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terça-feira, 18 de junho de 2013

ABRE ASPAS: ‘Vamos continuar o movimento pedindo a duplicação até GV’

Segundo um dos coordenadores do “Movimento Nova 381”, para que o município consiga se desenvolver é necessário a força conjunta de todas as classes
FOTOS: Jack Zalcman
SEGUNDO DIRLEY Henrique, a duplicação da BR-381 até Valadares é importante para completar o vácuo do desenvolvimento regional

O DIÁRIO DO RIO DOCE entrevistou nesta semana Dirley Joaquim Henriques, coordenador do Movimento Nova 381, no trecho de Valadares a Belo Oriente. Dirley, que também é superintendente executivo da Agência de Desenvolvimento do Leste de Minas (Adeleste), defende que as entidades se unam para que a duplicação da “rodovia da morte” chegue até o município. Ele explica ainda que a duplicação só não chegou até a cidade porque o projeto é baseado em estudos feitos há mais de 10 anos sobre as condições do tráfego na rodovia.

DIÁRIO DO RIO DOCE — Dirley, me conte um pouco a respeito desse Movimento Nova 381?

DIRLEY HENRIQUES — O Movimento Nova 381 é uma ação da Fiemg, que é uma iniciativa do setor empresarial no sentido de promover o desenvolvimento socioeconômico do Estado, a partir da duplicação da BR-381. Então, aproveitando as oportunidades de negócios com a duplicação, e posteriormente com as oportunidades de negócios que virão pós-duplicação, será emitida uma cartilha com todas as oportunidades durante o processo licitatório. Posteriormente vamos fazer uma cartilha das possibilidades de desenvolvimento da região, a partir dessa duplicação. Isso tudo vai virar o macroplanejamento do setor Leste do Estado de Minas Gerais. Então, o Movimento Nova 381 é coordenado pela Fiemg Rio Doce, através da Rozâni Azevedo, que é a presidente da regional Rio Doce. Além dela, o projeto é coordenado pelo presidente da Fiemg do Vale do Aço. E para cada setor a ser licitado ele tem um coordenador. No caso, eu sou coordenador do trecho 1, de Governador Valadares a Belo Oriente.

DRD — E nesse trecho não haverá duplicação, apenas melhorias. Como a Adeleste vê essa questão?

DIRLEY HENRIQUES — Apesar de se falar de duplicação da BR-381, ela chegará até Valadares. A duplicação vai até Belo Oriente, e as melhorias até Governador Valadares. O que significam essas melhorias: terceira faixa nas subidas e descidas para que o trânsito flua melhor. Houve um levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), mas esse levantamento foi feito há mais de 10 anos. Todo o processo licitatório se baseou nessas informações de tráfego e volume de carga. Então, agora precisamos, para garantir a duplicação até Valadares, de um novo estudo provando essa necessidade. Mas não podemos interromper o processo da licitação. Temos que garantir pelo menos o que já está garantido e, a partir daí, colocar mais recurso. Porque o atual regime de contratação, o Regime Diferenciado de Contratação, permite isso.

DRD — Então tem como continuar correndo com o processo de licitação da duplicação da BR-381 até a cidade?

DIRLEY HENRIQUES — Sim. A licitação do trecho de Valadares já foi realizada. Agora dependemos da proposta técnica. A proposta financeira já foi aprovada. Então, se a proposta técnica não tiver muita discrepância, praticamente garante à empresa que já apresentou a proposta financeira. É claro que nós, do Movimento Nova 381, vamos continuar o movimento pedindo a duplicação até GV, pois é fundamental para o nosso desenvolvimento. Ela é um elemento estratégico para o desenvolvimento regional.

DRD — Dirley, nas redes sociais ocorrem diversas manifestações a respeito desse assunto. E nessas redes pode-se presenciar divulgações de manifestações que provavelmente deverão ocorrer por esses dias. A Adeleste e a Fiemg vão participar?

