Vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa já começou em Minas

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Segundo o engenheiro agrônomo Marcelo Aquino, produtores rurais terão até 31 de maio para vacinar todo o rebanho.Foto: Divulgação

Começou neste mês a primeira etapa anual de vacinação contra a febre aftosa em Minas Gerais. Produtores rurais em Governador Valadares terão até 31 de maio para vacinar bovinos e bubalinos de todas as idades. A novidade este ano é que a dose da vacina será de 2 ml por animal. O produtor não poderá mais utilizar vacinas com dosagem de 5 ml e o estabelecimento revendedor está proibido de comercializar esse tipo de vacina. Quem não vacinar os animais até a data limite estará sujeito a multa.

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), é o órgão responsável pela gestão da campanha de vacinação em Minas Gerais. A imunização do rebanho é obrigatória e fundamental para o estado manter o reconhecimento internacional de zona livre com vacinação. Esse cenário favorece o agronegócio, pois estimula o acesso a mercados internacionais, contribuindo para o Produto Interno Bruto de Minas Gerais. O pecuarista que não vacinar os animais estará sujeito a multa de 25 Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais (Ufemgs) por animal, o equivalente a R$ 89,83 por cabeça.

O engenheiro-agrônomo Marcelo Aquino salienta que a vacinação é essencial para manter o rebanho sadio e livre de focos da doença. “A febre aftosa é uma doença muito contagiosa, causada por um vírus de rápida multiplicação. A febre aftosa ataca os animais domésticos de casco partido: bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos. Provoca grandes prejuízos sociais e econômicos, pois o aparecimento da doença no país afeta fortemente os comércios nacional e internacional”, explica.

Segundo Aquino, casos de febre aftosa são raros na região. O último foco da doença em Minas Gerais foi em maio de 1996, no município de Itaguara. “Minas Gerais conta com aproximadamente 23,5 milhões de bovinos, o Vale do Rio Doce com 1.477.931 e o município de Governador Valadares, com 150.647 bovinos. O último foco da doença aconteceu em Itaguara. No município de Governador Valadares, por volta dos anos 1994/1995, ocorreu o último foco, em uma propriedade no distrito de Baguari”, lembra.

Aquino chamou a atenção dos produtores rurais para o manuseio das vacinas na hora de aplicar no rebanho. “O pecuarista deve se cercar de cuidados, desde a compra até a aplicação da vacina, sempre transportá-la em caixa de isopor com gelo e lacrada, sendo que na fazenda deverá manter em geladeira (temperatura de 2º a 8º C), jamais conservar em congelador ou aquecer, para que não estrague. No campo, manter a vacina em caixa de isopor com gelo e sempre à sombra. Para a aplicação da vacina, aplicar dose de 2 ml para cada animal, via subcutânea (debaixo da pele) ou intramuscular (no músculo)”, explicou o engenheiro agrônomo.

A declaração de vacinação também é obrigatória e o produtor que não o fizer até o dia 10 de junho de 2019 poderá receber multa de 5 Ufemgs, o equivalente a R$ 17,96 por cabeça. O IMA estabelece que os produtores rurais proprietários de 150 ou mais bovinos ou bubalinos realizem a declaração da vacinação do seu rebanho contra a febre aftosa exclusivamente de forma eletrônica, por meio do site ima.mg.gov.br. A declaração de vacinação do gado para produtores com plantel de até 150 animais ainda poderá ser feita presencialmente, no IMA, ou via internet.

A doença

A febre aftosa é causada por um vírus altamente contagioso e pode gerar grandes prejuízos econômicos para os produtores, pois afeta o comércio internacional, principalmente em países como o Brasil, que possuem uma exportação bastante expressiva de produtos pecuários. A doença é transmitida pela saliva, nas aftas, no leite, no sêmen, na urina e nas fezes dos animais doentes, e também pela água, ar, objetos e ambientes contaminados. O vírus ainda pode permanecer nas roupas e sapatos das pessoas que tiveram qualquer contato com esses animais. Uma vez doente, o animal pode apresentar febre, aftas na boca, lesões nas tetas e entre as unhas. Outros sinais são inquietação, salivação (babeira), dificuldade de mastigar e engolir alimentos e tremores, com queda na produção de carne e leite. (Fonte: Seap MG)