Projeto de inclusão à Sudene é novamente discutido na ACE/GV

O ex-superintendente da Sudene Cássio Cunha ressaltou que não será fácil a inclusão, mas não é impossível, e ele está disposto a ajudar. FOTO: Divulgação.

Na manhã de ontem, 27, esteve na cidade o ex-senador da Paraíba e ex-superintendente da Sudene Cássio Cunha, para traçar estratégias de aprovação do Projeto de Lei que inclui Valadares e região na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Ele se reuniu com o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Valadares, Jackson Lemos, o prefeito André Merlo, lideranças empresariais e políticas.

Mas as estratégias de inclusão da cidade na Sudene começaram antes. No dia 28 de fevereiro foi designado o novo relator para o projeto: o parecer ficará nas mãos do senador mineiro Rodrigo Pacheco. A relatoria foi trocada devido a não reeleição do senador Armando Monteiro, que estava responsável por encaminhar os trabalhos à Comissão de Assuntos Econômicos. O projeto, que já está na relatoria da Comissão de Assuntos Econômicos, chegou ao Senado Federal após ser aprovado na Câmara Federal, no dia 31 de outubro de 2017.

Em uma entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO RIO DOCE, o ex-superintendente da Sudene disse que a inclusão não é impossível e que ele fará o que puder para ajudar, com sua experiência. “Estou aqui para atender a um convite do prefeito André Merlo e do presidente da Associação Comercial, Jackson Lemos, para que possamos ter, sob o comando do prefeito e também com a participação da Associação Comercial, uma discussão que é muito importante, que é antiga para Governador Valadares e para toda essa vasta região do Rio Doce, que é a inclusão desta parte de Minas Gerais na área de atuação da Sudene”.

Cássio Cunha lembrou que a Sudene foi criação de um mineiro, Juscelino Kubitschek, somada a um paraibano, Celso Furtado. “Desde a sua origem, a Sudene teve uma parcela do território de Minas contemplado, o Vale do Jequitinhonha. Agora nós tivemos, nesses últimos tempos, grandes tragédias ambientais, que impactaram de forma muito negativa a economia de toda essa região do Vale do Rio Doce. E uma das alternativas que se vislumbra para essa recuperação econômica é também contemplar um sonho que é antigo, que é a inclusão dessa parte do território brasileiro, essa parte daqui da Minas Gerais na área de atuação da Sudene.”

O prefeito André Merlo concorda que não será fácil a inclusão, mas que todos os esforços vão ser feitos para que a Sudene venha para a região. “Precisamos de um padrinho a nível nacional, principalmente do Nordeste, já que nós temos dificuldades para aprovar a Sudene no Senado, devido ao peso dos senadores nordestinos, que erroneamente entendem que dividem o bolo quando aumenta a área da Sudene.”

Ao lado do presidente da ACEGV, Jackson Lemos, e do prefeito André Merlo, o ex-superintendente da Sudene Cássio Cunha disse que não será fácil a inclusão, mas está disposto a ajudar. FOTO:Samuel Martins

O presidente da ACEGV, Jackson Lemos, afirmou que esse é o momento de a Sudene acontecer. “Espero que até o fim do ano a Sudene seja aprovada, para que possamos comemorar um natal feliz junto da população valadarense. Como o prefeito ressaltou, termos o apoio e a troca de experiência do Cássio Cunha será primordial para aprovarmos o projeto no Senado. Vale lembrar que temos o compromisso de construir o desenvolvimento econômico de Valadares”.

O ex-senador relatou que sua vinda a Valadares é uma troca de experiências, já que ele foi superintendente da Sudene no governo de Itamar Franco. “Tive a honra de ser superintendente da Sudene no governo de um Mineiro. Foi durante o governo do presidente Itamar Franco. E vim para trazer um pouco da minha experiência, discutir os caminhos que podem nos levar à solução desse pleito, uma vez que a matéria já foi aprovada na Câmara dos Deputados, através do Projeto de Lei complementar 148, e encontra-se no Senado Federal, com o senador Rodrigo Pacheco, agora relator da matéria. Trocamos experiência, falei das minhas vivências, sugeri alguns caminhos. Vim aconselhar e, modestamente, trazer uma opinião de quem teve a experiência de ser superintendente da Sudene, tecido senador até recentemente. Também trazer esse gesto de solidariedade à população atingida sob vários aspectos por essas últimas tragédias, e contribuir com esse gesto de apoio, não apenas a Valadares, mas a toda essa região por ela polarizada.”

Sonho da Sudene não é impossível

O ex-superintendente ressaltou que não será fácil a inclusão, mas não é impossível. “Há, sim, uma possibilidade de a gente conseguir. Mas não será fácil; também não é impossível. Temos que acreditar. O projeto já foi vencido na Câmara dos Deputados. Acredito, será muito importante para a sensibilização dos senadores, sobretudo de senadores e senadoras do Nordeste, mostrar o impacto negativo que ocorreu na economia de toda a região com os desastres ambientais”.

De acordo com Cássio Cunha, há um passivo ambiental que precisa ser enfrentado. “Houve resultados de declínio econômico inegáveis, e o Brasil, como um todo, precisa trazer um gesto de solidariedade ao povo mineiro. É necessário que Minas Gerais seja acolhida pelo Brasil. Um estado que já deu tanto ao país precisa receber um retorno neste instante, e um dos caminhos para trazer esse apoio a Minas Gerais, ao Vale do Rio Doce, neste momento, é a inclusão dessa região na área da Sudene, onde se possa utilizar dos instrumentos para incentivar, estimular e erguer a economia, que sofreu naturalmente o impacto negativo. Não é fácil, repito, mas também não é impossível. E é por isso que pretendemos trabalhar nesse objetivo”.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br