira, que é proprietário de um estabelecimento comercial.
O comerciante contou que, devido às atividades do estabelecimento, vai ao supermercado em quase todos os dias da semana. Mas para economizar, tem filtrado bem as ofertas na cidade e comprado somente o necessário.

Qualidade ou quantidade?
De acordo com o gerente de uma rede de supermercados, Cristiano Alves, nas últimas semanas, os compradores têm deixado de comprar itens de marcas de renome – conhecidas pela alta qualidade dos produtos – e abastecido os carrinhos com produtos de marcas consideradas populares. “A gente percebe uma pequena parcela de clientes tradicionalistas, que se fixam nessas marcas mais tradicionais. Mas a grande maioria tem optado por ofertas mesmo. Uma vez que esses produtos de marcas populares têm um preço bem mais em conta”, explicou.
Como um exemplo dessa realidade, o gerente citou a maionese. Um pote da marca mais conhecida e utilizada, segundo Cristiano Alves, custa atualmente R$ 12. Já a maionese de uma outra marca popular, está saindo a R$ 4,79.

“O feijão, o próprio arroz, o leite condensado, alguns produtos para confeitaria em geral; percebe-se uma migração muito grande dos clientes para produtos mais em conta”, complementou.
Objetivo do fabricante é atender a todo o público
Além disso, o gerente fez uma outra observação: os produtos mais em conta, que agora têm a preferência dos clientes, costumam pertencer ao mesmo fabricante do tradicional. Ou seja, a empresa fornecedora dá, ao mesmo produto, identidades diferentes, de modo que atenda a públicos diferentes. No entanto um item possui qualidade superior à do outro. Sendo assim, quando a preferência por um dos itens diminui, o fabricante não deixa de vender em grande escala.
O economista Renato Oliveira explica essa estratégia utilizada por muitas empresas. “A empresa, objetivo dela é atender a todo o público. Ela atende o público conforme a renda, o gosto ou efeito nutricional. Os produtos são diferenciados. Basicamente, detalhes que você tem que observar no rótulo. Nesse caso aqui, é a quantidade de gordura em cada marca. Existe a economia financeira, agora, você tem que ver os outros parâmetros. Se atender a pessoa, fizer bem para ela, no sentido de satisfazer a necessidade do que ela precisa, vale a pena sim”, esclareceu o economista.

Para Aparecida Oliveira, que é confeiteira e também fazia suas compras nesta manhã, não há muitas vantagens nessa economia. “O prejuízo é para nós, consumidores. Não rende, né. A qualidade é outra coisa também. Graças a Deus temos várias opções de supermercados, guloseimas, lojas de confeitaria; então você tem que entrar em muitos comércios para conseguir um preço melhor“, relatou.



















