Mulher envolvida com o tráfico é encontrada morta na BR-259

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A droga e o dinheiro foram encontrados no carro e nas residências de Gracy e Mary Lucy.Fonte: Arquivo DRD

A vítima havia sido presa em 2017 com mais de seis quilos de maconha e quase R$ 100 mil em dinheiro

A ex-coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social em População de Rua (Creas-Pop), Gracy Dalmacea Chaves, 50 anos, foi assassinada na madrugada de ontem com pelo menos dois tiros. O corpo da mulher foi encontrado ao lado de um Gol prata estacionado com a seta ligada e com a porta aberta na BR-259, próximo a uma área de chacreamento, em Governador Valadares. A PM tentou levantar informações no local para identificar os autores e o motivo do crime, mas a vítima era desconhecida no local. O caso foi passado para a Delegacia de Homicídios. De acordo com levantamento da equipe de reportagem do DIÁRIO DO RIO DOCE, Gracy foi presa em 2017 com mais de 4 quilos de maconha e aproximadamente R$ 100 mil em dinheiro. A amiga dela, Mary Lucy, de 51 anos, também foi presa, porque a maior parte da droga foi apreendida em sua residência.

Queimaduras

O corpo da vítima apresentava queimaduras e foi encontrado por um homem que caminhava em direção ao centro da cidade. De acordo com o boletim de ocorrência, os militares que estiveram no local encontraram próximo do veículo uma garrafa de plástico com cheiro de gasolina, que possivelmente seria utilizada para tentar carbonizar a vítima, para dificultar a sua identificação.

Nos trabalhos iniciais realizados pelos peritos da Polícia Técnica, provavelmente os disparos foram efetuados por alguém que viajava no banco do passageiro, atrás do banco da vítima, onde foi localizado um buraco possivelmente feito por disparos. Um projétil foi encontrado no tapete, próximo aos pedais do veículo. Na bolsa de Gracy havia R$ 970 em dinheiro. No final dos trabalhos os peritos encaminharam o corpo da vítima ao Instituto Médico Legal (IML) e o carro foi recolhido para um depósito credenciado pelo Detran para ser examinado.

Presa por tráfico de drogas em 2017

Gracy Dalmacea Chaves foi presa na tarde do dia 15 de maio de 2017, acusada de tráfico de drogas. A prisão ocorreu após denúncia anônima de que certa quantidade de droga estaria sendo transportada para o Conjunto Sir em um automóvel VW Gol emplacado em Belo Horizonte. Equipes da Polícia Militar conseguiram localizar e abordar o referido veículo na rua Américo Menezes, no bairro São Pedro. Durante a fiscalização, eles perceberam que a condutora, então com 48 anos, demonstrava bastante nervosismo e se identificou como coordenadora do Creas-Pop, órgão municipal para auxílio a dependentes químicos e moradores de rua.

No momento da abordagem, segundo a PM, Gracy Dalmacea Chaves tentou esconder uma sacola que estava no lado do passageiro. Ao vistoriar a sacola, um militar da equipe encontrou dois tabletes de maconha, totalizando aproximadamente 1 quilo e meio da droga, além da quantia de R$ 2.302 e um celular de modelo iPhone. A mulher disse aos militares que o dinheiro encontrado era o único que ela possuía e que estava passando por dificuldades financeiras, o que a levou a vender drogas.

Suborno

Ao ser questionada sobre seu endereço, Gracy disse que morava no bairro Lagoa Santa, mas os militares encontraram no veículo um extrato bancário em nome dela com endereço da rua Ribeiro Junqueira, no centro da cidade. Nesse momento, de acordo com a ocorrência, a autora teria tentado subornar os militares, perguntando se não teria como negociar a situação, sendo lhe respondido que não haveria qualquer negociação por parte da Polícia Militar.

Diante do fato, a autora confessou que o endereço no Centro era da casa de uma amiga e que lá havia mais droga. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram Mary Lucy e, em um dos quartos, dentro de uma bolsa, mais quatro tabletes de maconha, pesando aproximadamente 4 quilos e 135 gramas, além de uma balança de precisão. Dando continuidade às buscas, os PMs encontraram outra balança de precisão em um armário, um rolo de PVC de plástico e uma faca com forte odor de maconha. Em outra bolsa foi encontrado mais um pequeno tablete da erva e um celular.

Mais dinheiro

Em seguida, os militares se deslocaram até a residência informada inicialmente pela condutora, no bairro Lagoa Santa, onde localizaram dentro de um cesto de roupas sujas R$ 40.000 (quarenta mil reais) e dentro de uma máquina de lavar uma caixa de madeira com mais R$ 50.000 (cinquenta mil reais). A polícia ainda encontrou dentro de uma bolsa, no quarto de visitas, o valor de R$ 6.050,00 (seis mil e cinquenta reais), um cofre de lata com R$ 132,75 e um notebook.

Durante as buscas na residência, os militares descobriram que uma das mulheres é irmã de Júlio César Chaves, mais conhecido por “Julião”, que seria comparsa de René Lino Correia, apontado pelos policiais como o chefe do tráfico de drogas na região do Conjunto Sir e do Santos Dumont.

Gracy foi ex-coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social em População de Rua (Creas-Pop), órgão municipal para auxílio a dependentes químicos moradores de rua. Na época, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), informou que Gracy Dalmacea Chaves foi exonerada do cargo. Ela era servidora contratada e desempenhava a função havia dois meses.

por Raimundo Santana