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terça-feira, 4 de junho de 2013

‘Apenas a indignação não basta, é necessário ter ação’

Advogado Luciano Souto defende que população participe mais das decisões políticas da cidade, acompanhando e cobrando seus representantes
FOTOS: Jack Zalcman
LUCIANO SOUTO diz que os políticos devem pensar mais no bem da população e deixar de lado a politicagem
GOVERNADOR VALADARES -
Em tempos de mais interatividade, proporcionada pelas redes sociais no mundo virtual da internet, percebe-se a crescente discussão em torno das mazelas do mundo real em que, de fato, se vive. A indignação, e muitas vezes a revolta das pessoas, são manifestadas nos fóruns e redes sociais, o que tem gerado resultados concretos quando os grupos decidem partir para uma ação coordenada.
No Abre Aspas desta semana, o advogado, mestre em Direito Público e integrante do movimento Moraliza GV, Luciano Souto Dias, fala da importância da participação da população nos movimentos sociais. Destaca que é com a fiscalização dos atos dos representantes do povo e com a cobrança que ocorrerão mudanças no cenário político.
Luciano ressalta que é preciso entender que a força política deve estar a serviço do povo e pelo povo. 

DRD — Você é valadarense?
LUCIANO SOUTO — Nasci em Governador Valadares e me formei em direito pela Fadivale — Faculdade de Direito de Governador Valadares — no final de 2002. Lá também fiz minha especialização e posteriormente meu mestrado em Direito Público — Direito, Estado e Cidadania.

DRD — Você integra a liderança do movimento “Moraliza GV”. Como surgiu esse movimento?
LUCIANO SOUTO — O movimento Moraliza GV nasceu espontaneamente e naturalmente da indignação das pessoas, manifestada na rede social Facebook, especificamente no grupo “Aconteceu em GV”. Ali, as pessoas postavam a indignação delas frente ao que consideram desmandos da situação política atual. Então surgiu a ideia de realizar, no início deste ano, um abaixo-assinado contra a lei que autorizou o reajuste dos subsídios dos secretários municipais, secretários-adjuntos, prefeito e vice-prefeito. Foi a partir desse abaixo-assinado que nasceu a ideia de se criar o movimento Moraliza GV. É fruto da união de pessoas que se sentiam indignadas. É importante dizer que o movimento é apartidário, embora tenha em sua liderança e também entre os que efetivamente apoiam as ações, pessoas ligadas a partidos políticos, como também pessoas sem nenhuma ligação ou pretensão política. Não levantamos bandeiras de partidos A, B ou C, embora tenhamos vontade de ver em nossos representantes políticos os mesmos sentimentos de ética e moralidade que norteiam as ações do Moraliza GV. 


DRD — O grupo, diferentemente de alguns movimentos que surgem e logo desaparecem, se firmou e está atuante. Qual a receita? 
LUCIANO SOUTO — A aceitação do Moraliza GV foi surpreendente. Sinceramente, não esperávamos que fosse crescer tanto e que tivesse tanto êxito em suas ações. A partir do momento que obtivemos um resultado positivo em relação ao abaixo-assinado, entregue ao Executivo, muitas pessoas foram aderindo ao Moraliza GV e passaram a integrar o movimento, atuando de forma direta ou indiretamente. Então, muitas outras ações foram implementadas a partir da ideia original e com participação crescente de várias outras pessoas.

DRD — O Brasileiro é tido como pouco interessado pelas questões políticas. E preciso uma mudança nesta posição? O cidadão precisa atentar mais ao que acontece na política e nos poderes Executivo e Legislativo, nas esferas Federal, Estadual e Municipal? 
LUCIANO SOUTO — O poder emana do povo, que o exerce a partir dos seus representantes políticos. O povo precisa ter consciência disso e participar mais. Apenas a indignação não basta, é necessário ter ação. Mudanças importantes na sociedade aconteceram a partir da ebulição de movimentos sociais. Esses movimentos são de extrema importância, porque eles cobram mudanças, reivindicam transformações. O povo precisa participar mais da vida política, não apenas no momento do voto, mas em todo o tempo, cobrando ética de seus governantes e representantes eleitos.

