Não cabe a ministro da Justiça advogar para membros do governo, diz ministro da Justiça

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Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública. FOTO: Divulgação.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, reiterou, nesta terça-feira, 15, não ser “apropriado fazer comentários concretos” sobre as investigações em torno de Fabrício Queiroz, ex-motorista do gabinete do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) à época em que o parlamentar ocupava cargo de deputado estadual no Rio de Janeiro. A declaração foi feita durante entrevista à GloboNews.

“Eu sei que no passado houve ministros da Justiça que se sentiam à vontade como se fossem advogados de posições ou membros do governo. Eu acho que isso não cabe ao ministro da Segurança Pública e da Justiça. Cabe sim garantir que os órgãos de investigação possam agir com autonomia”, afirmou.

O ministro ainda ressaltou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por identificar as transações de R$ 1,2 milhão de Queiroz, estava “com uma estrutura reduzida”, mas que está sendo reforçado pelo atual governo. “O Coaf estava com 30 e poucas pessoas. Chegou a ter 60 no passado. Nós trouxemos ele para o Ministério da Justiça, aumentamos a estrutura dele. Aumentamos a capacidade de trabalho do Coaf e ele poderá trabalhar com toda a autonomia e liberdade, assim como (outros) órgãos de investigação.”

O ministro também afirmou que não deverá “avocar” o caso para a Polícia Federal. “Ele tá sendo investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Isso tem que ser esclarecido perante os órgãos competentes.”

Sobre o presidente Jair Bolsonaro, Moro reiterou: “Eu acho que o presidente apresentou explicações no que se refere ao que foi identificado, e os fatos estão sendo investigados e apurados”.

A investigação mira movimentação atípica de R$ 1,2 milhão atribuída pelo Coaf ao ex-assessor do parlamentar quando ele ainda ocupava cargo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

O documento foi anexado pelo Ministério Público Federal à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado e que levou à prisão dez deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

por Fausto Macedo da Agência Estado