Produção de cachaça de alambique

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A produção de cachaça é uma atividade desenvolvida em todo o Brasil. Ao longo dos quatro últimos séculos, a cachaça marcou, de forma significativa, sua presença na cultura brasileira.

Incorporou os segredos e a tradição de Minas Gerais, inspirando produtores a incrementar a produção, de forma tal que cada alambique produza uma cachaça especial, diferente de todas as outras. Entre os diversos empreendimentos rurais, a produção da cachaça associa-se a outras atividades agropecuárias, exercendo papel relevante na composição e aumento da renda da propriedade e na manutenção do emprego no meio rural, principalmente na entressafra agrícola. Com sua contribuição econômica e social, a cachaça é considerada atividade econômica importante para o estado de Minas Gerais, apesar do alto índice de informalidade. No entanto, alguns aspectos relacionados com a produção são ainda deficientes, com problemas estruturais, institucionais e tecnológicos. Isso faz com que a produtividade e a qualidade do produto sejam insatisfatórias, o que impede a obtenção de melhores resultados.

O setor mineiro da cachaça envolve mais de 8.500 alambiques, distribuídos por todo o Estado, gerando cerca de 240 mil empregos, diretos e indiretos, com estimativa de produção de aproximadamente 230 milhões de litros e de renda anual de R$ 1,5 bilhão. Esses números demonstram a importância significativa e sinaliza como um dos mais promissores campos de desenvolvimento da agroindústria de Minas.

Com todo o aparato tecnológico existente, há grande esforço em produzir dentro de rígidos critérios de qualidade que, ao longo do tempo, foram conferindo características desejáveis ao produto, cada vez mais reconhecido e exigido pelos consumidores. Contudo, muito ainda precisa ser implementado, principalmente quando o foco é o fator qualidade, para o alcance de patamares mais elevados de comercialização e rentabilidade para os produtores. Essas iniciativas passam, necessariamente, por um processo de reorganização do setor, tendo como base as doutrinas do cooperativismo ou do associativismo, como alternativa eficaz para contornar principalmente os custos.

De modo geral, os produtores, antes de iniciarem qualquer atividade que envolva produção de cachaça, devem tomar algumas iniciativas: procurar assistência técnica; fazer projetos e registrar no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); ser organizados; planejar suas ações; ter controle do processo de produção; avaliar o custo do produto, para que tenha competitividade no mercado; respeitar o meio ambiente e ser comprometido com o produto. A cana-de-açúcar (Saccharum ssp.) é a matéria-prima básica utilizada na fabricação da cachaça, fator primordial para a obtenção de produto com qualidade e produtividade. A cana-de-açúcar adapta-se a uma ampla faixa de clima, solo e altitude.

Em Minas Gerais é plantada em todas as regiões, entretanto, é necessário orientação técnica especializada, na seleção da variedade, escolha, preparo, correção e adubação do solo, plantio, tratos culturais e colheita. O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e açúcar e exportador de açúcar e álcool. A área cultivada com cana no país é de, aproximadamente, 6,5 milhões de hectares. Novos conceitos de produção exigem que a cachaça seja cientificamente padronizada e que o fluxo de produção, iniciado com o preparo da matéria-prima, seguido dos processos de moagem, decantação, fermentação, destilação com separação dos destilados, armazenamento e envelhecimento em tonéis adequados, seja submetido a rigoroso controle de higiene, não só quanto ao processo, mas também quanto às instalações e aos equipamentos.

Atualmente, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), juntamente com o MAPA, são os órgãos responsáveis pela fiscalização dos alambiques e do comércio da cachaça em Minas Gerais. É de fundamental importância que os produtores se adaptem e assegurem a qualidade da cachaça de alambique às necessidades do mercado.

Marcelo de Aquino Brito Lima | Engenheiro-agrônomo e teólogo; Secretário Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento de Governador Valadares.