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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Seca total

Agropecuária sofre com estiagem no Vale do Rio Doce. No Norte de Minas e no Jequitinhonha, municípios já decretaram situação de emergência. Analista diz que planejamento é essencial
FOTO: Divulgação
NA PROPRIEDADE de Meire Azevedo, em Jampruca, é perceptível a diferença do período produtivo para o de estiagem
GOVERNADOR VALADARES -

Faz tempo que não cai uma gota de água na propriedade de Meire Azevedo, no município de Jampruca, a 76 quilômetros de Valadares. Para garantir que o rebanho não perca peso e a produção de leite caia, foi preciso investir na plantação de cana-de-açúcar e na compra de ração para alimentação do gado. O rio Itambacuri, que corta o município, praticamente secou. Por toda a região Leste de Minas, o drama não é diferente. Enquanto a estiagem não dá trégua, criadores de gado estão se desfazendo de parte do rebanho.

Muitos municípios já decretaram estado de emergência em Minas por causa da seca, quase a totalidade deles situada no Norte do Estado e no Vale do Jequitinhonha. No Vale do Rio Doce, a cada dia agrava-se mais o quadro de perdas das lavouras, com o cenário de rios completamente secos e milhares de famílias padecendo da falta de água, o que também impulsiona um novo êxodo rural. “O rio já não é mais o mesmo, e as minas estão secando por toda a parte. Minha produção de leite caiu nos últimos dias. O pasto já não tem mais nada, estou recorrendo à plantação de cana, enquanto tem, porque o custo da cana é mais baixo do que o da silagem. Mas fico preocupada com o gado, que está muito magro. Se não chover logo, tenho medo de perder meu rebanho. Conheço produtores que perderam muitas cabeças de gado por causa da seca”, disse Meire, que depende de 40 cabeças de vaca para sua produção de leite.

Segundo o consultor técnico do Sebrae e especialista em pecuária de leite Bruno Magalhães Cardoso, solucionar o problema não é fácil .“É uma situação delicada e com poucas soluções a curto prazo, especialmente no caso daqueles produtores com pouco estoque de ração. O foco do nosso trabalho está no planejamento das empresas rurais, visando sempre ao lucro. No caso da seca, nós tentamos ajustar o volume de alimento disponível (cana, silagem de milho e sorgo) para a quantidade de animais da propriedade. No final do ano passado, houve um trabalho intensivo para aumentar a área e a produtividade dos canaviais, além de recuperar áreas de plantio de milho e sorgo. Mas, mesmo com os produtores vivendo a pior seca dos últimos 20 anos, os animais estão sendo bem tratados”, explicou.

Cardoso é o responsável por acompanhar o projeto Educampo em Valadares e região. O Educampo é um projeto desenvolvido pela Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce, em parceria com o Sebrae, voltado para o homem do campo e que busca, por meio da capacitação gerencial e técnica, desenvolver todos os aspectos de gestão da propriedade, tornando-a mais eficiente e competitiva. Os produtores e cooperados que participam do projeto recebem visitas de técnicos com orientações sobre a propriedade e a produção de leite.

O especialista destacou ainda que é preciso preservar as nascentes para que a água não acabe nas propriedades rurais. “Outro problema que agrava a situação é a diminuição do volume de água disponível nas fazendas, em função muitas vezes da falta de preservação das nascentes e matas ciliares. É importante que entendamos a atividade rural como um negócio que precisa ser rentável e sustentável ambientalmente.” 









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