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segunda-feira, 10 de junho de 2013

‘Comandar o policiamento da Capital é um grande desafio’

Primeira mulher a assumir o comando da 1ª Região de Polícia Militar, em Belo Horizonte, coronela Cláudia Araújo Romualdo fala sobre a responsabilidade de estar à frente do policiamento da Capital
FOTO: Jack Zalcman
A CORONELA Cláudia Romualdo, que entrou para a Polícia Militar em 1986, é a primeira mulher a comandar a região da Capital
GOVERNADOR VALADARES -

De passagem por Governador Valadares para participar da Formatura do Curso da Rotam, a coronela Cláudia Araújo Romualdo, primeira mulher a assumir o comando da 1ª Região de Polícia Militar (RPM), no Comando de Policiamento da Capital (CPC), em entrevista concedida ao DIÁRIO DO RIO DOCE falou sobre a ascensão da mulher na Polícia Militar de Minas Gerais.

Natural de Belo Horizonte, a oficial é formada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ingressou na Polícia Militar em 1986. Antes de ser indicada pelo Comando Geral, com a autorização do governador Antônio Anastasia, para comandar a 1ª RPM, a oficial já havia comandado o 36º BPM, com sede em Vespasiano; o 13º BPM, em Belo Horizonte; o 23º BPM, em Divinópolis; e o Batalhão de Missões Especiais, atualmente Batalhão Rotam. Promovida a coronela no dia 26 de setembro de 2011, ela assumiu o comando da 3ª Região de Polícia Militar, com sede em Vespasiano. 

Na área administrativa, a oficial já exerceu funções em vários departamentos no Estado-Maior. Atuou na Diretoria de Finanças, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, na Ouvidoria da Polícia Militar e no Centro de Administração de Pessoal, onde foi chefe da Seção de Contagem de Tempo e Taxação e subchefe e chefe do Centro de Administração de Pessoal. 

DIÁRIO DO RIO DOCE — Coronela Cláudia, a senhora é a primeira mulher a assumir a 1ª Região de Policia Militar e a ficar à frente do Comando de Policiamento da Capital. O que significa para a senhora ter sido indicada pelo Comando Geral e também pelo governador e o vice-governador para comandar a 1ª RPM?

CORONELA CLÁUDIA — Comandar o policiamento da Capital é um grande desafio. Afinal, estamos nos referindo à terceira maior capital do País, uma cidade com múltiplos problemas. Embora eu tenha chegado recentemente, já foi possível verificar quais são os problemas mais imediatos que precisamos resolver. Mas, por outro lado, embora grande o desafio, tem também como instrumento favorável a equipe extremamente disposta, qualificada, de profissionais extremamente dedicados. E na Polícia Militar nós convivemos com muita tranquilidade com essas mudanças. Elas fazem parte da nossa cultura. E quando você está no exercício de um comando, funciona mais ou menos, figuradamente falando, como uma corrida de revezamento, em que você, de posse de um bastão, realiza a parte que lhe cabe na tarefa, com o compromisso que tem com a instituição e aquelas pessoas, durante o período em que você ficar ali designado para cumprir aquela missão. Terminado o seu tempo, você vai passar o bastão para o próximo, que vai dar continuidade.

DRD — A senhora é natural de Belo Horizonte, formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Direito, e ingressou na PM 1986. Por que o interesse de seguir carreira militar?

CORONELA CLÁUDIA — Na verdade sofri influência do meu pai, que é um tenente-coronel da reserva hoje. Desde pequena eu o via trabalhando, e o dia de fato em que ocorreu a minha escolha pela profissão foi no ano de 1981. Eu tinha 12 anos na época. Foi quando ingressou na Polícia Militar a primeira turma de policiais militares femininos. E eu estava no Clube dos Oficiais, que fica ao lado da Academia da Polícia Militar. Quando ouvi a banda de música tocando, subi no muro para ouvir, e junto com a banda vinha marchando o pelotão com essas primeiras policiais militares. Elas estavam fazendo uma aula de Ordem Unida, que é uma aula que nos ensina os movimentos militares, a marchar. Fiquei vendo elas marchando, e na hora não tive dúvida,  aquilo era o que eu queria ser. A partir daí fui acompanhando os editais de inclusão. Tivemos uma segunda turma, que foi incluída em 1983. E a terceira turma foi incluída em 1986. O edital da época permitia que a mulher ingressasse com o segundo grau completo, desde que completasse 18 anos até fevereiro daquele ano. O curso se iniciou no dia 17 de fevereiro de 1986, e eu viria completar 18 anos no dia 28 de fevereiro de 1986.  Portanto, entrei na Polícia Militar ainda com 18 anos incompletos.

DRD — Como primeira mulher a assumir o comando de uma Região Militar, como avalia a ascensão da mulher na Polícia Militar de Minas?

