Paralelas e Perpendiculares

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FOTO:Divulgação.

No final dos anos 70, ainda adolescente, ouvi de um estudante de Engenharia do MIT: “Valadares é uma cidade cheia de paralelas e perpendiculares!”

Ele se referia ao desenho geométrico das ruas da cidade e, com olhar clínico, constatou um fato. Provavelmente aquele estudante não era natural de Governador Valadares. A mim pareceu que ele quis retratar, com sua linguagem técnica, a modernidade da cidade.

Aproximadamente quarenta anos se passaram desde aquele dia que, não sei porque, ficou gravado na minha memória. Muitas coisas importantes aconteceram, caiu o muro de Berlim, conhecemos a cibernética, flertamos com o comunismo, dentre outros fatos históricos que mudaram o mundo. Mas em Governador Valadares, de moderno mesmo, só a evolução da corrupção e suas nefastas consequências.

A cidade, que já foi chamada de Princesinha do Vale do Rio Doce, hoje não passa de uma rainha deposta pela república dos desmandos, da política primitiva e dos engodos desencontrados.

Estagnada, estranhamente, entre 250 e 300 mil habitantes, aqui nada se cria, nada, absolutamente, nada se transforma, sempre o mesmo do mesmo.

Essa, que já foi a terceira cidade do Estado, a segunda do interior, hoje amarga posição insignificante nos cenários estadual e nacional, por mais que se tente viver de aparências, aliás, ilusórias e falsas aparências.

Políticas retrógradas baseadas em costumes obsoletos que privilegiam grupos específicos se tornaram práticas corriqueiras e caíram na normalidade de forma natural e progressiva, distanciando o município dos seus congêneres dentro e fora do Estado de Minas Gerais.

Os dólares americanos, conquistados e trazidos pelos valadarenses à custa de sangue, suor e lágrimas, proporcionaram um fio de esperança e castelos foram construídos, sob a areia.

Exausta, navegou mais à esquerda, vindo a naufragar num mar de lamas.

Temerosa, retomou seu antigo leme e se perdeu em mar aberto, sem rumo e sem prumo, sem norte, despreparada e sozinha.

A bela e promissora cidade de outrora parece não ter percebido a Nova Ordem Mundial, que exige mudanças pontuais, postura empreendedora calcada em conceitos realmente modernos, que a recoloquem na escalada evolutiva.

Um ano e sete meses a separam de novas eleições municipais, e o cenário político-social-econômico é desolador: denúncias diversas, falácias, disputas internas, vaidade, informações desencontradas, crise financeira do Estado, mar de lama, etc. Esses ingredientes, juntos, formarão uma mistura explosiva, com alto poder de destruição.

Sem as atitudes e ações pontuais que a modernidade exige, a rainha deposta entra na rota do caos e inexoravelmente continuará sendo uma cidade de “paralelas e perpendiculares” em plena era do 4D, no campo dos planos, em plena era da física quântica.

Paz e luz.

Marcius Túlio Amaral Pereira | Coronel reformado da Polícia Militar de Minas Gerais