Central do Assinante







PUBLICIDADE



AS MAIS LIDAS
Página Inicial:: >> Colunas >> Antor_Santana >>
quarta-feira, 25 de junho de 2008

Onça, cabrito e feixe de capim

Conta-se que um rapaz pobre, mas bastante aventureiro, enamorou-se pela filha de um grande fazendeiro. Ao saber do namoro da moça com um cara qualquer, desconhecido e pobretão, o fazendeiro ficou furioso. Então, ordenou a seus capangas que procurassem o atrevido rapaz e que o levassem a sua presença para uma conversa. Enquanto os "bate-paus" percorriam os arredores da fazenda à procura do rapaz, o fazendeiro bolava uma maneira de dar um sumiço no presunçoso futuro genro, sem que a filha viesse a acusá-lo disso. O rapaz foi encontrado e levado ao fazendeiro, "por livre e espontânea pressão". Naquela altura do campeonato, o fazendeiro já havia encontrado a maneira de pôr um fim à vida do caça-dotes.

No encontro dos dois, o velho controlou-se para não cortar a garganta do atrevido. Mas deu-lhe em troca da mão da filha a missão impossível de levar sozinho a um compadre (também fazendeiro) uma onça faminta, um feixe de capim verdinho, saboroso, e um cabrito, também faminto. Disse para o rapaz: Vai, entrega essa encomenda a meu compadre. Ao recebê-la, ele vai entregar uma carta a você, endereçada a mim, informando que de fato recebeu os dois bichos e o feixe de capim, intactos. E mais: Você mesmo é que vai trazer a carta para mim. O fazendeiro estava convicto (alô, Lula!) de que o moço não conseguiria executar a tarefa, e que o fim do indesejável namoro estava próximo.

O pai da moça contava com um trunfo que seria infalível para as suas intenções. Na divisa da sua fazenda com as terras do vizinho, havia um rio situado num profundo despenhadeiro, e a passagem de um lado para o outro era feita sobre uma pinguela — um pau lavrado e estendido de um lado ao outro do rio cuja largura mal dava para uma pessoa passar. Sabedor do problema, o fazendeiro ordenou que o rapaz atravessasse a pinguela levando às costas um objeto de cada vez. Ele sabia que ali é que a porca torceria o rabo, e que o moço, bichos, capim e tudo iriam parar no fundo do abismo. O pretendente da mão da filha não tinha chances de escapar com vida.

Explico o problemaço do rapaz: se ele levasse a onça, deixando para trás cabrito e capim, o cabrito comeria o capim; se ele levasse o molho de capim, a onça comeria o cabrito. Ou seja, estava numa sinuca de bico. Leitor, tente você resolver o quebra-cabeça. Antes, devo dizer-lhe que o rapaz conseguiu atravessar a pinguela com a insólita encomenda — cabrito, capim e onça —, levando-os um a um para o outro lado do rio, e depois entregá-los sãos e salvos ao fazendeiro, compadre de seu futuro sogro. Depois foi só retornar com a carta na mão e entregá-la ao rabugento. E então, você também conseguiu desamarrar o nó? Se não conseguiu, "posso dar-lhe um toque" (como no programa "Zorra Total") sobre como o rapaz resolveu o difícil enigma. Primeiro ele levou o cabrito e o colocou do outro lado da pinguela, deixando a onça e o feixe de capim; voltou, pegou a onça, levou-a para o outro lado, de onde trouxe o cabrito de volta; depois levou o feixe de capim, deixou-o com a onça; e por fim voltou e levou de novo o cabrito, completando assim o difícil mas não impossível enigma. Foi assim que o poderoso e ranzinza fazendeiro não teve outra alternativa senão entregar a filha em casamento ao rapaz. Moral da história: o mundo é mesmo dos mais espertos, dos mais sabidos!









COMENTE ESTA NOTÍCIA


COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA






NOTÍCIAS RELACIONADAS


 Há 991 leitores conectados