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terça-feira, 19 de julho de 2016

MP pede apreensão da fazenda de presidente de sindicato

O imóvel rural de Jorge Ferreira Lopes é avaliado em cerca de R$ 2 milhões. Ministério Público também pediu bloqueio judicial de valores existentes em agências bancárias
FOTO: Divulgação
JORGE FERREIRA LOPES, presidente do Sinttro-GV, pode ter seus bens bloqueados, a pedido do Ministério Público
GOVERNADOR VALADARES -

O promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Evandro Ventura da Silva solicitou ao juízo da 3ª Vara Criminal o sequestro de bens e o bloqueio de valores do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Governador Valadares (Sinttro-GV), Jorge Ferreira Lopes. Entre os imóveis, está uma fazenda avaliada em cerca de R$ 2 milhões, localizada no distrito de Xonin, adquirida, segundo o Ministério Público (MP), por meio de estelionato e associação criminosa, e onde Lopes praticava lavagem de dinheiro.

O MP também solicitou ofício aos cartórios de registro de imóveis da cidade determinando o sequestro dos bens do presidente do sindicato e o impedimento de sua eventual venda. O bloqueio judicial de valores acima de R$ 5 mil serve para contas correntes que Jorge Ferreira Lopes possuir, além de cadernetas de poupança, fundos de investimentos, letras hipotecárias ou qualquer outro tipo de aplicação bancária ou financeira.

Para o promotor Evandro Ventura da Silva, o patrimônio do denunciado não é compatível com sua renda mensal. “[...] Após a deflagração da ação penal inicial, houve análise dos demais documentos e objetos apreendidos nos locais de busca e, conjugando com as provas até então identificadas, está comprovado ainda que o denunciado Jorge, na verdade, constituiu, por meio das atividades ilícitas já denunciadas, um extenso patrimônio absolutamente incompatível com a renda lícita que possui, que é de cerca de R$ 3.700. Com efeito, no depoimento de testemunha, consta que o denunciado exercia a função de pecuarista. Inclusive, o auto de apreensão (ff.28/29) demonstra que foram apreendidos 32 bezerros, 36 vacas leiteiras, um touro e um cavalo da raça manga-larga. As fotografias anexas demonstram o tamanho do patrimônio de Jorge, inclusive com as medalhas recebidas pela criação de cavalos de raça que possui. Logo, observa-se que a atividade de pecuarista que exercia, com toda a sua produção, nada mais é do que uma dissimulação do patrimônio ilícito obtido pelo denunciado em decorrência das atividades criminosas já denunciadas nestes autos”, diz trecho do aditamento da denúncia.

A apreensão, principalmente a da fazenda, segundo o promotor, se faz necessária para um possível ressarcimento aos trabalhadores prejudicados. “Logo, a própria aquisição do imóvel rural e sua utilização para lavar dinheiro ‘sujo” demonstra que é imprescindível a sua constrição, até como forma de ressarcir eventuais danos posteriormente identificados, incluindo aqueles já demonstrados e dos quais foram vítimas os trabalhadores do Sinttro-GV.”

‘Escondeu informações’ 

Ainda no aditamento à denúncia contra o presidente do Sinttro-GV, o promotor Evandro Ventura da Silva destacou o fato de Jorge Ferreira ter escondido algumas informações acerca de seus bens. “Consta no incluso inquérito policial e nos documentos que ora são juntados aos autos que, em data não precisada, mas sendo certo que após o dia 7/08/2013 [quando Jorge adquiriu a fazenda situada no distrito de Xonin], o denunciado dissimulou a origem, a movimentação e a propriedade de bens e valores provenientes diretamente do crime de estelionato e de associação criminosa, eis que mantinha em sua propriedade rural atividade econômica consistente na pecuária. Além disso, no mesmo período, ele ainda dissimulou a utilização dos valores ilicitamente obtidos com o crime, convertendo-o em ativos lícitos, uma vez que possuía na mesma propriedade uma série de cavalos de raça, inclusive vencedores de vários prêmios em concurso da área”, revelou o promotor.

O presidente do Sinttro-GV, Jorge Ferreira Lopes, foi preso no dia 21 de junho durante a deflagração da 5ª etapa da Operação Mar de Lama e foi denunciado pela prática de 16 crimes de estelionato praticados contra os trabalhadores sindicalizados. Nessa mesma denúncia, consta que ele se associou ao sócio-proprietário da Empresa Valadarense de Transporte Coletivo, Roberto José de Carvalho; a uma das filhas deste, Ana Paula Campos Carvalho — que administrava a empresa; e ao advogado do sindicato, Elcio Rocha Gomes, para as práticas dos crimes já citados.

Como não houve sucesso na tentativa de contato do DRD com a defesa do presidente do Sinttro-GV, o espaço está aberto para sua resposta, se assim o desejar. 









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