Setecentos!

Caro leitor, na semana passada prestigiei um belíssimo evento, organizado pela LAPID (Liga acadêmica de doenças infecto parasitárias da Univale), orientado pela minha querida amiga, a professora Junea Ferrari. Tratou-se do Primeiro Encontro Científico LADIP-GV, cujo tema foi a Sífilis. O pequeno seminário foi simplesmente imperdível! Não só pela grande audiência (não é nada fácil lotar o grande auditório da UNIVALE), como pela qualidade das palestras (professores Junea Ferrari e Lívia Colombo, da UNIVALE, Rogério T. César, da UFJF, e Dra. Ana Paula M. Guimarães, da UTI Neonatal do Hospital Municipal) e pela pertinência do tema: “A sífilis”, essa infecção sexualmente transmissível, quase tão antiga quanto a humanidade e que tomou proporções epidêmicas no planeta.

Falar de sífilis num ambiente apinhado de jovens estudantes da área de saúde é pra lá de adequado, pois os torna preocupados com o tema e, mais importante, prepara multiplicadores de informação. Eu não resisti e, ao final do encontro, peguei o microfone e reforcei o alerta da proximidade do carnaval e a importância do uso de preservativos (distribuídos no local), não só no sexo “tradicional”, como também no sexo oral – aproveitando que os palestrantes mostraram várias fotos de lesões de sífilis na boca.

Realmente, eu não poderia deixar de citar esse encontro e parabenizar a LAPID, os palestrantes e a professora Junea Ferrari. Que venham outros tão bons!

Mas, caro leitor, a vida é irônica. Ela mistura temas a seu bel prazer. No início de fevereiro nos deparamos com o preocupante comunicado do Boletim Epidemiológico HIV/AIDS 2018, do Ministério da Saúde, onde nos veio a triste informação de que, entre 2007 e 2017, a notificação de casos de HIV entre pessoas de 15 a 24 anos aumentou aproximadamente 700%! Dado que vai na contramão de vários países. Este número (700%) é aterrador e nos faz imaginar um futuro sombrio.

Vários analistas se debruçaram sobre esse dado e avaliaram que o aumento é (como era de se imaginar) multicausal. Mas dois fatores me impressionam:

– Os nossos jovens pararam de ter medo da AIDS. Como o acesso ao tratamento se multiplicou e a sobrevida dos infectados aumentou muito, a AIDS deixou de preocupar os adolescentes. Além do mais, as gerações atuais não veem seus ídolos adoecerem, como a geração de Cazuza e Renato Russo. Então, eles sentem uma falsa segurança. Isso fez com que o uso de preservativos caísse muito nos últimos anos.

– A onda conservadora que assola o mundo tem inibido as autoridades sanitárias. Sim! Varias campanhas, nos últimos anos, foram alvos de severas críticas, levando o Ministério a uma espécie de apatia (timidez) e imobilização.

Vários infectologistas e sanitaristas vêm observando, com preocupação, os primeiros passos do atual ministro da Saúde, notoriamente conservador. Aguardemos!

A Coluna Adolescer Bem está abordando esse tema na semana do Carnaval, onde sabidamente as ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) aumentam muito, principalmente pelo abuso do álcool. Então, caro leitor, você leu o número (700%!)? Ficou assustado? Por favor, mexa-se! Não espere o Ministério da Saúde! Chame seu filho (filha) e converse! O diálogo ainda é a maior prevenção!

Essa coluna é quinzenal. Se quiser sugerir temas ou tirar dúvidas, utilize o e-mail adolescenteconfidente@gmail.com.

Darlan Corrêa Dias | Adolescer Bem | Esta coluna é quinzenal; se quiser tirar dúvidas ou fazer sugestões, utilize o e-mail | adolescenteconfidente@gmail.com