Sérgio Cabral afirma que comprou apoio de Crivella

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FOTO: Divulgação

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) afirmou nesta sexta-feira, 5, em depoimento que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) recebeu US$ 1,5 milhão para apoiar a candidatura de Eduardo Paes (DEM) na eleição municipal de 2008. Ele disse que Paes sabia de toda a negociação e até participou de uma reunião realizada antes do pagamento. Segundo Cabral, o empresário Eike Batista desembolsou a quantia. Crivella é alvo de um pedido de impeachment por suposta irregularidade na renovação de um contrato.

Cabral também afirmou que a Fetranspor, entidade que representa empresas de transporte urbano, pagou propina a deputados estaduais desde 1987, no governo Moreira Franco (MDB). Segundo ele, cerca de R$ 144 milhões foram pagos pela Fetranspor entre julho de 2010 e outubro de 2016.

Crivella não foi o único político citado por Cabral. O ex-governador também relatou como um valor de R$ 1,5 milhão oriundo do pagamento de propina pela Fetranspor teria ido parar na campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG), em 2014. “O Aécio não participou da reunião (em que o pagamento foi acertado), mas ele me ligou depois para agradecer”, disse o emedebista.

Cabral também relatou pagamento para conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, e afirmou ter sido “achacado” por deputados e feito negociações com ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal de Contas da União (TCU) – nestes casos ele não citou nomes.

As afirmações foram feitas em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal. Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016. Atualmente, está no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Ele é acusado de comandar um esquema de corrupção no Estado e já soma quase 200 anos de prisão em nove condenações. O interrogatório foi a pedido da sua defesa como parte da ação penal da Operação Ponto Final. Na primeira oitiva da ação ele ficou em silêncio.

Cabral descreveu um esquema de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio desde 1987 – que, segundo ele, atravessou o período em que foi o presidente da Casa e, depois, governador.

Segundo Cabral, enquanto presidente da Assembleia Legislativa do Rio, de 1995 a 2002, ele administrava a “caixinha” da Fetranspor na Casa e recebia, mensalmente, R$ 300 mil. Outros R$ 400 mil seriam entre os deputados. Cabral disse que, depois, como governador, recebia mensalmente dos empresários de ônibus R$ 400 mil – e que para a campanha de Luiz Fernando Pezão ao governo foram R$ 30 milhões.

Defesas

Crivella classificou a acusação de Cabral como “mais uma grande mentira plantada para tentar desestruturar a minha gestão e minhas convicções como homem público”. E completou: “Jamais conseguirão manchar a minha honra”.

O advogado Alberto Zacharias Toron afirmou que Aécio “desconhece qualquer pedido de apoio feito pelo ex-governador para a campanha presidencial do PSDB em 2014” e que “todas as doações realizadas àquela campanha estão devidamente declaradas e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

Em nota, a Fetranspor afirmou que “desde setembro de 2017 é presidida por um novo executivo, sem qualquer ligação com a gestão passada” e que “adotou uma política rígida de compliance e de governança” e que “vem cumprindo todas as determinações judiciais”.

Em nota, o advogado Fernando Martins, que representa Eike Batista, afirmou que o empresário “não é parte no processo e sempre desenvolveu suas atividades empresariais dentro do marco da legalidade”.

A reportagem procurou Eduardo Paes mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.

por Roberta Jansen e Fabio Grellet da Agência Estado