Nova greve dos caminhoneiros pode parar rodovias federais que cortam Valadares a partir de hoje

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Legenda- Para os caminhoneiros Ilson, Dorival e Maurício, a classe precisa de um representante que realmente lute por ela, alguém de garra e determinação.Foto: Angélica Lauriano

Os caminhoneiros da cidade e os que estão de passagem admitem que não há nada preparado, mas, se o primeiro caminhão parar, a greve vai acontecer

Nas últimas semanas voltaram a circular nas redes sociais e em grupos de whatsapp chamados para uma nova paralisação dos caminhoneiros, como a de 2018. A principal queixa é que os acordos feitos com o governo de Michel Temer ainda não foram cumpridos, além do aumento no preço dos combustíveis. A possível paralisação está prevista para começar hoje. As principais mensagens que estão sendo divulgadas informam que o protesto acontecerá a partir das 6h.

Na tarde de ontem, 27, o DIÁRIO DO RIO DOCE entrevistou alguns caminhoneiros que estavam em um posto no bairro Vila Isa, na BR-116, para saber se realmente haveria paralisação. De acordo com eles, realmente existe a possibilidade, mas nada ainda foi acertado. Porém, foram enfáticos em dizer que, basta o primeiro caminhoneiro decidir pela paralisação, a maioria acompanha.

Para os caminhoneiros Ilson, Dorival e Maurício, a classe precisa de um representante que realmente lute por ela, alguém de garra e determinação. FOTO: FOTOS: Angélica Lauriano

O caminhoneiro Maurício Alves, de Medina, ficou sabendo da possível paralisação pelas redes sociais. “Eu fiquei sabendo da paralisação hoje pelo whatsapp. Pelo jeito, ainda não tem nada definido. Em 2018, na outra paralisação, muito foi prometido, mas nada de concreto ainda foi feito para a classe. Esperamos que as coisas se resolvam sem ter que chegar a esse ponto novamente. Precisamos que olhem o nosso lado.”

Ilson Ronaldo Nunes dos Santos, de Don Feliciano, no Rio Grande do Sul,  contou que há 31 anos percorre as estradas do Brasil e que os caminhoneiros estão cada vez mais desvalorizados. “Eu saí de casa em janeiro e ainda não voltei. Antigamente, parávamos na estrada, podíamos tomar banho nas paradas; tinha lugar que até oferecia comida, tudo de graça. Hoje, se você para descarregar um caminhão, é xingado e humilhado. Sem contar a tabela de frete, que não está sendo cumprida. Dá vontade de desistir da profissão. Sou de acordo com a paralisação, desde que não pare a BR, e contamos com o apoio da população.”

O caminhoneiro valadarense Dorival Dutra, que está na estrada há 45 anos, conta que muita coisa mudou nesses últimos anos. Está cada vez mais difícil pegar a estrada, porque os caminhoneiros não têm incentivo nenhum. “Eu ia pegar a estrada hoje, mas, depois dos rumores da paralisação, resolvi ficar em casa. Na outra greve eu estava em João Pessoa e fiquei 10 dias parado. Sou a favor da paralisação consciente. Vou aguardar até domingo, 31. Depois voltarei para a estrada novamente. Contamos com o apoio da população. Não queremos prejudicar ninguém.”

Um dos líderes dos caminhoneiros, Walace Landim, o Chorão, afirmou em um vídeo que representantes dos motoristas têm se reunido com o governo e esperam um posicionamento público, mas ele afirma que não apoia a manifestação. “Tem muita gente querendo usar a categoria como boi de piranha, massa de manobra. Eu, Chorão, não participo disso. Nós estamos confiando no governo Bolsonaro. A Casa Civil está aberta ao diálogo. Não faço parte desse movimento.”

Cartão Caminhoneiro

Preocupado com a possibilidade de paralisação e empenhado em evitar, a qualquer custo, que o movimento ganhe força, na quinta-feira, 28, em uma transmissão ao vivo na página oficial no Facebook, o presidente Bolsonaro falou diretamente aos caminhoneiros sobre a nova política de preços do diesel, anunciada no início da semana pela Petrobras, de que não haverá reajuste no preço do diesel em intervalos inferiores a 15 dias. Na oportunidade, ele falou do lançamento do Cartão Caminhoneiro, que vai garantir a compra de combustível, pelos motoristas de carga, sem a variação oscilante do preço do óleo diesel, uma das principais reclamações da categoria.

“Teremos, daqui a no máximo há 90 dias, o Cartão Caminhoneiro. O que é isso? O caminhoneiro passa no posto de combustível e vai pagar o preço do óleo diesel do dia. Isso é uma vantagem; garante a ele que seu frete não será consumido por possíveis reajustes no preço do óleo diesel durante uma viagem de fretamento”, afirmou o presidente.

por Angélica Lauriano  | angelica.lauriano@drd.com.br