Qualidade na educação dos filhos

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“Às vezes estamos fisicamente ao lado de uma pessoa, mas não estamos presentes. Estar presente é muito mais do que estar ao lado, é saber das necessidades do outro, colocar-se à sua disposição. A intimidade não é garantida por estar ao lado de alguém, mas, sim, por estar presente. É possível estar presente mesmo à distância, através de um telefonema, um contato, procurando saber como acontecem as coisas com o outro. Isto é se fazer presente…”.

Certo dia uma mãe, divorciada, solicitou-nos algumas considerações de como lidar com o filho de 14 anos que está iniciando na bebida alcoólica. Diz que nos encontros da turma do filho, nos finais de semana, sempre tem cerveja… Perguntei-lhe como é o seu relacionamento com o filho, que tempo diário dispõe para participar ou conversar sobre as suas atividades.

Essa distinta mãe é uma mulher muito atarefada, lutadora, que sai de manhã para o trabalho, logo após o filho ir para a escola. Como mora em bairro distante, “almoça na rua mesmo e só retorna para casa à noite”, quando então se encontra novamente com o filho, que logo vai dormir, pois estuda de manhã.

Disse-lhe que hoje em dia o tempo de convivência entre pais e filhos é muito reduzido, devido aos vários afazeres, à luta para a manutenção da casa, que nesse aspecto a situação dela não difere de outras pessoas. Quanto à relação com o filho, não há um receita pronta para lhe repassar. Há profissionais qualificados na área da psicologia que podem orientá-la nessa caminhada de educação familiar. A participação em grupos como o Amor Exigente, Pastoral da Sobriedade e Terapia Comunitária, dentre outros, proporciona o conhecimento de experiência de inúmeras pessoas que vivenciaram situação semelhante, que são debatidas nesses grupos. O trabalho de um profissional e as atividades de grupos como os citados acima se complementam e só engrandecem a tarefa de educador.

Conforme relatos de mães que dizem ter obtido resultados positivos na relação com os filhos, pode-se destacar a prioridade com a qualidade nos encontros familiares, pois argumentam que, diante dos horários descompassados, dispõem de pouco tempo em comum com os membros da família. Em vista disso, procuram se mostrar interessadas pela vida do filho, ouvindo-o com atenção e curiosidade, envolvendo-se com os seus relatos e vibrando com algumas situações trazidas pelo mesmo, criando um clima de confiança, de bons papos, provocando no filho o desejo de sempre contar algum caso para a mãe acolhedora. Que ao procurar saber dos trabalhos na escola, não mantém postura de cobrança, mas de curiosidade, procurando saber qual a matéria preferida do filho, com qual professor ou colega mais se identifica.

Essas mães manifestam também que sair com a família, ir a uma pizzaria ou fazer uma viagem não são gastos, mas investimentos. Dizem que comer um churrasco ou assistir a um filme em casa – “sessão pipoca” – e dar boas gargalhadas em companhia dos filhos é importante e necessário para o entrosamento familiar. Reconhecem que os filhos, em sua maioria, são rebeldes e críticos em relação aos pais, que preferem os seus grupos de adolescentes, onde são aceitos e se identificam, são ouvidos e sentem-se à vontade. Entretanto, dizem que é possível respeitar o momento do jovem no grupo e ao mesmo tempo criar o “ambiente em família”.

Que optaram em abrir as portas de suas casas para receber os amigos dos seus filhos, não para ficar vigiando ou monitorando, mas para criar uma interação de confiança, para que o filho possa se sentir seguro em convidar os amigos para irem à sua casa, com a certeza de que serão bem recebidos. Argumentam que é uma oportunidade de conhecer o grupo do qual o filho participa. Que eventualmente pode ocorrer alguma extrapolação dos limites em algum desses encontros, mas que, nesse caso, no momento oportuno e com respeito, colocam para o filho com clareza o que ocorreu, de forma a encontrar o ponto em que todos se divirtam, sem incomodar a terceiros.

O principal, afinal, é a qualidade na relação e educação dos filhos.

por Heldo Armond | Grupo de Apoio Amor Exigente | Coordenação Local: Berta Teixeira Rodrigues – Coordenação Regional: Washington J. Ferreira/Penha | Reuniões às terças-feiras, das 19h30 às 21h30, no Colégio Franciscano Imaculada Conceição.