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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Planejando o desenvolvimento com engenharia

Engenheiro civil e presidente da Aspea afirma que profissão é essencial para o planejamento do País e defende aproximação com o poder público e mudanças no ensino
FOTO: Antônio Cota
EVARISTO FERREIRA destaca que a profissão está em expansão, assim como o País, e por isso deve ser valorizada
GOVERNADOR VALADARES -

A entrevista do Abre Aspas de hoje é com o presidente da Associação dos Profissionais da Engenharia e Agronomia (Aspea), Evaristo Ferreira de Souza. Formado em engenharia civil em julho de 1988, Evaristo conta os desafios da profissão, os segredos do sucesso e ideias que podem ampliar ainda mais o mercado de trabalho no setor. Segundo Evaristo, a engenharia civil ainda é a que mais demanda profissionais no País, devido ao fato de sua abrangência ser maior. Confira a entrevista na íntegra.

DRD — Como está o mercado de engenharia atualmente?

EVARISTO FERREIRA — O Brasil está em desenvolvimento e tem que melhorar muito em todas as áreas. E a área das engenharias, responsável por toda a parte tecnológica, está em expansão. Isso porque o País demorou muito a alavancar. A década de 80, por exemplo, foi muito difícil para os engenheiros. Digo que quem se formou nessa época teve muita dificuldade em se manter no mercado, devido à estagnação. Quem se formava tinha que trabalhar como empregado. A partir da década de 90 as coisas começaram a melhorar, principalmente com a estabilidade econômica do País, com o Plano Real.

DRD — A profissão de engenheiro é realmente uma das mais promissoras financeiramente no Brasil?

EVARISTO FERREIRA — São poucos profissionais que ganham bem sendo apenas profissionais. O engenheiro trabalha para ter uma vida melhor. Mas digo que, para se dar bem, o profissional tem que ter técnica e ser empresário. Isso não acontece apenas na engenharia. Outras profissões também são assim. Um advogado que conhece as leis mas é empresário monta um escritório de advocacia. O médico que é empresário monta uma clínica. O mesmo acontece na engenharia. O profissional que é empresário ganha bem. São poucos engenheiros que ganham bem apenas com a profissão. É necessário saber empreender.

DRD — Muitos afirmam que têm faltado engenheiros no mercado de trabalho. O senhor concorda com essa afirmação?

EVARISTO FERREIRA — Discordo. Acho que o que falta no Brasil é identificar onde estão faltando profissionais. O Estado, infelizmente, sempre põe a culpa nas classes profissionais. Há pouco tempo disseram que as obras da Copa do Mundo estão atrasando por causa dos engenheiros. Isso é um absurdo. A culpa é da falta de planejamento do Estado, da burocracia e da falta de planejamento de algumas empresas. Mas temos no Brasil muitos profissionais. Excelentes profissionais que não estão trabalhando.

DRD — O curso de engenharia é considerado um dos mais difíceis. O senhor acha que essa afirmação é verdadeira?

EVARISTO FERREIRA — Sim. Realmente é um dos cursos mais pesados. Tanto que muita gente acaba parando no meio da faculdade, devido ao conteúdo das matérias e também por causa dos custos. E por isso não concordo com alguns cursos de engenharia a distância. Isso pode causar um estrago enorme. Como profissional, acho muito difícil alguém estudar sozinho em casa e depois pegar o diploma e sair planejando obras. O profissional precisa ter um acompanhamento de perto. Ele precisa ter experiência de campo. E isso não se consegue sozinho. Não quero dizer que a pessoa não tem competência para isso. Mas é complicado.

DRD — Das engenharias (civil, mecânica, elétrica, etc.), qual a que mais emprega hoje no Brasil?

EVARISTO FERREIRA — Com certeza é a civil, porque ela é a base das demais e uma das primeiras engenharias. Além disso, a abrangência dela é muito maior. Acho até que deveriam mudar os cursos de engenharia. Deveríamos voltar a ser como era antes. Antes a pessoa se formava em engenharia e depois escolhia sua especialização: mecânica, elétrica, civil, etc. Os médicos, por exemplo, formam-se em medicina e depois vão escolher a área em que vão atuar. 

DRD — Como a engenharia pode contribuir para o desenvolvimento social?

EVARISTO FERREIRA — Acredito que o engenheiro é primordial. São poucas prefeituras que têm o profissional contratado. São poucas que têm um engenheiro de carreira. Eles preferem contratar empresas, que prestam serviço por um determinado tempo e às vezes, por isso, acabam elaborando projetos rápidos. Quando a prefeitura tem um engenheiro, ele pode auxiliar com uma equipe de técnicos em todos os projetos e obras do município, como também ampliar a captação de recursos pela cidade, já que o governo só libera verba quando há projetos de acordo com as normas. Além disso, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia [CREA] sempre bate na tecla do engenheiro público. Existem advogados que são defensores públicos. Por que não ter, então, o engenheiro público para atender tanto às demandas da prefeitura como as da comunidade carente. Com certeza, seria muito útil para os cidadãos que, por não terem condições de contratar um engenheiro, tocam obras na informalidade, sujeitas a acidentes e outras tragédias.









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