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terça-feira, 19 de março de 2013

‘Um papa latino-americano tem uma expressão grande’

Sem esconder a admiração e alegria com o início do pontificado do papa Francisco, padre Vidal diz que sua escolha possibilitará o fortalecimento dos católicos na América do Sul
FOTOS: Fred Seixas
O PADRE Francisco Vidal é natural de Rio Pomba, na Zona da Mata, e vive em Valadares há 25 anos
GOVERNADOR VALADARES -
Padre Francisco Vidal é o pároco da Catedral de Santo Antônio, em Governador Valadares. Há 25 anos na cidade, já trabalhou em duas paróquias, além da paróquia da Catedral. Mestre em Teologia Moral, com especialização em Bioética, ele fala da eleição do cardeal argentino Jorge Mário Bergoglio a pontífice da Igreja Católica.

Fala também de temas polêmicos, como o aborto, casamento homossexual e a suposta diminuição do número de católicos. Padre Vidal tece críticas ao pseudocrescimento dos evangélicos, fazendo separação entre as igrejas reformadas históricas e as neopentecostais que, segundo ele, não têm comprometimento com a palavra de Deus e as Sagradas Escrituras. Confira a íntegra da entrevista com o pároco da Catedral de Santo Antônio.

DRD — Padre, o senhor é valadarense?

 

PADRE VIDAL — Eu sou natural da cidade de Rio Pomba, na Zona da Mata, e estou em Governador Valadares há 25 anos.

DRD — Como foi a opção pela vida religiosa e ministerial?

 

PADRE VIDAL — Eu cursei o seminário em três cidades: Caratinga, Teófilo Otoni e Belo Horizonte. Fiz Teologia pela Universidade Católica (PUC-BH). Daí eu vim para Governador Valadares, onde iniciei minha vida ministerial como diácono e depois fui ordenado padre.

DRD — O senhor, após um tempo em Valadares, foi para Roma. Como foi isso?

 

PADRE VIDAL — Fui para Roma cursar um mestrado. Eu trabalhei na paróquia da Ilha como diácono. Depois fui padre na paróquia do bairro Vila Isa, na paróquia da Ilha e depois fui para Roma, onde fiz um mestrado em Teologia Moral, com especialização em Bioética. E desde meu retorno de Roma estou como pároco da Catedral de Santo Antônio.

DRD — A eleição do papa Francisco inovou. É o primeiro papa não-europeu após mais de mil anos; é o primeiro jesuíta e o primeiro a adotar Francisco como nome religioso. Apesar de ser visto como conservador, o senhor acha que são novos tempos para a Igreja Católica?

 

PADRE VIDAL — No primeiro milênio do Cristianismo nós tivemos papas de nacionalidades diversas, do continente africano e do Oriente. Nos últimos 1.200 anos, todos os papas foram europeus. Com certeza um papa latino-americano tem uma expressão muito grande, até pela característica do povo latino. O modo de ser, o afeto, a simplicidade e a vitalidade de ser são próprios dos latinos, e percebe-se que o papa Francisco leva consigo essas características. Quanto a ser jesuíta, a Ordem dos Jesuítas na Igreja é de uma expressão de extremo significado. Primeiro, porque são padres do mundo intelectual. Talvez as pessoas nem saibam que entre os maiores cientistas atuais do Planeta, em estudos astronômicos, estão seis padres jesuítas. Uma caraterística própria dos jesuítas é o estudo, uma formação intelectual. Outra, é o ímpeto missionário, também muito próprio do jesuíta. Então, o papa Francisco traz toda essa bagagem própria de um jesuíta com muita expressão, pois na Argentina ele já foi o Provincial dos jesuítas, isto é, o superior da Ordem do Jesuítas na Argentina. Quanto ao termo conservador, isso é muito relativo. O papa Francisco, enquanto bispo e cardeal, foi um homem extremamente comprometido com o social. Esses conceitos de progressista e conservador são de uma relatividade enorme. Inclusive, no governo do casal Kirchner, ele foi a voz dos questionamentos sociais na Argentina. Agora, quanto a temas que estão muito em pauta, como o aborto e a união homossexual, que são temas novos, a doutrina católica vai realmente influenciar um posicionamento.

DRD — O senhor acredita que, pelo fato de o papa ser latino-americano a Igreja Católica no Brasil pode vir a se fortalecer?

 

PADRE VIDAL — Certamente. Hoje fala-se muito de uma diminuição de católicos. Isso é de uma relatividade tremenda. Há 40, 50 anos atrás falavam que 99% da população brasileira era católica. A Igreja Católica sempre soube que isso não era verdade. Essas pessoas não frequentavam a Igreja. Eram católicas só de nome, por tradição, mas não por convicção e compromisso de fé. Hoje nós temos uma presença na vida da Igreja, falando pelo Brasil, substancial de fiéis verdadeiros. Igrejas lotadas com pessoas comprometidas. A mídia joga certas informações carregadas de uma relatividade muito grande. Fala-se também que o mundo evangélico cresceu muito. Qual o conceito de crescimento do mundo evangélico? As igrejas historicamente protestantes reformadas, que procederam da Reforma, são as mesmas. Elas não cresceram, pelo contrário, a Igreja Luterana, a própria Igreja Presbiteriana e outras históricas, elas vivem também situações difíceis. O que cresceu? Foram as igrejas neopetencostais, ministérios independentes que usam todo um marketing que seria impossível nós adotarmos, pois seria totalmente antiético de nossa parte. São todos fundamentados em cima do Demônio, curas milagrosas, de um conceito totalmente deturpado de dízimo e da teoria da prosperidade, que é um perigo, sem fundamento bíblico nenhum. É uma compreensão totalmente antibíblica e evangélica. Não sabemos o rumo que isso vai tomar. Não há evangelização, e essas pessoas não estão tendo conhecimento nenhum da palavra. Então isso é muito relativo. Eles nem têm culto, é um teatro sem nenhum fundamento sólido da palavra, das Escrituras. Isso é de uma consequência, a longo prazo, que pode comprometer o Cristianismo.

DRD — A igreja Católica pode esperar muito então do novo Papa?

 

PADRE VIDAL — Com certeza o papa Francisco assume seu ministério na Igreja de uma forma muito feliz. Ele adota uma linha extremamente pastoral. Embora sendo ele o então cardeal de Buenos Aires, desenvolveu, com muita ênfase, seu ministério nos bolsões de miséria da capital argentina. Ele conhece o drama latino-americano da pobreza, da miséria e do jovem. E o nome escolhido, inspirado em Francisco de Assis, reflete bem a linha pastoral do papa Francisco. São Francisco de Assis é um homem que está além da Igreja Católica. Ele tem a simpatia de todos porque foi um homem de todos os tempos e também um homem da ecologia, assunto tão em pauta atualmente. Certamente será um ministério muito feliz.








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