DIRLEY HENRIQUES — Nós pretendemos apoiar e monitorar tudo o que tiver respeito com a BR-381. De negócios a novas reivindicações. Então, pretendemos acompanhar tudo isso. Nós já conversamos com a coordenação do Movimento e de outros movimentos que já existem na cidade; entendemos que é necessário fazer essa mobilização. Esperamos que o Movimento Nova 381 e outros movimentos se juntem para ganhar força, para a gente apoiar essa ação ou fazer essa ação em conjunto, e não uma  ação isolada. Porque é exatamente esse o objetivo da Nova 381: é canalizar e apoiar, para dessa forma conseguirmos ter força necessária para atingir nossos objetivos.

DRD — A união tem mais representatividade do que a solicitação de uma única entidade do município?

DIRLEY HENRIQUES — Exatamente. Desenvolvimento é união, antes de tudo é união. Se você tem união ocorre o desenvolvimento. Alguns municípios da região têm demonstrado isso; municípios pequenos, mas pequenos empresários se unem e lutam, ou se unem entre si e conseguem dinamizar sua produção econômica a partir da união entre eles. E isso tem trazido desenvolvimento. Então, precisamos de união. Governador Valadares sempre teve um histórico de muita briga política. E a Adeleste nasceu com este objetivo: ser executivo no sentido de lutar com o máximo de forças políticas para uma ação. Aquilo que era feito isoladamente por uma entidade ou por outra vamos juntar todo mundo e fazer juntos. Esse é o objetivo da Adeleste. 

DRD — Essa duplicação vai realmente trazer mais desenvolvimento para Valadares e região?

DIRLEY HENRIQUES — Valadares não tem uma indústria forte. Tem uma indústria que está crescendo. Tem alguns casos de sucesso na cidade que, inclusive, precisam ser divulgados, e eles precisam colocar melhor seus produtos nos grandes centros. Então, a BR-381 é um instrumento para isso. Já que a cidade foi e ainda é uma cidade-dormitório, com a duplicação nós poderemos continuar a crescer de modo complementar, sendo um lugar de eventos, de turismo. Já que não temos uma indústria de transformação grande, podemos agregar aqui outros produtos e serviços interessantes para o entorno. E daí é fundamental a 381. Além de escoar a produção da região, viabiliza uma melhor colocação dos produtos nessas outras rodovias federais e estaduais. Assim teremos uma excelente logística. Podemos até ser um centro distribuidor regional, um porto. Se agregarmos a isso a integração com a ferrovia, por exemplo, a integração do sistema rodoviário com o ferroviário, a gente consegue agregar mais valor à nossa posição geográfica. Um exemplo: nós estamos em uma região onde quem procura incentivo procura a região da Sudene; os empresários que procuram incentivo para produzir em larga escala a custo mais barato vai procurar a região da Sudene. O empresário que procura o mercado do consumidor vai procurar a região do Vale do Aço. Então, ficamos numa espécie de vácuo do desenvolvimento que precisamos preencher. Preencher com o quê? Com vantagem competitiva, produtos e serviços que seriam demasiados para o caso de outra região agregar aqui. E melhorar ao máximo nossa infraestrutura para ser um elemento de desenvolvimento. Porque podemos ser um polo de desenvolvimento artístico, cultural, de residência, como já foi muito mais intenso.

DRD — Falando sobre essas manifestações, o sr. acredita que elas são primordiais para que o governo olhe para a população? Vemos o que aconteceu em São Paulo — manifestações sobre o aumento da passagem, protestos no Rio de Janeiro, Belo Horizonte. É preciso ir para a rua gritar para ser ouvido?

DIRLEY HENRIQUES — Sou suspeito para falar, porque minha origem é de movimento estudantil, movimento de classe, movimento popular, faço parte da Associação de Moradores. Para mim, é fundamental isso. Fundamental essa ação por parte da população. O brasileiro não tem muito essa indignação permanente como tem em outros países. Nós somos um pouquinho mais compreensivos, somos compreensivos até demais com relação à postura dos nossos dirigentes, governantes e representantes. Eu acho que é preciso essa ação de indignação e de postura. Até mesmo porque temos percebido certa falta de vontade política. Então, precisa mobilizar para mostrar, para que nosso representante possa até mesmo conduzir. Porque se não se manifesta nada, nossos deputados e senadores vão fazer o quê? Não estamos pedindo nada. Na medida que passamos a pedir e pedir com veemência, a agenda colocada pelo movimento pode ser prioritária para o ponto de vista político.









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