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sábado, 2 de julho de 2016

Bactéria silenciosa

A Helicobacter pylori causa a infecção da mucosa do estômago humano, provocando gastrite, úlcera e outros problemas
FOTO: Divulgação
A BACTÉRIA pode provocar gastrite, úlceras e até câncer

Uma bactéria silenciosa que pode causar uma inflamação muito importante no estômago. A Helicobacter pylori causa a infecção da mucosa do estômago humano, provocando gastrite, úlcera e outros problemas. Transmitida através da saliva, das fezes e também pelo contato com o suco gástrico de pessoas contaminadas, a bactéria está intrinsecamente ligada às condições socioeconômicas da população. Estudos realizados em distritos de Valadares mostram que há a presença da bactéria em 69,9% da comunidade rural.

 

O médico gastroenterologista Altair de Carvalho explica o que é a Helicobacter pylori. “É  uma bactéria que não tem ainda recebido a devida atenção dos órgãos governamentais. Por isso estamos incluindo-a como uma doença negligenciada. Ou seja, está ligada à falta de saneamento básico, falta de infraestrutura. É uma bactéria que, quando chega até o organismo das pessoas, causa uma inflamação no estômago. E o reservatório natural do ser humano é o estômago. Com  isso pode causar gastrite, úlcera gástrica e duodenal. E em um estágio mais avançado pode causar câncer gástrico. Tanto é, que a Organização Mundial da Saúde considera hoje a Helicobacter pylori como agente cancerígeno do tipo 1. Ele tem uma importância significativa.”

 

Carvalho ressalta que a bactéria prejudica a qualidade de vida das pessoas. “Sabemos que a bactéria está ligada à condição socioeconômica. Ou seja, nos estados do Sul temos percentuais menores da bactéria, porque esses estados têm uma condição econômica melhor. Da Bahia para cima, onde as condições socioeconômicas são inferiores, podemos dizer que a prevalência dessa bactéria é muito alta, chegando em algumas situações a 78%, 80%. Existem trabalhos feitos pela professora Dulciene Rodrigues nos estados do Pará e do Piauí que encontraram percentuais assustadores principalmente entre crianças, já que essa bactéria acomete fundamentalmente elas. Ou seja, até os 15 anos de idade a incidência e prevalência dessa bactéria é alta. Quando se chega aos 25 a 30 anos vai se estabilizando. À medida que a pessoa vai ficando mais idosa, a tendência é não ser acometida tanto pela bactéria. Em determinadas comunidades em que as pessoas de meia-idade, de 35 a 40 anos, têm elevado índice de bactéria, o que isso traduz pra gente? Significa que essas pessoas adultas conviveram quando crianças numa comunidade onde as condições sanitárias eram inadequadas e receberam a bactéria”, explica o médico. 

 

Na região de Valadares, segundo Carvalho, o percentual de incidência da doença é muito alto. “Temos feito pesquisas na nossa cidade e região. Encontramos percentual em torno  de 69,9% de presença da bactéria na comunidade rural. Isso é preocupante! Se não for feito nenhuma ação de saneamento básico, de melhorar as condições de vida, a tendência dessas comunidades é começar a apresentar gastrites crônicas, ulceras gástricas e até mesmo câncer gástrico. A pesquisa foi feita pelo grupo da professora Dulciene Rodrigues. Há trabalhos na região de Córrego dos Melquíades, Córrego dos Bernardos, e lá encontraram uma incidência de 70% a 75% do H. Pylori. Dez anos depois, voltamos lá, fizemos um trabalho de pesquisa nessa área e encontramos 69,9%. Isso é preocupante, porque 10 anos depois não houve melhora nenhuma.”, ressaltou.

 

Para que a bactéria não evolua, o médico ressalta que são necessários alguns cuidados. “Já foi encontrada a bactéria na saliva e também em placas dentárias. As pessoas que têm baixa escolaridade, com poucas condições de higiene, automaticamente têm essa bactéria. Outra forma de transmissão é a fecal. As fezes são colocadas nos córregos, colocadas nos riachos, e as pessoas que por algum motivo têm a sua fonte de água conectada a esses córregos recebem a bactéria. É possível serem contaminadas também através das cisternas e água não tratada. Também muitas vezes hortaliças, verduras, pequenas culturas que possam ser irrigadas com essa água contaminada podem transmitir a bactéria. As pessoas que trabalham em hospital, na área de saúde, que lidam com pacientes que tem vômitos, refluxo de suco gástrico podem adquirir a bactéria se tiverem contato com ela. É necessário cuidado e a adoção de práticas de higiene e saneamento”, concluiu.

 

O tratamento para matar a bactéria é a utilização de antibióticos, que devem ser recomendados por médicos.









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