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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Críticas à reforma política marcam debate em Mantena

Vale do Rio Doce discute os desafios para a participação das mulheres na vida pública
FOTO: Ricardo Barbosa
A DEPUTADA Celise Laviola destacou que a força das mulheres é grande, mas é necessário apoio masculino para ser ampliada
MANTENA -

Apesar dos avanços recentes, o percentual de mulheres eleitas aumenta apenas 2% a cada eleição. E embora representem mais de 50% do eleitorado brasileiro, elas não conseguem preencher as cotas de candidaturas femininas estabelecidas na legislação eleitoral. Para debater esses desafios e possíveis soluções para superar essa realidade, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou, nesta sexta-feira, em Mantena, o primeiro de uma série de cinco encontros regionais do Ciclo de Debates Reforma Política, Igualdade de Gênero e Participação: o que querem as mulheres de Minas.

Durante o evento, estudiosos e autoridades discutiram a necessidade de políticas públicas que ampliem a participação da mulher na política e nos espaços de poder. No primeiro painel, a prefeita de Governador Valadares, Elisa Costa, proferiu a palestra “Reforma política e a representação das mulheres no Brasil”. Ela destacou o avanço do País para uma democracia mais madura, com mais vozes nas ruas e mais participação da sociedade e os desafios dessa nova realidade, sobretudo para as mulheres. “Precisamos de passos mais largos para garantir não apenas a participação efetiva das mulheres, mas também de outras minorias excluídas”, enfatizou. Para ela, a reforma política precisa assegurar o financiamento público de campanha. “Precisamos nos mobilizar para não deixar os deputados federais avançarem na atual proposta, que o presidente da Câmara quer votar em Plenário até junho — uma proposição que só interessa a setores econômicos da sociedade e que vai dificultar ainda mais a presença da mulher e das minorias”, destacou.

A palestrante defendeu a eleição de uma assembleia constituinte para cuidar apenas da reforma política. “Sendo feita pelas pessoas que já estão no sistema, a reforma não vai trazer as mudanças necessárias. A reforma política deve ter participação popular e direito de igualdade de condições”, ressaltou. Ela defendeu a adoção do voto em lista, com reserva de 50% das cadeiras no poder legislativo para as mulheres; unificação das eleições para todos os cargos (municipais, estaduais e federais); fim da reeleição e das coligações proporcionais.

Por sua vez, o prefeito de Central de Minas, Genil Mata da Cruz, avaliou negativamente a proposta de reforma política em tramitação no Congresso Nacional que, na visão dele, não representa os anseios da sociedade brasileira. Segundo ele, a proposição “aniquila as mulheres na política”. Ele também defendeu que 50% das cadeiras do poder legislativo sejam destinadas às mulheres. “O Brasil precisa de uma reforma política corajosa para acabar com um sistema viciado. É essencial repensar o processo todo e garantir a exclusividade do financiamento público”, declarou.

O prefeito de Mantena, Wanderson Eliseu Coelho, também manifestou seu apoio à ampliação da presença das mulheres na política. “Historicamente sempre houve mais homens com interesse em se candidatar, mas isso vem mudando paulatinamente e é muito bom, pois as mulheres têm uma capacidade de resolução maior do que os homens”, afirmou. “Elas têm visão de futuro, e o aumento de lideranças femininas pode contribuir para corrigir muitas distorções que existem hoje”, completou.

A presidente da Comissão Extraordinária das Mulheres, deputada Rosângela Reis (PROS), e as deputadas Celise Laviola (PMDB) e Geisa Teixeira (PT) destacaram os desafios que enfrentaram para se elegerem e aqueles que enfrentam no dia a dia de sua atuação política, com a necessidade de conciliação da vida pública com obrigações profissionais e familiares. Elas também receiam que a reforma política em tramitação no Congresso possa prejudicar a inserção das mulheres na política.

A deputada Celise Laviola lembrou que é preciso buscar o apoio dos homens para essa causa. “Queremos ver candidaturas não só para preencher vagas, mas para uma disputa real. Não é fácil, mas as mulheres têm condições. Não podemos desistir, é preciso vontade de entrar na política e mostrar o que querem as mulheres de Minas”, afirmou.









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