“Síndrome do imperador” – falta de limites

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A falta de limites saudáveis por parte de muitos pais forma crianças e adolescentes que acham que podem fazer tudo, sem saber avaliar e responder pelas consequências de seus atos. O problema tem sua origem, muitas vezes, em pais ausentes ou permissivos que, para diminuir seu sentimento de culpa pelo tempo que não passam com a criança, atendem a todas as suas vontades, realizando seus desejos, e até antecipando-se a eles. Tendem a ser pais mais permissivos e superprotetores, que não impõem limites aos filhos nem estabelecem regras claras.

Crianças muito mimadas, que se acostumam a receber tudo sem dar nada em troca, transformam-se em adultos vulneráveis, que não conseguem ouvir um não e têm baixa tolerância à frustração, ou seja, prorrogam sua imaturidade emocional pela vida adulta.  Os limites adequados dão segurança às crianças, que se sentem perdidas se não existirem regras de conduta em casa.

Os limites são como as faixas de trânsito nas rodovias, que funcionam como pontos de referência para sabermos até que ponto podemos ir com segurança. Com os limites, vivenciamos as frustrações, podendo, assim, buscar novas estratégias para resolver as situações. Construir esses limites leva tempo, dá trabalho. É um processo com idas e vindas, conforme a faixa etária. Os limites não precisam restringir a espontaneidade e a liberdade da criança. Quando aplicados corretamente, as crianças não só se sentem mais seguras, mas a dinâmica familiar também flui de forma mais natural.

A chave é estabelecer alguns limites, mas seja claro e específico, pois é importante para as crianças entenderem o que exatamente seus pais esperam delas. O ideal é explicar a elas com uma linguagem simples, de acordo com a idade, para que possam compreender, pois não os perceberão como imposições e estarão mais dispostas a segui-los.

Também é essencial que os limites sejam firmes e coerentes, isto é, que eles sempre sejam atendidos, sem exceções. Caso contrário, eles podem gerar confusão nas crianças e, em alguns casos, levar as crianças a tentarem medir suas forças ou manipular seus pais para não seguirem as regras. Outro ponto importante é concentrar os limites exclusivamente no comportamento da criança, nunca em suas emoções ou ideias. Uma criança que se sente limitada para expressar suas emoções ou o que pensa acabará sendo um pequeno frustrado, reprimido e incapaz de implantar todo o seu potencial.  Também é necessário adaptar os limites à idade e ao nível de desenvolvimento de cada criança, para evitar ser muito fraco ou muito severo em sua educação. É essencial que as regras sejam sempre consistentes com o nível de autocontrole que as crianças desenvolveram.