GV perde Carioca, um mensageiro da alegria

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Carioca com seu time principal, os filhos Kênyo, Kássio, Fábio e Fabrício

O amanhecer deste 16 de maio de 2019, especialmente em Governador Valadares, mostrou-se nublado nos corações de todos aqueles que desfrutaram do convívio do grande jornalista e homem Sebastião Pereira (Carioca) Nunes. Aos 88 anos nos deixa, porém, confirmado seu grande legado: “o trabalho dignifica o homem”.Tião Nunes nasceu no dia 5 de abril de 1931. Casou-se com Maria Selma de Freitas Nunes, com quem teve 4 filhos: Kenyo, Kássio, Fábio e Fabrício. Valadarense por adoção, Carioca (apelido carinhoso), eclético como poucos, reuniu em sua caminhada atributos ou talentos como locutor de rádio, jornalista esportivo, leitor católico na catedral de Santo Antônio, e na vida familiar se deixou ser conduzido pela fé cristã, fazendo-se exemplo de pai e esposo.

Carioca trabalhou durante 45 anos no DIÁRIO DO RIO DOCE e, nesse período, não só promoveu o futebol, como também abriu janelas do mundo do esporte para diversos atletas dos mais diversos segmentos esportivos, seja na capoeira, no atletismo, natação, vôlei, basquete, futebol de salão, entre outros. Mas o futebol era sua paixão, e na sua editoria não faltava espaço para o futebol profissional, amador e de várzea. Vários atletas surgiram através de suas matérias e incentivos. Quantos fizeram histórias em Valadares, em Minas, nos Estados Unidos, Portugal e no mundo!

Saudade

O corpo de Carioca começou a ser velado às 17h30 de ontem e será sepultado no Cemitério Santo Antônio, às 10h de hoje. Agora, fica-nos a saudade. Mas quando perdemos alguém que amamos, inevitavelmente passamos por novas reflexões sobre o que a vida significa e em que espaço e tempo nos encontramos. Essas reflexões se estendem a todas as pessoas, principalmente as mais próximas. Por esta razão, mesmo nas perdas, podemos extrair motivações para nosso crescimento pessoal. Crescer dói, e a morte de quem amamos pode ser uma parte de nosso crescimento. Quando os amigos e familiares do Carioca pararem para pensar na sua trajetória de profissional e chefe de família, certamente entenderão cada gesto, cada atitude, cada palavra, e os sentidos se comporão e se completarão.Em particular, a vida de colega e profissional do jornalismo de Tião Nunes em sua passagem pelo DIÁRIO DO RIO DOCE, com absoluta certeza, foi de um ensinamento de austeridade, de retidão e comprometimento com cada palavra escrita nestas páginas da sua e da nossa história.Ao lado de grandes mestres do jornalismo local, tais como Miguel Faria, Antor Santana, Marcondes Tedesco, Parajara dos Santos, Luiz Santos, dentre tantos outros contemporâneos, o nome CARIOCA ecoa pelas paredes de nossa redação como exemplo de seriedade, mesmo nos momentos de descontração, pois o Tião Nunes trazia consigo uma contagiante alegria no trabalho, com seu nobre ofício de comunicador.Refletindo sob um olhar cristão – pois Carioca sempre abraçou com grande respeito e carinho a fé que professava -, ganham um sentido todo especial as palavras de seu filho Kássio, com quem conviveu mais proximamente nos últimos anos: “O homem sem Deus não é nada”.Religiões à parte, já dizia Chico Xavier: “Ainda sabendo que a morte vem de Deus, quando nós não a provocarmos, não podemos, por enquanto, na Terra receber a morte com alegria, porque ninguém recebe um adeus com felicidade, mas podemos receber a separação com fé em Deus, entendendo que um dia nos reencontraremos todos numa vida maior, e essa esperança deve aquecer-nos o coração”.Assim, fica externado o sentimento de pesar de toda a equipe do DIÁRIO DO RIO DOCE, desde a administração, estendendo-se a todo o quadro de funcionários. Que Deus nos conforte.

Falando em nome da família, o filho Kássio destacou a passagem de seu pai pelo DRD, no esporte e na vida pessoal.

Durante vários anos Carioca promoveu o esporte em Valadares e por diversas vezes foi homenageado pelos esportistas da cidade

“O que posso falar de Sebastião Pereira Nunes, o Carioca? Gostaria de ter o mesmo dom com as palavras ou até mesmo a tenacidade, coerência e coragem para transpor fielmente os seus pensamentos em simples linhas.O filho da dona Sinhá se tornou craque do futebol e sempre se orgulhou de não ter tomado nenhum drible do Garrincha, quando o Botafogo veio enfrentar o nosso time do Pastoril.Do campo de futebol passou a atuar em outra área, a da informação, levando a todos, através do jornalismo, muito glamour pelas páginas sociais, muita paixão através do esporte e muito conselho, baseado na sua religiosidade e experiência de vida através do seu pseudônimo Nádia Maria.Ah, meu pai! Somente por isso, és um gigante para mim! Mas Deus tinha mais planos para o senhor, colocando em sua vida uma mulher incrível como a Selma, minha mãe. E, juntos, vocês formaram uma família linda, com filhos que levarão para sempre o orgulho de terem tido um pai como o senhor.Descanse em paz e saiba que somos gratos a Deus por ter nos emprestado, nesses 88 anos, um de seus anjos. Nós te amamos muito, e esse amor nos dará força para prosseguirmos com a nossa jornada”.