A toxoplasmose é popularmente conhecida como “doença do gato”, mas o felino não é o principal vilão da transmissão para humanos.A maior forma de infecção é o consumo de carnes cruas, água ou vegetais contaminados. Gatos só eliminam o parasita uma vez na vida, por 2 semanas, e apenas se comerem presas contaminadas.
O gato é o hospedeiro definitivo doToxoplasma gondii, isso quer dizer que o parasita se reproduz sexualmente apenas no intestino de felinos (domésticos ou selvagens). Apenas gatos com acesso à rua e que caçam presas (passarinhos, ratos) costumam contrair o parasita. Gatos de ambiente interno que comem ração dificilmente terão a doença.
A transmissão ocorre apenas pela ingestão dos oocistos (ovos) presentes nas fezes do gato.Gatos infectados eliminam o parasita nas fezes, mas isso ocorre geralmente uma única vez na vida, por um período de apenas
7 a 14 dias. Esses oocistos precisam ficar no ambiente por pelo menos 1 a 5 dias para se tornarem infectantes.Logo, se a caixa de areia for limpa diariamente, o risco é drasticamente reduzido.
A maioria dos gatos infectados é assintomática, quer dizer que esses animais não apresentam sintomas. Quando os sintomas aparecem, incluem febre, fraqueza, perda de apetite, problemas oculares, pulmonares (pneumonia) ou neurológicos (incoordenação).
Como prevenção da doença, é recomendada a limpeza diária da caixa de areia, utilizando luvas e devendo ainda lavar bem as mãos após o manuseio. Outro cuidado é não oferecer carne crua ou malpassada ao gato, optando sempre pela ração seca ou úmida. Evitar que o gato saia para a rua também é importante, pois ele pode caçar ratos ou pássaros infectados. Sempre é indicado lavar bem frutas e verduras, e evitar comer carne crua.
No caso de mulheres gestantes, ao contrário do mito popular, não é preciso “se livrar” do gato. Os cuidados devem ser reforçados. O risco de contaminação é muito baixo se a caixa de areia for limpa diariamente (de
preferência por outra pessoa) e as mãos higienizadas.O maior risco para o feto não é o contato com o gato, mas sim a ingestão de alimentos contaminados.
O gato de estimação, quando bem cuidado, alimentado com ração e com a caixa de areia higienizada diariamente, representa um risco muito baixo para a transmissão de toxoplasmose.
(*) Professora do curso de Medicina Veterinária da Unileste, mestra em Ciências Veterinárias, clínica e cirurgiã de cães e gatos. Instagram: @ptucunduva
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