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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Operação põe fim a comércio ilegal de armas

Seis irmãos faziam parte do esquema criminoso, sendo três deles agentes penitenciários em Valadares os quais faziam uso da função para facilitar o comércio de armas
FOTO: Éderson Ferreira
EM ENTREVISTA à imprensa, autoridades explicaram a dinâmica dos crimes e destacaram que grupo atuava em toda a região
GOVERNADOR VALADARES -
Numa operação denominada 'Bout', realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) — formado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e as Polícias Militar e Civil —, cinco pessoas foram presas e outras três afastadas de suas funções na manhã desta sexta-feira, acusadas de participação em uma organização criminosa que praticava a venda ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas e crimes ambientais em Valadares e no Vale do Rio Doce. Após nove meses de investigação, o MP concluiu que seis irmãos integravam a quadrilha e um deles, um agente penitenciário em exercício, era o chefe do esquema.

O nome da operação faz referência a Viktor Bout, conhecido mercador russo que vendia armas de fogo e fomentava guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu e que deu origem ao filme "O Senhor das Armas". A Operação Bout é um desdobramento da Operação Consórcio, deflagrada em dezembro do ano passado com o objetivo de combater o tráfico de entorpecentes em Valadares. Na oportunidade, foi decretada a prisão dos envolvidos e houve apreensão de material. Entre os objetos apreendidos em 2015, muitos aparelhos telefônicos tinham provas da participação de dois irmãos, entre eles o agente penitenciário, que coordenava o esquema de comércio ilegal de arma de fogo e munições e praticava outros crimes, como lavagem de dinheiro, usura e falsidade ideológica.

Entre os envolvidos no esquema criminoso estão familiares do agente penitenciário e funcionários públicos. Segundo o promotor Evandro Ventura, foram realizadas buscas na casa de W.A.D. (chefe da organização) e foi constatado que ele tinha um padrão de vida em desacordo com sua renda mensal, possuindo carros de luxo, casas e chácaras. "Com o decorrer das investigações, através das conversas telefônicas que foram apreendidas, foi comprovada a participação de W. na venda de armas de fogo em valores elevadíssimos. O que mais nos assustou nesse agente é que ele estava em ajustamento funcional, ou seja, era proibido por um laudo psicológico de ter contato com o preso dentro do sistema prisional, e também proibido de portar arma de fogo, e mesmo assim ganhava dinheiro vendendo ilegalmente armas. Outra situação é que estamos falando de uma família de seis irmãos que tiveram buscas em suas residências, e dois deles prisão preventiva, W. e R.A.D. (também agente penitenciário). Seus irmãos tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos em suas casas: U.A.R., agente afastado de sua função por conduta inadequada; J.G.A. e W.A.D. (candidato a vereador municipal)", explicou o promotor. 

Armas eram roubadas para serem revendidas

 

A promotora Ingridy Veloso Soares destacou que o esquema era simples e audacioso, pois eles usavam a função e seu contato com pessoas do mundo do crime para obterem êxito.


“Ficou constatado que parte destas armas eles adquiriam licitamente, pois eram registradas em nome deles para o exercício de suas funções. Todavia, esses agentes registravam boletins de ocorrência de furtos destas armas e em sua maioria os próprios irmãos figuravam como testemunhas. Conseguimos várias ocorrências nesse sentido, e depois de dada como desaparecida, as armas eram facilmente vendidas às pessoas que tinham dificuldades de comprar no mercado formal ou para pessoas ligadas ao tráfico de drogas e a homicídios. Vale ressaltar que eles revendiam para pessoas que frequentavam o sistema prisional”, disse Ingrid. 

Dentro do processo ficou constatado que a quadrilha revendia armas tanto de uso permitido quanto de uso restrito, e apesar de já ter sido possível identificar a origem de algumas armas, outras não. Porém, já há suspeitos.

Militar reformado estaria envolvido no esquema

Além dos irmãos conduzidos, a operação teve três pedidos de afastamento, 16 mandados de busca e apreensão, destinados a outros dois agentes — A.F.C. e J.R.R. O empresário F.S.S. foi preso em flagrante, pois foi encontrado um revólver de calibre 38 na sua empresa.

R.D. também foi preso em flagrante por crime ambiental. As investigações ainda apontaram o militar reformado R.S.M. como um dos clientes da quadrilha. Ao ser procedida  busca na casa dele foram encontradas quatro armas de fogo. 

O comandante da 8ª Companhia de Missões Especiais, major Fausto Machado, que acompanhou toda a ação juntamente com outros 50 militares, destacou que outros materiais foram encontrados na casa de R. “A origem das armas é sendo apurada, mas é preciso destacar que quatro placas de colete balísticas estavam em sua residência, fato que será apurado para saber se ele realmente tem autorização para ter esse material”, destacou. 

Policial Civil é investigado

O delegado regional, Fábio Sfalcin, concluiu que um policial civil foi apontado nas investigações como um dos compradores das armas, mas ao ser cumprido mandado de busca e apreensão na casa dele nada de ilícito foi encontrado, por isso não foi possível ser efetuada sua prisão.

“O fato foi levado à nossa corregedoria, que acompanhou a operação a fim de dar cumprimento à ordem judicial de busca e apreensão na casa deste investigador. Nenhuma arma de fogo sem registro foi encontrada no local. Entretanto, as investigações prosseguem no sentido de individualizar a ação de cada um e promover sua responsabilidade criminal.”

O delegado explicou que, por enquanto, o investigador continuará na sua função. “Com relação ao investigador, ele permanece no atributo de suas funções, tendo em vista que não há nenhuma ordem judicial para que ele seja suspenso”, finaliza. 

Seds afirma que agentes não estavam em serviço

A equipe de reportagem do DIÁRIO DO RIO DOCE procurou a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) para um posicionamento oficial em relação aos agentes penitenciários envolvidos no esquema. Segundo a Seds, “os agentes penitenciários conduzidos não estavam em serviço e a ocorrência não diz respeito ao sistema prisional”.








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