DRD — O deixar para lá pode gerar consequências graves?
LUCIANO SOUTO — Com certeza. A omissão pode gerar graves consequências a partir do momento em que o povo, o cidadão, não cobram dos governantes e parlamentares. Às vezes, o cidadão sente falta da qualidade na gestão, de uma vontade política maior de seus representantes. Ele paga altos impostos, taxas e tarifas e não consegue ver o resultado concreto disto. Então, se ele começa a cobrar mais a tendência é que comece a ver mais resultados satisfatórios. É preciso cobrar.

DRD — De que forma o cidadão pode exercer efetivamente essa cobrança, essa participação na vida política?
LUCIANO SOUTO — Vejo que a participação em movimentos sociais é um passo importante. O povo deve pensar mais em política. Por exemplo, hoje, o Moraliza GV representa um marco na história de Valadares, na luta pela ética e moralização da política em nosso município. É uma semente que foi plantada e que está dando frutos, e espero que continue dando muitos mais. Acreditamos nisto e contamos com a participação do povo, porque somente com a participação do povo é que as mudanças acontecem. Vejo, com muito pesar, uma atuação muito passiva e omissa da maioria do nosso Legislativo. São poucos os projetos de lei relevantes. Não vejo ações tendentes a fiscalizar os atos do Executivo, o que é obrigação dos integrantes das câmaras parlamentares. Falta atitude e vontade política. Penso que não deveria existir, por exemplo, os blocos parlamentares de apoio ou de oposição ao governo. Isso representa um atraso. Os vereadores precisam de autonomia em suas funções. Eles [os parlamentares] devem representar os interesses do povo. Isso tudo pode ser mudado com a participação efetiva da sociedade na vida política, cobrando e fazendo valer sua vontade. O Moraliza GV tem agido em questões que poderiam ser objeto de ação do Legislativo. Por isso eu coloco essa posição de que vejo omissão em boa parte do Legislativo. Mas não estamos aqui para competir com os parlamentares, queremos somar, e precisamos de apoio, inclusive dos nossos vereadores. A participação do povo nesse contexto é fundamental.

DRD — Na sua opinião então o parlamentar que apoia ou não uma ação que seria boa ou ruim para a imagem do Executivo deveria rever o papel que desempenha no mandato?
LUCIANO SOUTO — Da mesma forma que digo que o povo deve pensar mais em política, os políticos deveriam pensar mais no povo. Um dos grandes problemas que vejo no meio político, seja em nossa cidade ou em todo o Brasil, é a politicagem. É preciso mudar essa visão. Em Valadares, vemos que quando acaba uma campanha política já se começa a empreender esforços para a próxima. Isso é um grande erro. É necessário agir em prol do povo durante todo o período. É preciso que exista união quando o assunto é o bem do povo e da cidade. É uma construção coletiva, e se cada um puxar para o seu lado, não vai se chegar a lugar nenhum. Muitos avanços não foram alcançados em nossa cidade nas últimas décadas justamente devido a essa falta de união, a uma disputa política que não considerou o bem da cidade e do povo. 

DRD — Quem pode integrar o Moraliza GV e como pode ser essa participação?
LUCIANO SOLTO — O grupo é aberto e qualquer cidadão pode participar, inclusive, liderando ações do Moraliza. Gostaríamos de ter um representante em cada bairro e distrito de nossa cidade. Nossos debates são públicos. Para fazer parte do Moraliza basta participar do grupo “Aconteceu em GV”, no Facebook. Ali compartilhamos e discutimos nossas ações. A participação do maior número possível de pessoas é importante e fundamental para que as mudanças possam acontecer para o bem de nossa cidade e de nossa população.








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