Policiais militares atiram contra homem na zona rural e ele está internado em estado grave

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Os familiares de Lucimar estão revoltados e com medo de represálias, por denunciarem a reação violenta dos policiais. FOTO:Divulgação.

Brutalidade. É com esta expressão que a família de Lucimar da Silva Trajano, de 32 anos, define o que aconteceu com o ele na manhã do dia 12 de fevereiro. A família do homem mora no povoado do Sossego de Baixo, em São Geraldo da Piedade. De acordo com testemunhas, a Polícia Militar foi acionada para tranquilizar Lucimar, que tem problemas mentais e estaria com uma barra de ferroa ameaçando as pessoas. Quando chegaram ao local, os policiais pediram para que ele largasse o objeto; porém, Lucimar não atendeu ao pedido. O homem estava muito nervoso, segundo testemunhas, o que levou os militares a efetuarem os disparos. Mesmo caído, o homem foi atingido várias vezes. Ao todo, os dois policiais que atenderam a ocorrência dispararam oito tiros e seis acertaram o rapaz, dois na perna direita e quatro na perna esquerda. A família ainda conta que os policiais levaram Lucimar para o posto de saúde, e não para o hospital.

Na ocorrência, os dois policiais relataram que Lucimar estaria ameaçando as pessoas. No local, eles constataram que o homem portava uma barra de ferro de aproximadamente 1,80 centímetros. Eles relataram ainda que informaram ao Copom a situação e pediram uma viatura munida de instrumento de menor potencial ofensivo para realizar apoio, pois provavelmente seria necessário o emprego de armas. Porém, os militares não esperaram o apoio chegar e fizeram a abordagem, que terminou com vários disparos contra a vítima, para tentar contê-la.

De acordo com Maria de Lourdes Silva, tia de Lucimar, a PM já tinha sido acionada outras vezes para tentar acalmá-lo, e ele nunca tinha sido atingido. “Uma brutalidade o que fizeram com meu sobrinho. Ele é esquizofrênico, mas não precisava disso. Falam em oito tiros, mais foram 11 disparos, sem contar que o socorro que prestaram foi levar ele para o posto de saúde. A perna dele ficou moída e precisou ser amputada. O fato aconteceu às 7h30 e foram transferi-lo para Valadares no fim da manhã.”

Maria de Lourdes conta que o estado dele é grave e que a outra perna pode ser amputada a qualquer momento. “Se não bastasse perder uma perna, ele pode perder a outra. Ele sempre teve problemas mentais, mais é um rapaz querido na comunidade. Estamos recebendo ameaças. A mãe de Lucimar já está pensando em se mudar para outro local, por medo”, contou a tia.

Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar explicou que “o cidadão autor das agressões portava uma barra de ferro, que foi apreendida na ocasião. Mesmo com a verbalização e ordens inequívocas para que abstivesse de continuar com as investidas contra os militares, o autor não cessou a conduta. Dessa forma, foi atingido com dois disparos de arma de fogo nos membros inferiores (um em cada perna), região menos letal. Foi socorrido pelos próprios militares no local, que iniciaram procedimentos de primeiros socorros e acionaram atendimento especializado. O fato segue em apuração pela instituição, por meio de procedimento de polícia judiciária militar”.

Hospital Municipal

A assessoria de imprensa do Hospital Municipal informou que Lucimar da Silva Trajano segue internado em estado grave no setor semi-intensivo.