O Instituto Estadual de Florestas (IEF) participou, na última semana, de uma ação de recebimento de papagaios-de-peito-roxo na área de soltura de animais silvestres, na Fazenda Esperança, em Dom Joaquim/MG. A atividade faz parte do “Projeto Voar – Reabilitação, soltura e monitoramento do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) em Minas Gerais”, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Waita. O projeto conta com o apoio do IEF e visa contribuir para a conservação do papagaio-de-peito-roxo por meio do revigoramento populacional da espécie no estado de Minas Gerais.
O recebimento das aves foi acompanhado pelo coordenador do Núcleo de Biodiversidade (Nubio) Alto Jequitinhonha, Renan Cezar da Silva e do analista ambiental e médico veterinário do IEF, Thiago Lima Stehling. Os animais passarão agora por um período de adaptação antes da soltura.
Thiago Lima Stehling fala da importância do projeto e da satisfação em apoiar o Projeto Voar. De acordo com ele, o IEF prestou apoio na alimentação dos animais e nas avaliações clínicas, coleta de material biológico para a realização de exames e logística. “Nossa equipe deu o melhor para ajudar a tornar esse sonho realidade. Iniciativas como essa permitem que animais silvestres oriundos do tráfico tenham uma chance de retornar para a natureza, e isso se torna ainda mais importante por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção”, ressaltou.
O médico veterinário explicou ainda que, antes de serem levados para área de soltura previamente cadastrada, os animais passaram por etapas de testes de personalidade, treino alimentar, treino de vocalização, físicos e de voo e antipredação. Além de avaliações clínicas, com realização de diferentes exames, cada animal recebeu uma anilha e um microchip para identificação dos indivíduos. Alguns papagaios receberam, também, um transmissor, que permitirá sua localização na natureza após a soltura.
Os indivíduos de Amazona vinacea, que fazem parte do projeto, são provenientes de centros de triagem de animais silvestres, criatórios conservacionistas, zoológicos e mantenedouros de fauna silvestre do estado de Minas Gerais.
Papagaio-de-peito-roxo
O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) é uma ave sul-americana da ordem Psittaciformes e da família Psittacidae. No Brasil, ele ocorre do sul da Bahia até o Rio Grande do Sul, estando presente também no norte da Argentina e no Paraguai. Esta espécie, considerada em perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza e vulnerável pela Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas (ICMBio, 2018), é endêmica da mata atlântica, sendo associada às florestas de araucárias na porção Sul do Brasil. Estima-se que existam menos de 10 mil indivíduos adultos soltos na natureza (Somenzari, 2018).
Comportamento
O papagaio-de-peito-roxo vive em grupos de tamanhos diversos, sendo geralmente avistado em pares. A estação reprodutiva ocorre entre setembro e janeiro e cada casal põe de 2 a 4 ovos. Os ninhos são construídos em ocos de árvores altas, em estado avançado senescência.
À noite, principalmente após a temporada de reprodução, os indivíduos dessa espécie se reúnem em grandes dormitórios, que podem abrigar centenas de animais. Sua alimentação é variada, sendo composta de folhas, frutos, pseudofrutos e rebentos de folhas de diversas espécies botânicas, sendo a araucária uma das mais importantes, uma vez que se alimentam tanto dos frutos quanto do rebento de suas folhas.
Principais ameaças
A perda de habitat é uma das principais ameaças para o papagaio-de-peito-roxo, pois restringe suas principais fontes de alimento e locais para dormitórios e nidificação. Outra grande ameaça ao A. vinacea é o tráfico de animais silvestres, uma vez que muitos filhotes são retirados do ninho para a comercialização irregular. Além disso, é bastante comum encontrar indivíduos dessa espécie como mascotes nas suas áreas de maior ocorrência.
Tais fatores, em conjunto, fazem com que a população da espécie se encontre em declínio.Se essas ameaças não forem reduzidas e/ou eliminadas essa situação pode se agravar ainda mais. Por isso, a realização de ações de conservação é imprescindível e a melhor maneira de frear esse declínio populacional de A. vinacea.
A iniciativa tem o apoio do IEF considerando suas competências previstas no Decreto Estadual nº 47.892, de 23 de março de 2020, no intuito de incentivar e apoiar ações de preservação, conservação e o uso racional dos recursos faunísticos, bem como o desenvolvimento de atividades que visem à proteção da fauna silvestre, terrestre e aquática.
Wilma Gomes
Ascom/Sisema














