Central do Assinante







PUBLICIDADE



AS MAIS LIDAS
Página Inicial:: >> Notícias de Valadares e Região >> Abre Aspas >>
segunda-feira, 1 de julho de 2013

‘É um momento-chave para a história do Brasil’

Um dos representantes do Vem Pra Rua Gv acredita que através das mobilizações é possível alcançar um objetivo sólido
FOTOS: Jack Zalcman
MARCOS AIALA afirma que o movimento vem crescendo a cada dia e se renovando. Ele destaca que a prefeita fará nova reunião com eles dia 12
GOVERNADOR VALADARES -

Estudante de Filosofia da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Marcos Aiala de Souza não é o líder, mas é um dos representantes do movimento Vem Pra Rua GV. Em entrevista ao DIÁRIO DO RIO DOCE, ele falou sobre como surgiu a ideia de criar um movimento no município moldado através das redes sociais. Afinado também com as pautas nacionais, Marcos destaca que as manifestações na cidade reivindicam melhorias no transporte coletivo, no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), bem como na infraestrutura de Valadares.

O representante do Vem Pra Rua GV ressaltou que em reunião com a prefeita Elisa Costa (PT) na última sexta-feira foram discutidos somente os problemas com relação ao transporte coletivo urbano. O movimento solicita: revisão da nova licitação que concedeu à Valadarense mais 20 anos de mercado na cidade; abertura de negociação com a taxa da passagem a R$ 1; análise de projetos alternativos; melhor acessibilidade para os portadores de necessidades especiais e idosos; e passe livre aos estudantes sem limite de linhas e horários. Entretanto, segundo Marcos, foi afirmado que “as propostas são inviáveis na atual conjuntura econômica da cidade”.

Uma nova reunião está marcada para dia 12 deste mês. De acordo com o representante, nela serão discutidos temas como o Saae e infraestrutura do município. Marcos enfatiza que esse é um momento-chave para o Brasil. “Temos que aproveitar o momento para direcionar a voz do povo para um objetivo sólido.”  


DIÁRIO DO RIO DOCE — Como surgiu a ideia de criar esse movimento?

MARCOS AIALA — Foi um movimento popular realizado no País inteiro. Eu vi na internet que algumas pessoas tiveram a ideia de formar um grupo de manifestação aqui também, com pauta local, estadual e federal, nos três níveis. Então nos reunimos e no outro dia começamos a montar o grupo. Ficamos uma semana planejando, até que dia 22 de junho a gente conseguiu fazer o nosso primeiro manifesto. Agora estamos na segunda semana de planejamento.

DRD — Vocês imaginaram que essa movimentação que começou na internet, através das redes sociais, iria ganhar essa dimensão no município?

MARCOS AIALA — Não. Nós não tínhamos a mínima noção de que daria nisso. A cada dia o movimento cresce. Mais pessoas se somam às nossas forças

DRD — Fora a afinidade com as pautas nacionais, quais as reivindicações locais que o movimento levantou e estudou após a primeira manifestação, ocorrida sábado 22?

MARCOS AIALA — Na verdade a pauta estava sendo feita antes da primeira manifestação. Temos alguns pontos que fizemos junto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público. Eles também estão intervindo na nossa questão com o governo. Nós seguimos a pauta primária. A primeira pauta que decidimos [é] a questão do transporte coletivo, o Saae e a infraestrutura para a cidade. Levamos isso para a prefeita, mas só pudemos discutir a questão do transporte coletivo na reunião com ela.

DRD — Por quê?

MARCOS AIALA — Por que não teve tempo, basicamente. O pessoal começou a aglutinar aqui fora e a gente teve que sair.

DRD — Na reunião da última sexta-feira foi a primeira vez que vocês tiveram contato com a prefeita Elisa Costa?

MARCOS AIALA — Sim, a primeira vez.

DRD — Na questão do transporte coletivo o que foi dito de novo?

