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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Fé e devoção em 511 degraus

Virginópolis, cidade localizada a 117 quilômetros de Valadares, possui uma das maiores escadarias de igreja do mundo, com mais de 500 degraus. Monumento foi erguido pelos próprios moradores em 1988
FOTOS: Eduardo Lima
A ESCADARIA é tão grande, que chega a fazer curva. É necessário muito fôlego para completar o percurso
NO ALTO do morro há uma capela construída pelos moradores antes do início das obras da escadaria
GOVERNADOR VALADARES -
Minas Gerais é cheia de histórias para contar. Cidades centenárias, casarões antigos, igrejas seculares, cachoeiras paradisíacas fazem do Estado um lugar perfeito para o turismo. O Vale do Rio Doce é um caso à parte. Conhecida como a “cidade da jabuticaba”, Virginópolis, a 117 quilômetros de Governador Valadares, é também um atrativo turístico, principalmente para os católicos. O principal cartão-postal é a escadaria da Capela de Nossa Senhora do Patrocínio, que  possui 511 degraus. Ela é considerada uma das maiores escadarias de igreja do mundo, se não for a maior, segundo os virginopolitanos.

São aproximadamente 300 metros até a capela. Quando se chega ao primeiro degrau, a pequena capela desaparece, num convite para os curiosos. É necessário, porém, ter muito fôlego para aceitar o desafio de chegar ao alto e ter uma visão privilegiada da cidade. Construída em 1988, a ideia de criação da escadaria partiu de um ex-morador da cidade Walter Passos, que junto com outros então moradores da cidade construiu o monumento. “A escadaria nasceu após a construção da capelinha, no alto da Serra do Zé Daniel. Após ver o sofrimento de centenas de idosos que a todo custo subiam o pasto do morro muito íngreme para pagar promessas, após anos de pesquisas, convenci o pároco da cidade, na época, o padre holandês Pedro Daalhuizen, de que o povo se queixava muito das dificuldades de subir a serra. Foi então que iniciamos a campanha de doação dos degraus da escadaria. Cada morador contribuiu com materiais, e vários pedreiros voluntários construíram os degraus”, disse.

Passos, que hoje mora em Belém (PA), afirma que a construção da escada também foi em homenagem a sua mãe, Maria das Dores Lúcio, um dos fiéis que se reuniam ao pé do morro para orar. Segundo ele, a mãe teve vários sonhos em que a santa pedia que fosse erguido um templo católico naquele local. Pedido que ele resolveu atender. “Antes da escada, construí uma capela, cumprindo uma promessa da minha mãe, que depois me pediu que construísse uma grutinha ao lado do bambuzeiro no alto do morro. Mas preferi construir uma capela com mais espaço. Lá dentro coloquei uma imagem de Nossa Senhora do Patrocínio, padroeira da cidade, feita de madeira  em Campina Grande, na Paraíba”, contou.

Após a construção da escadaria, Walter Passos mandou erguer ao longo do caminho ascendente 15 oratórios, cada qual narrando as passagens da Via Sacra. As missas e celebrações e a própria empreitada para a construção da capela geraram nos moradores um enorme sentimento de pertencimento ao local. Passos conta ainda que cada degrau construído era motivo de comemoração na cidade, e ao final da obra, o nome dos devotos que contribuíram para a construção da escada foram gravados em cada degrau. “Quando se completaram 100 degraus, a cidade comemorou ao som de muitos fogos. Fechamos a obra com 511 degraus.”
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A IGREJA Basílica de Virginópolis, no centro da cidade, é uma outra atração para os católicos








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