Vereador indiciado por morte de prefeito responderá em liberdade

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Marquinho do Depósito foi preso pela Polícia em Governador Valadares e, ao chegar à Delegacia, exibiu para a imprensa as marcas das chicotadas, que ele alega terem sido provocadas pelo prefeito Hélio.FOTOS: Reprodução/Internet

Marquinho do Depósito admite ter disparado contra o prefeito Hélio da Fazendinha, mas alega legítima defesa

Preso no sábado (13) por ter assassinado o prefeito do Naque, o vereador Marcos Alves de Lima (PSDC) foi solto na noite de domingo e responderá em liberdade, enquanto aguarda o julgamento. Marquinho do Depósito, como é conhecido o vereador, admitiu ter disparado cinco vezes contra o prefeito Hélio Pinto de Carvalho, o Hélio da Fazendinha (PSDB), que não resistiu aos ferimentos e faleceu a caminho do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga. Ao ser preso pela Polícia Militar, em Governador Valadares, Marquinho disse que foi agredido pelo prefeito, mostrou marcas de ferimentos nas costas e afirma ter disparado em legítima defesa. O vice-prefeito do Naque, professor Fernando da Costa Silva (PROS), será empossado como novo prefeito na quinta-feira (18).

Marquinho e Hélio eram adversários políticos, conforme admite o vereador. Na manhã de sábado, os dois brigaram por conta de uma obra em terreno do município vizinho de uma propriedade do vereador. Em um vídeo que está circulando em redes sociais, Marquinho afirma que chegou ao local a cavalo e, durante o desentendimento com Hélio, o prefeito o dominou e o agrediu com uma taca – um chicote. “Ele conseguiu me dominar, pegou a taca e começou a me dar tacada. Ele me arrebentou todo. Como eu estava armado, fiquei com medo do chicote passar para uma arma e me defendi”, disse o vereador.

Ainda conforme Marquinho do Depósito, outros dois vereadores do Naque estavam presentes e não interferiram. “Os vereadores Fernandão e Didi viram tudo de pertinho e poderiam ter segurado o prefeito. Ele anda armado também, mas eu não esperava que ele fosse ter uma reação dessas com a minha pessoa. Ele [prefeito Hélio] me tirou do cavalo, conseguiu me dominar e começou a me dar tacada, chicotear. Ninguém segurou. Por que o Fernandão e o Didi não seguraram o prefeito? Por que deixaram ele me dar umas dez tacadas? Não sei o porquê, e fiquei com medo das tacadas se reverterem em disparo de arma de fogo contra minha pessoa. Atirei como legítima defesa; o prefeito é perigoso. Simplesmente me defendi”, declarou Marquinho.

Após os disparos, segundo o Boletim de Ocorrência elaborado pela Polícia Militar, Marquinho contou com a ajuda de Rubens Fortunato para deixar o local. Fortunato foi detido no Naque e Marquinho foi preso em flagrante em Governador Valadares. Segundo o advogado do vereador, Evaldo Braga da Silva, Marquinho vinha para Valadares com a intenção de se entregar para a Polícia. “Ele prestou entrevista francamente, e colocou com franqueza a realidade dos fatos. Vamos ter que analisar as provas que possam aparecer nos autos. Ele está à disposição da Justiça”, afirmou o advogado.

Embora no Boletim de Ocorrência conste que o corpo do prefeito Hélio da Fazendinha tinha sete perfurações, o advogado Evaldo Braga da Silva relata que foram cinco disparos: “A arma já foi entregue e a perícia não foi feita. Ele afirma que atirou cinco vezes”.

Marquinho foi indiciado por homicídio simples, nos termos do artigo 121 do Código Penal. O inquérito policial será realizado pela Polícia Civil em Ipatinga, e, de acordo com o advogado, o julgamento de Marquinho do Depósito deve ser realizado na Comarca de Açucena. O corpo do ex-prefeito foi velado na Câmara Municipal do Naque, ainda no sábado, e sepultado em Governador Valadares no domingo à tarde, no cemitério Memorial Park.

NOVO PREFEITO

Inicialmente, o vice-prefeito, Professor Fernando, assumiria ontem a Prefeitura, mas um mal-estar adiou a posse para quinta-feira. Em entrevista ao DRD, Fernando disse que pretende fazer uma gestão transparente e seguir o legado de Hélio da Fazendinha. “Hélio era uma pessoa supercarismática, era um pai para as pessoas. Todo mundo tinha um carinho muito grande por ele”, afirmou Fernando.

Questionado sobre metas para a gestão e mudanças no secretariado, o novo prefeito declarou que essas questões ainda serão debatidas na Prefeitura: “A gente vai sentar e conversar”. Sobre as alegações de que o vereador havia sido agredido pelo falecido prefeito, Fernando foi cauteloso ao comentar: “Eu não estava presente, não posso fazer julgamento do que aconteceu lá. Mas eles tinham atritos”.

por THIAGO FERREIRA COELHO | thiago@drd.com.br