Parceria com a iniciativa privada é a única opção para término das obras do Regional

372
A médica Patrícia Albergaria esteve na reunião representando o secretário de estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral. Foto: Eduardo Lima

O fim das obras do Hospital Regional de Governador Valadares foi pauta, na tarde desta quinta-feira (21), de reunião entre o empresariado local e a representante da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Patrícia Albergaria, que esteve na cidade representando o secretário estadual de Saúde, Carlos Eduardo Amaral. O encontro foi realizado na Associação Comercial e Empresarial de Governador Valadares (ACEGV). A finalidade da reunião foi encontrar soluções e viabilidade para o término dos serviços e gestão do hospital.

Participaram da reunião o secretário municipal de Saúde, Enes Cândido; o presidente da Fiemg Regional Rio Doce, Marcos Lopes; o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Rogers de Marco; o presidente da Fundação Percival Farquhar, Rômulo César Leite Coelho; a reitora interina da Univale, Adriana Coelho; e empresários locais. Passados cinco anos e três meses do início da construção do Hospital Regional de Governador Valadares, a obra ainda segue sem conclusão.

Na reunião, Patrícia pontuou os desafios em um cenário de déficit nas contas do Estado, e revelou que a única alternativa para a conclusão das obras será buscar parcerias com a iniciativa privada ou universidades. “Até o momento, já foram gastos R$ 91 milhões nas obras. O que preocupa o Estado nem é a finalização das obras, mas a gestão do hospital futuramente. Nosso objetivo aqui hoje é levar para o governador propostas do município, para encontrar soluções de viabilização do hospital, pois a situação da saúde em Governador Valadares e região é caótica. Para agilizar esse processo, não vejo outra saída ao não ser buscar parcerias com a iniciativa privada e filantrópica”, afirmou. A resposta de Patrícia vem de encontro ao posicionamento do secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Marco Aurélio Barcelos, quando esteve em Governador Valadares, no dia 28 de fevereiro. Na oportunidade, ele não descartou a ideia de privatizar a gestão do Hospital Regional.

Para o secretário municipal de Saúde, Enes Cândido, a migração do Hospital Municipal para o Regional seria uma alternativa viável para flexibilizar a gestão do futuro hospital. “O Hospital Municipal hoje tá custando 9 milhões por mês. O Estado não vem repassando verbas faz tempo, e isso aumenta o déficit da saúde no município. A nossa proposta é levar a estrutura do Hospital Municipal para o Regional, quando ele estiver finalmente pronto, já que temos todo o corpo profissional efetivo, médicos e enfermeiros. O Estado vai economizar 15 milhões por mês. Seria até razoável. Mas o governador precisa se posicionar. O Estado vai assumir os 100%? Será que vai dar conta? Ou vai ratear 40% entre os outros municípios? O que não pode acontecer é a população ficar sem previsão. Mesmo com as reuniões, a gente não consegue andar pra frente. Ficou claro para todos que o Estado não tem dinheiro”, respondeu.

Hospital não será 100% público

Patrícia rebateu a fala do secretário ao dizer que é contra a junção da gestão dos hospitais. “Acredito que a gestão do Hospital Regional não será 100% pública. Talvez seja melhor ter 40% de leitos públicos do que não ter nada. A questão aqui é levar propostas objetivas, de acordo com a nossa realidade. A solução de levar a estrutura do Hospital Municipal para lá não vai dar certo. Agora, as propostas das universidades da cidade são bem-vindas, para fazer um hospital escola”, disse.

Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Governador Valadares (ACEGV), Jackson Lemos, a consolidação de ideias pode ajudar a agilizar o término das obras do hospital. “Nós temos um problema muito sério nas mãos. O Estado precisa procurar um caminho para resolver esse problema. Nós trouxemos para cá representantes de entidades de classes e empresários. Mas precisamos que o Estado também apareça e não deixe a responsabilidade em cima da gente”, disse.

Obras seguem paralisadas

Sem previsão para inauguração, as obras do Hospital Regional de Governador Valadares começaram em abril 2013, pela empresa Consórcio Socienge Engeform, e tinham data de término prevista para setembro de 2015. No último mês do governo de Antônio Anastasia (PSDB), em dezembro de 2014, mais de 75% dos trabalhos já estavam concluídos (período de 21 meses). No entanto, o governador Fernando Pimentel (PT) assumiu e não deu sequência aos trabalhos da gestão anterior, e determinou que as obras fossem paralisadas, em fevereiro de 2015. Na época, na tentativa de justificar a paralisação das obras, o então governador alegou que o orçamento não havia sido votado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O Hospital Regional é de alta complexidade e vai integrar as redes de atenção de urgência e emergência. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), inicialmente o prédio terá 250 leitos e a unidade deverá beneficiar cerca de 1 milhão de pessoas nas regiões Leste e Nordeste de Minas Gerais. Ao todo, 86 municípios.

por Eduardo Lima | eduardolima@drd.com.br