Monumento natural de MG, Ibituruna é ponto de turismo, esporte e lazer

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FOTO: Fábio Monteiro

Cidade nasceu e se desenvolveu aos pés da montanha, que oferece todo tipo de atividade para quem visita e também para quem mora na região

Com 1.123 metros acima do nível do mar e 960 metros acima do rio Doce, ela é o primeiro ponto avistado por qualquer pessoa que chega a Governador Valadares. Ponto de referência dos moradores, avistado de quase todos os bairros da cidade, o pico da Ibituruna testemunhou o nascimento da cidade e também foi palco de muitas histórias, algumas de sucesso e outras misteriosas.

Considerado por muitos praticantes de vôo livre como um dos melhores – talvez o melhor – pontos do mundo para a prática do esporte, o pico foi batizado com um nome de origem tupi, que significa montanha negra, por meio da junção dos termos “ybytyra” (montanha) e “un” preto).

O pico da Ibituruna foi tombado pelo Governo do Estado como Monumento Natural Estadual Pico da Ibituruna. Segundo a Lei nº 21.158/2014, os limites estabelecidos são: área de 1.076 hectares e perímetro de 18.476,02 metros (bioma mata atlântica).

Além de Monumento Natural, definido pela Constituição Mineira, a Ibituruna também é uma Área de Proteção Especial (APE) Estadual (decreto estadual nº 22.662/83) e uma Área de Proteção Ambiental Municipal (leis 3.667/92 e 3.530/92). Integra ainda o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (Seuc) e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc).

Ao todo, cerca de 220 propriedades estão localizadas na região do pico da Ibituruna, considerando o interior e o entorno imediato. Tais propriedades têm, em média, 2 hectares e 10% delas têm acima de 30 hectares. Um hectare equivale a, aproximadamente, um campo de futebol.

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) é o responsável direto pela administração do Monumento Natural Estadual Pico da Ibituruna e conta com parceria da Polícia Militar de Meio Ambiente (PMMA) e do Corpo de Bombeiros Militar.

Clima agradável

O atual presidente da Associação dos Moradores do Pico da Ibituruna (AMPI), Juscelino José Alves Costa, tem uma chácara na região e toda semana sobe a serra para passar momentos de lazer e descanso com a família e amigos. Nascido e criado na montanha, hoje ele mora no bairro Vila do Sol 2, para facilitar o acesso dos filhos à escola.

Segundo ele, cerca de 200 pessoas moram hoje na área do pico da Ibituruna. A região conta ainda com duas igrejas evangélicas, quatro clubes e pousadas e uma escola municipal. Para Juscelino, o clima da região é um dos atrativos para quem mora ou costuma passar alguns dias. “No verão é muito fresco e no inverno parece que a gente está em outro lugar. Só quem mora ou quem já subiu sentiu essa sensação”.

Juscelino também lembra que já houve muitas plantações de café no pico, mas, hoje em dia, os moradores estão buscando preservar e ampliar as matas nativas. Outra preocupação dos moradores é com os incêndios, que constantemente destroem parte da vegetação. “Os moradores estão preparados e, muitas vezes, eles mesmos já conseguem apagar o fogo antes de os bombeiros chegarem”, contou.

Isolamento

O advogado Pedro Zacarias de Magalhães Ferreira mora em uma chácara no pico desde 2014. Para ele, o único ponto negativo de morar na região da Ibituruna é a constante vigília contra as queimadas. “É angustiante torcer, todo ano, para que os incêndios criminosos não destruam o patrimônio natural”, disse.

Pedro, no entanto, ressalta o convívio mais direto com a natureza, segundo ele, longe do barulho da “cidade grande”. O relativo isolamento também facilita na prática de uma das paixões do advogado, a marcenaria. “A ideia de poder ligar minhas máquinas às duas da manhã sem incomodar os vizinhos foi preponderante para a decisão de mudança. Junto com o clima ameno e muito vento, isso me dá a certeza de que fiz a melhor escolha”, concluiu.