Central do Assinante







PUBLICIDADE


AS MAIS LIDAS
Página Inicial:: >> Saúde e Bem Estar >> Notícias >>
sábado, 7 de maio de 2016

MENINGITE: tempo de atuação faz diferença no tratamento da doença

FOTO: Fernanda Martini
DE ACORDO com a médica Junea Ferrari, a contaminação é pela saliva

Muitas doenças surgem de forma repentina, como por exemplo, a meningite, que é a inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro. Embora existam vários tipos da doença, comumente elas podem ser causadas, principalmente, por vírus e bactéria. O quadro viral é mais leve, já a bacteriana costuma ser mais grave, o que depende do subtipo: pneumococos, hemófilos ou meningococos.

 

A infectologista Junea Garcia de Oliveira Ferrari explica quais são os sintomas da doença. “O principal é a febre alta, de início súbito. Normalmente com calafrio junto, vômito intenso, em jato, muita dor de cabeça e rigidez da nuca”, afirmou.

 

Sobre os tipos de meningite ela destacou que existem vários, dos mais raros aos mais comuns, bem como dos mais leves aos mais graves. “Tem a meningite tuberculosa e a meningite fúngica, mas são bem mais raras. A viral é a mais comum. É mais branda e normalmente não causa problema. O paciente tem dor de cabeça, vômito, a nuca fica dura, ele não consegue dobrar o pescoço. Depois de três dias se recupera. Na maioria dos casos, independentemente de medicamento. A meningite bacteriana é mais grave. Pode ser causada por várias bactérias. A gente tem três tipos que são os mais comuns: a meningite por hemófilos, que praticamente não existe mais por causa da vacinação; a meningite por pneumococo, que tem diminuído muito também por causa da vacinação; e a meningite que a gente considera a mais grave, a que mata mais, a meningite meningocócica. Existe vacina para o meningocoo na rede pública, mas é uma vacina recente. Então, não deu tempo de reduzir muito a frequência dessa doença. E também porque o meningococo tem vários subtipos. Então, mesmo que a pessoa seja vacinada contra a meningococo, ainda pode ter uma meningite por outro meningococo que não está na vacina”, explicou, acrescentando que a sequela vai depender de vários fatores.

 

De acordo com a médica Junea Ferrari, a contaminação é pela saliva. “As meningites mais comuns são por bactérias que já habitam a cavidade oral. As mesmas bactérias que dão sinusite, dor de garganta e de ouvido podem causar meningite. A contaminação é pela saliva. A bactéria pode ficar na cavidade oral durante anos sem causar problema e em um belo momento atacar”, afirmou.

GRAVIDADE

A infectologista fala também sobre a meningococcemia. “A gente tem ainda um quadro que é extremamente desesperador e grave — a meningococcemia. É uma espécie de septicemia por meningococo, uma infecção generalizada é tão rápida que às vezes nem chega a dar meningite. O exame do liquor consta normal, e a  pessoa morre antes de o liquor ser alterado. Foi o que aconteceu com um rapaz, no fim de semana [passado]. Ele pegou uma cepa de meningococo tão virulenta que fez um quadro sistêmico, um quadro disseminado, sem aquele quadro clássico de meningite, da febre, rigidez da nuca e vômito. Esse menino, por exemplo, tinha dor de garganta e febre; foi atendido de madrugada, liberado para casa e algumas horas depois — e isso é o que a gente vê mesmo nessa situação — voltou com quadro mais grave, com infecção generalizada. Mesmo com tudo o que foi feito, ele não sobreviveu. É terrível de ver. Normalmente são pacientes jovens, sadios”, lembrou.

CASOS RECENTES x FREQUÊNCIA 

Além desse jovem, a médica destacou o caso de uma criança que morreu em decorrência da doença. E enfatizou que casos de meningite são comuns na cidade. “O mais recente foi o desse menino. Mas o mais comum é em criança. Vemos bastante no Regional [hospital], não é um caso raro. Vemos um a cada mês, um a cada dois meses. Todos eles são muito impactantes. Tivemos outro caso recente em Valadares, há uns quatro meses, o de uma criança de 6 anos que também morreu. Muitos sobrevivem, mas acabamos nos lembrando dos caos que tiveram desfechos ruins. É triste. Nós, médicos, ficamos chateados, porque o objetivo é salvar a vida. Mas nesses casos fazemos tudo e não adianta. É muito rápida a evolução da doença, mais rápido que a resposta ao medicamento, muitas vezes”, alertou.

 

Para detecção da meningite, segundo a médica, é preciso o exame de liquor. “O exame de liquor é colhido na coluna. O paciente fica na posição igual ao exame de anestesia, sentado. Enfia-se a agulha e colhe o liquor. O liquor é um líquido transparente, e quando tem meningite ele vem turvo. Às vezes nem precisa esperar o laboratório dar o resultado, porque na meningite o tempo de tratamento é muito importante. Ele é que vai salvar a vida, e às vezes não espera nem a punção. O paciente chegou com quadro grave, todo manchado, já dá o antibiótico para depois pedir o exame e examinar o paciente. Porque se tomar o antibiótico e não tiver nada não vai ter problema nenhum. Mas se tiver, pode estar salvando a vida dele naquele momento. Não dá para pensar, tem que ministrar o antibiótico, depois fazer  o raio X, verificar a história do paciente com a família, fazer o que tiver que fazer, inclusive a punção lombar. Numa situação comum, colhemos a história, fazemos o exame, raio X e depois damos o remédio. Na meningite o tempo faz diferença”, ressaltou.









COMENTE ESTA NOTÍCIA


COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA






NOTÍCIAS RELACIONADAS