Manifestações pelos quatro anos do rompimento da barragem de Mariana começam hoje

Durante duas semanas, voluntários se mobilizaram para produzir cerca de 400 cartazes em protesto contra o despejo de rejeitos no rio Doce

Começa hoje o seminário de balanço dos quatro anos do rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em Mariana. O evento vai até a sexta-feira, no salão da Paróquia Sagrada Família (bairro Jardim Pérola), e é apenas o primeiro de uma série de manifestações e protestos que acontecerão até o dia 8 de novembro, lembrando as consequências do despejo de rejeitos de mineração na bacia do rio Doce.

Após o balanço no bairro Jardim Pérola, as manifestações serão em áreas próximas ao rio Doce. Os protestos nos dias 2 e 3 novembro acontecerão próximo às pontes da Ilha e do São Raimundo, respectivamente. Para esses atos, e para a caminhada no dia 5 – aniversário do rompimento da barragem –, entre a área da Feira da Paz e a praça da Estação Ferroviária, voluntários se mobilizaram para a produção de cartazes contra a Samarco e as mineradoras que a controlam, a Vale e a BHP Billiton.

Mobilização

Um desses voluntários é a agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Laiza Dutra. De acordo com ela, aproximadamente 400 cartazes foram produzidos para a manifestação. “Várias pessoas passaram mais de duas semanas fazendo os cartazes. Todo mundo é voluntário, chega na hora que pode, fica quanto tempo pode”, relata.

Ao classificar o rompimento da barragem como um crime ambiental, Laiza espera que as mobilizações contribuam para garantir a reparação aos atingidos. “A gente acompanha todos os atingidos por esse crime que aconteceu no rio Doce, e está lutando pelos direitos das pessoas. Todos em Valadares foram atingidos, toda a bacia foi atingida”, afirma.

O valor de R$ 2 mil de indenização para os atingidos, conforme decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), também foi alvo de críticas: “Cada um perdeu bens de forma diferente, não foi igual. Cada trabalhador perdeu de um jeito. Quem dependia diretamente do rio Doce perdeu de um jeito, compra água todo dia para beber e para a alimentação. O crime está se estendendo e não se resolveu nada.”

As manifestações pelos direitos dos atingidos continuarão na quarta edição do Seminário Integrado do Rio Doce (4º SIRD), promovido pela Universidade Vale do Rio Doce (Univale) entre os dias 6 e 8 de novembro, em parceira com UFJF, IFMG, Fórum Permanente da Bacia do Rio Doce e Rede Terra Água, entre outras organizações.

Renova

A Fundação Renova, criada para implementar e gerir os programas de reparação dos atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana, afirma que cerca de R$ 1,84 bilhão foram pagos em indenizações e auxílios financeiros emergenciais para cerca de 320 mil pessoas. Ainda segundo a Renova, até agosto deste ano foram destinados R$ 6,68 bilhões para as ações integradas de recuperação e compensação socioambiental e socioeconômica da bacia do rio Doce.

por THIAGO FERREIRA COELHO