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segunda-feira, 7 de março de 2016

Sem medo de ser feliz

Embora a violência contra as mulheres seja constante, a denúncia é a esperança da renovação da vida
FOTO: Antônio Cota
SEGUNDO A delegada Adeliana Xavier, a denúncia é o lado positivo de toda a situação, é o ponto de partida do trabalho de ajuda às vítimas de violência
GOVERNADOR VALADARES -

Em mulher não se bate nem com uma flor. O dito popular, embora simples, carrega consigo uma força. Mas a frase cai no esquecimento de muitos homens que, ao invés de proteger, agridem a esposa. Os altos índices de violência doméstica não caem. Mas tem crescido o número de mulheres que saem da sombra e denunciam o “companheiro”. O que torna a mulher que segue em busca de sua liberdade capaz de renovar a vida e ser protagonista de sua história.

Segundo Adeliana Xavier, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), a denúncia é o lado positivo de toda essa situação, é o ponto de partida do trabalho de ajuda às vítimas de violência. “Quando a mulher cria a coragem de procurar ajuda, seja aqui, na Polícia Militar, no Centro de Referência Especializado de Assistência Social [Creas], em onde quer que seja, a gente pode trabalhar. Acionamos toda a rede e fazemos o trabalho conjunto. Começa aqui na delegacia, com a medida protetiva; depois, o inquérito policial; e às vezes vai ao IML, faz exame de corpo de delito. O Creas faz um acompanhamento psicológico, um trabalho muito bonito. A Polícia Militar faz o acompanhamento pela Patrulha de Violência Doméstica, de ir lá e acompanhar o caso, na casa dela, ver se o ofensor tem voltado lá. A denúncia é o ponto de partida. Se a mulher se cala, a gente não trabalha. Porque, por mais que a gente queira abraçar todos os casos, nem a Polícia Civil, nem a Polícia Militar estão dentro da casa de ninguém. E muitas vezes a violência acontece intramuros”, explica a delegada.

As mulheres que seguem com a denúncia, de acordo com Adeliana, conseguem tranquilidade espiritual e, acima de tudo, ter o controle de suas vidas. “Ficamos muito felizes porque vemos que aquela mulher desabrochou. Vivia em um lar caótico, de violência, seja do pai, do genro, filho, sobrinho, neto, do companheiro. Vivia naquele lar de violência constante, e quando saí, desabrocha. Pra gente é muito bom ver aquela mulher crescer. Ela sabe que não merece aquilo, sabe que merece mais... Quantas vezes a gente conversa aqui com as mulheres, mostrando-lhes que elas têm valor, são capazes e podem seguir em frente.”

Sobre a dificuldade do recomeço, a delegada ressalta que, embora assustador, seguir com a vida é transformador. “Vai ser difícil no começo? Vai ser. Porque a mudança assusta. Romper com paradigmas anteriores é muito complicado. Brincamos que é uma clausura, que estava confinada na solitária, e de repente vê a luz do sol. De imediato vai ter medo e vontade de voltar para a solitária, que é onde conhece a sua segurança, mesmo que seja doentia. Mas quando está de frente para a luz do sol e vai adiante, ela não volta nunca mais. Quando começa a ter domínio da vida dela, muda completamente. Isso pra gente é muito gratificante”.

 

Adeliana enfatiza ainda a importância de seguir com a denúncia. “Ao primeiro sinal de violência, a mulher deve procurar apoio. Tivemos alguns casos de homem que mudou realmente, bateu na mulher uma única vez. Ela acionou a policia, ele foi preso e depois virou  bom marido. Mas precisou ser preso, ela precisou ter adotado uma medida drástica de acionar a policia, de ele ser preso, e foi preciso que ela se deslocasse até a delegacia de plantão.  Precisa de um esforço. A justiça vem, pode ser tardia, mas ela vem. Só que não vem de graça. Para ter uma ação justa, precisa batalhar por ela. Começou o inquérito policial, vá até o final, persista. Mesmo que no final, quando terminar o inquérito policial, converter-se em processo, houver julgamento, audiência com o juiz, e a mulher reconhecer que não quer continuar, quer parar porque ele mudou nesse período, porque demora até o processo se concluir... Ela pelo menos foi até o final, e ele sentiu na carne o quanto é ruim sentar no banco dos réus, o quanto é ruim ser tachado de agressor na rua, o quanto é ruim vir à delegacia prestar declaração. Sentiu isso na pele.”

Uma senhora de 42 anos é ameaçada de morte há cerca de quatro meses pelo ex-marido. A delegada insiste em que a denúncia é fundamental. “A denúncia serve para, se acontecer alguma coisa, saber aonde ir, saber quem foi o causador.”









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