MARCOS AIALA — Ela disse que é inviável. Que as nossas propostas são inviáveis na atual conjuntura econômica da cidade. Disse que apóia algumas das nossas causas, mas infelizmente a planilha de gastos da cidade não permite esse tipo de investimento. Inclusive, nós deixamos de defender o meio passe, defendemos agora o passe livre. E a prefeita disse que apoia o passe livre, mas a cidade não pode subsidiar isso. Fica muito caro para eles. Se sair de investimento federal eles apoiam a idéia. Mas municipal, impossível.

DRD — Será realizada nova reunião dia 12 deste mês. O transporte coletivo vai ser colocado novamente na mesa ou o movimento dará preferência às outras pautas que não foram abordadas ainda?

MARCOS AIALA — Pretendemos abordar tudo. E com relação à questão do transporte coletivo ficou acordado que levaríamos uma contraproposta para eles.

DRD — Quantas pessoas representam o movimento?

MARCOS AIALA — É complicado, porque o movimento é muito orgânico. As lideranças aparecem, somem, são recicladas. Então todo dia é um cenário diferente.

DRD — Marcos, você acredita que com essa manifestação o movimento vai alcançar algum objetivo?

MARCOS AIALA — Com certeza. Temos que aproveitar esse movimento. Acho que é um momento-chave para a história do Brasil. Temos que aproveitar isso e direcionar a voz do povo, direcionar essa conscientização política para um objetivo sólido, um objetivo fixo. Acredito que é isso que estamos fazendo e acredito que vai dar certo.

DRD — Valadares, não muito diferente de outras cidades, está passando por dificuldades financeiras. No seu ponto de vista, com essas mobilizações será possível chegar a um ponto em que a população irá trabalhar em conjunto com os governos para contribuir na resolução desses problemas? Essa pode ser uma das conquistas?

MARCOS AIALA — Acredito que é uma conquista essencial. Nós temos que lutar por isso. Inclusive, grande parte do projeto de mobilidade foi decidida no Conselho Popular de Mobilidade Urbana, algo assim. Acontece que ninguém sabe disso também. A participação da população é muito limitada, muito fraca. E também o que foi acordado nessa reunião é que nós estreitaremos o nosso laço com a prefeitura, com o governo municipal. E eles vão avisar para a gente as próximas reuniões e nós vamos avisar para as pessoas.

DRD — Acompanhando as manifestações no Brasil como um todo você pode dizer que os valadarenses abraçaram a causa ou tinha que ter mais gente participando?

MARCOS AIALA — Tinha que ter mais gente participando. Mas nós estamos trabalhando nisso, na reorganização do grupo. Como eu disse, todo dia ele se transforma muito, então temos que criar um sistema que canalize tudo isso e permita essas mudanças. Mas nós estamos em progresso. Mais pessoas vão adotando o nosso movimento a cada dia, é uma questão de trabalhar isso daí e também captar mais pessoas. Por exemplo, as pessoas dos bairros da periferia, movimentos sociais, pastorais são todas parcelas da sociedade que entendem o problema que reivindicamos. Temos que chamar eles.

DRD — Na questão do Saae e da infraestrutura, o que foi debatido pelo movimento que será apresentado na nova reunião com a prefeita? O que vocês preveem de melhorias nesses quesitos?

MARCOS AIALA — Na questão do Saae queremos uma revisão no padrão de qualidade da água. Porque o padrão de qualidade deles é claramente ineficiente. A água não tem uma boa qualidade. Além disso, queremos transparência fiscal e administrativa e integração do Saae com a Semov nos reparos da  cidade.

DRD — A infraestrutura da cidade também é uma questão explorada pelo movimento, principalmente no que diz respeito à mobilidade para os deficientes...

MARCOS AIALA — Essa é uma questão muito importante explorada por nós. Orientamo-nos com o Elias Souto, presidente da OAB em GV. Ele nos deu um direcionamento em relação a isso. Nós queremos que seja feita uma fiscalização da prefeitura nos passeios. Tem que ser padronizado os passeios, pelo menos no centro de Valadares. A gente apresentou essa ideia para a prefeita e ela nos mostrou que o projeto de mobilidade urbana deles também engloba essa questão, onde vão ser padronizadas todas as calçadas do Centro. Com relação à execução não sabemos, mas está no projeto deles.









COMENTE ESTA NOTÍCIA


COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA






NOTÍCIAS RELACIONADAS