REFORMA DA PREVIDÊNCIA – Não adianta aprovar uma reforma que não economize nada, diz Skaf

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São Paulo (AE) – A preocupação com a reforma da Previdência foi, nas palavras do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o tema principal que a cúpula da entidade tratou com a bancada de deputados estaduais paulistas e federais do Partido Progressista (PP) em almoço ontem, na sede da entidade.

De acordo com Skaf, a reforma da Previdência é muito importante para o País porque sem ela a conta não fecha.

“A reforma tomou uma importância maior do que ela já tinha porque, como se falou muito sobre ela, investidores nacionais e estrangeiros criaram uma expectativa muito grande à espera da sua aprovação”, disse o presidente da Fiesp, que publicou anúncio sobre o tema nos principais jornais do País.

Skaf ressaltou que, quando fala em reforma da Previdência, refere-se a uma reforma que dê o resultado fiscal esperado. Não adianta nada, segundo ele, aprovar uma reforma que não economize nada.

“É fundamental que se aprove algo parecido com esse projeto que o governo encaminhou ao Congresso. Está lá previsto uma economia de R$ 1,1 trilhão, que daria cento e poucos bilhões por ano. Isso é fundamental porque as previdências privada e pública dão um déficit anual de R$ 270 bilhões”, apontou o executivo.

De acordo com Skaf, mesmo que se desconte a economia anual de R$ 100 bilhões anuais com gastos previdenciários, ainda resta um déficit de R$ 170 bilhões. “Mas a perspectiva futura fica muito melhor. Isso vai atrair investimentos e gerar empregos e fazer com que a economia se aqueça com mais velocidade”, disse.

Ao se referir aos militares, Skaf afirmou que todo mundo tem que contribuir com a reforma previdenciária. Mas ponderou que uma coisa é falar que tem de ser diferenciado, que é o que os militares defendem, e outra bem diferente é não contribuir. “Falar em diferenciado não significa que não haverá contribuição. Então posso concordar que os militares possam ter uma situação diferenciada, mas que não justifique alguém ficar de fora. É uma conta que tem que envolver a todos”, disse.

O presidente da Fiesp destacou que a reforma da Previdência precisa trazer justiça para a sociedade e lembrou que do déficit previdenciário anual de R$ 270 bilhões, R$ 70 bilhões vêm do setor público e R$ 200 bilhões do setor privado. “Mas os R$ 200 bilhões envolvem mais de 30 milhões de pessoas e os R$ 70 bilhões apenas um milhão de funcionários públicos. “Isso mostra que há algo muito grave no setor público. É preciso que esta reforma traga justiça em relação à sociedade”, afirmou.

“Bolsonaro perceberá que diálogo com Congresso faz parte da democracia”, diz Skaf

Paulo Skaf disse ter certeza de que o presidente da República, Jair Bolsonaro “vai perceber que o diálogo para tratar com o Congresso faz parte da democracia”. Skaf fez esta ponderação ao ser perguntado pela reportagem do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) se não via riscos para a aprovação da reforma da Previdência à política do principal mandatário do País de negociar com frentes parlamentar temáticas, em vez de negociar com os partidos e seus líderes.

“Importante notar que diálogo não é troca. Acabamos de sair de um almoço com a bancada de deputados estaduais e federais. Aqui não houve troca de nada. Apenas diálogo sobre os interesses do País”, disse Skaf.

Ele acrescentou que o presidente da República tem na sua equipe o chefe da Casa Civil e o seu líder na Câmara e no Senado, e que têm como incumbência essas articulações.

“O presidente da República é um homem extremamente simples. Tenho certeza de que não vai faltar estímulo para ele no momento que ver que precisará aumentar o diálogo ou de ele ter um papel diretamente com os partidos”, observou Skaf.

Na semana passada, em entrevista ao Broadcast, o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega havia chamado a atenção para esta nova forma de Bolsonaro fazer a interlocução com o Congresso. Na avaliação de Mailson da Nóbrega, as negociações com as frentes parlamentares poderão vir a impor muitas dificuldades ao governo Bolsonaro para aprovar a reforma.

por Francisco Carlos de Assis