CORONELA CLÁUDIA — A Polícia Militar de Minas Gerais é uma das instituições mais democráticas que eu conheço. Aqui qualquer de nós pode chegar a exercer qualquer função e ocupar qualquer cargo. Para isso, basta que se qualifique, se prepare. Então, é claro que como a mulher ainda tem apenas uma geração na Polícia Militar, tem pouco mais de trinta anos que ela aqui está. Então, para alguns cargos ainda é novidade. Mas, agora que a mulher já conseguiu chegar ao posto máximo da instituição, já havia conseguido isso com a coronela Luciene, que foi a primeira que chegou... No meu caso, fui a primeira que chegou para comandar uma região operacional, e isso aconteceu em 2011, quando fui promovida e assumi a 3ª Região, em Vespasiano. Na verdade, agora, houve uma designação para um novo comando, que era a 1ª Região que é o Comando de Policiamento da Capital, que ainda não tinha tido uma mulher comandando. São paradigmas que de fato vão sendo quebrados. Mas a nossa instituição, ela é absolutamente democrática. Então, tenho certeza de que as mulheres que fazem parte da instituição vão chegar certamente a todos os cargos e vão exercer todas as funções possíveis, desde que se preparem e se qualifiquem para isso. E eu acho que é uma questão de tempo.

DRD — Qual a sensação de poder promover a segurança para a população?

CORONELA CLÁUDIA — O trabalho de um profissional de segurança pública basicamente é fazer o bem ao seu semelhante. Pode parecer um paradoxo que um policial faça o bem, mas ele faz. Alguém poderia dizer: olha, mas o policial prende. Isso é fazer o bem,  porque você está exercendo a sua função e tirando de circulação aquele cidadão que escolheu viver à margem da lei, e que portanto causa algum tipo de transtorno ao cidadão de bem. Então, o profissional de segurança pública tem como mola-mestra proteger e socorrer o cidadão, mesmo que isso lhe custe a própria vida. Isso é um juramento que se faz quando se entra para a instituição, e é um juramento que levamos extremamente a sério. Temos a exata noção da sua complexidade, da sua profundidade. Temos exata noção dos riscos que são inerentes a nossa função, mas aqui, principalmente em Minas Gerais, a Polícia Militar tem extrema preocupação de treinar e qualificar os seus homens constantemente.

DRD — Existe algum plano de a 5ª Companhia de Missões Especiais, em Valadares, se tornar um batalhão especializado para atender à região?

CORONELA CLÁUDIA — A 5ª Companhia de Missões Especiais se reveste de toda uma condição de profissionais, já tem profissionais e equipamentos que dão a ela condição plena de exercer o recobrimento de toda a área da 8ª Região [Integrada de Segurança Pública]. Evidentemente, à medida que a necessidade vai apontando, esse efetivo vai sendo aumentado, e quando surgem novas tecnologias e novos equipamentos, eles vão sendo adquiridos e passam a fazer parte do arcabouço da própria unidade. Então, na minha avaliação, penso que a 5ª Companhia de Missões Especiais está pronta para cumprir o seu papel aqui na região.

DRD — No jogo do Atlético contra o Arsenal de Sarandi, no último dia 3 de abril, houve um conflito, e a senhora estava à frente da operação. Como é que foi essa situação? A senhora chegou também a ser agredida naquela ocasião?


CORONELA CLÁUDIA — Naquela oportunidade, nos estávamos fazendo um trabalho conjunto do Comando de Policiamento da Capital, que é o responsável pelo policiamento das vias públicas, das ruas de Belo Horizonte, com o Comando de Policiamento Especializado, que é o responsável pelos policiamentos em eventos, entre os quais os jogos de futebol. O que ocorreu é que, estando ali presente naquela oportunidade, em razão dos fatos que ocorreram ao final da partida, houve uma soma de esforços entre os profissionais que ali estavam, para poder cessar aquelas agressões absolutamente injustas que partiram dos profissionais e da comissão técnica da equipe que jogava em Belo Horizonte contra o Atlético, que é o Arsenal de Sarandi. Claro que não foram todos os atletas, nem toda a comissão técnica que fizeram parte daqueles episódios lamentáveis. Os responsáveis, nós conseguimos identificá-los, e a lei foi aplicada, conforme a legislação brasileira prevê. É claro que temos só que lamentar. Porque os policiais militares naquela oportunidade deram extrema demonstração de equilíbrio, bom senso, disciplina tática e, sobretudo, não houve nenhum excesso, não houve nenhuma agressão por parte dos policiais. Na verdade, eles foram os agredidos, mas conseguiram com muito equilíbrio e muito bom senso fazer cessar as agressões, para que em seguida as medidas legais fossem adotadas. Ressalte-se também que naquela oportunidade tínhamos toda uma equipe trabalhando, o que permitiu que as medidas fossem tomadas a contento. Ali estavam um delegado de polícia, uma juíza, um promotor e um defensor publico. Então, foi um trabalho de equipe, com todos atuando juntos para que aqueles episódios recebessem de nós as medidas que a nossa lei determina, e que evidentemente não se repetissem mais no nosso país.









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