Ex-colegas de redação falam do legado deixado por Carioca

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Para ficar de boa com os torcedores mineiros, Carioca se identificava como torcedor do América de Belo Horizonte

“Falar sobre Tião Nunes, o Carioca, seria uma tarefa fácil e prazerosa, não fosse este um momento tão pesaroso e profundamente triste em minha vida. Sem dúvida, sua morte deixa uma lacuna, uma ferida no peito de todos que, como eu, o têm como um grande e querido companheiro de jornada. Guardo muitas lembranças da época de redação do nosso DRD, onde aprendi a admirá-lo pelo amor ao esporte, ao jornalismo, à família (imagino a dor dos filhos!), e sua abnegada luta por tudo em que acreditava. Poderia me alongar, escrever páginas e páginas sobre este querido amigo, que tanto representou na

minha vida – e, tenho certeza, na de tantos outros que tiveram o doce prazer de compartilhar sua amizade e existência. Mas, de modo resumido, digo que ganha o Céu um fenomenal ponta-esquerda, um jornalista criativo e magnífico e, principalmente, um ser especial, de um coração enorme e grandioso em seus gestos e realizações. Até um dia, Carioca!”

Ney Santana – Jornalista, trabalhou e conviveu com ele por mais de 20 anos

“Na manhã desta quinta meu coração acordou triste, sorumbático… e não foi pela derrota do meu querido alvinegro no Parque São Jorge. Recebi a notícia pelo grupo de ex-colegas do DRD, dos anos 90, de que nosso querido Carioca tinha “partido”. Mais que

uma figura folclórica, craque nos gramados e nas páginas do meu querido DRD, deixa uma lacuna enorme. Lembro-me dele exaltando seu glorioso Vasco, falando da paixão pela dona Selma, brigando com todos na redação, mas, ao mesmo tempo, fazendo a alegria de todos nós que, verdadeiramente, o admirávamos. Que Deus conforte o coração de seus familiares, assim como sei que vai confortar o nosso! O esporte valadarense está de luto!”

Edson Calixto Júnior -Jornalista, repórter do DRD entre os anos de 1990 e 1994

“Grande Cari! Assim eu o chamava na redação do DRD, quando trabalhávamos juntos! Embora levasse a vida a sério, no fundo era um grande gozador. Nádia Maria que o diga! Generoso, quantas não foram as vezes que sentei ao seu lado em jogos do Democrata para que ele me ajudasse a entender os lances do futebol. Eu repórter; ele um mestre. Figura especial na história da cidade.” Nagel Medeiros – Jornalista e ex-editora do DRD

“Bem, o Cari – tirando a parte de um pai e marido amoroso – era aquele companheiro de trabalho que alegrava o ambiente com brincadeiras e jargões que só ele sabia. Foi uma grande perda. Ficamos com uma grande saudade, e com as lembranças daqueles tão agradáveis momentos que passamos com ele. Vá em paz, Cari.”

Gevaldeci Caldeira, “Djavan” – Ex-fotógrafo do DRD

 “Carioca era uma lenda viva. Era o primeiro a chegar com as novidades e, no mês de atal,

com as rabanadas que adorava distribuir. A paixão pela esposa, dona Selma, e pelos filhos fazia parte das conversas na Redação, assim como a competição com o Miguel Farias, em provar quem era o mais sábio. Momentos inesquecíveis que transformavam a

tensão do ofício em deleite. O maior desafio foi substituí-lo na editoria de Esportes, por dois motivos: ele se recusava a tirar férias; o outro, porque era insubstituível. O mestre partiu, mas deixou o seu legado.”

Cleuzane Lott – Jornalista e ex-editora do DRD

 “Meu primeiro contato com o Carioca foi no dia 1º de novembro de 1996, exatamente no dia em que entrei no DIÁRIO DO RIO DOCE. Lembro que comentávamos na redação sobre alguma briga do jogador Edmundo em campo, e ele, no cantinho da redação, dizendo algo como: ‘Na minha época eu era um jogador muito disciplinado’. Sem pensar, eu soltei um ‘não era bem isso que meu pai me contava’. Na hora, a redação veio abaixo e ele se levantou, veio a mim e começou a rir. Era mais ou menos este o clima que tínhamos diariamente com ele. Histórias sobre futebol, jornalismo, radiojornalismo, colunismo social, enfim. Tudo com muito bom humor. Suas histórias vão fazer muita falta.”

 Fábio Monteiro – Jornalista

Carioca era uma pessoa de mil e uma utilidades. Quando eu tirava férias da coluna social, quem me substituía era ele, e foi assim durante 26 anos. Ele também já tinha sido colunista social do DIÁRIO DO RIO DOCE, no início do jornal. Ele era o homem da melhor voz na Ave Maria da Mundo melhor; era desportista, era carrancudo, briguento, alegre, dono da verdade, era um homem do saber. Ele brigava com a gente, mas era sempre para ensinar. Carioca começou a definhar depois que a Selma morreu. Ele tinha uma paixão por essa mulher muito grande! Carioca tinha acesso a tudo: convivia com os ricos, com os pobres, com os que elogiava e os que não elogiava; ele era “Nádia Maria” que prestava socorro para aquelas pessoas que escreviam pedindo ajuda; ele era aquele metódico amigo nosso. Não tinha tempo ruim pra ele, estava sempre ali. Como gostava de escrever, como gostava de falar! Foi encantamento durante muitos anos. Essa geração de 30 e 40 anos não lembra bem do Carioca. Nós, de depois dos 50 e 60, sabemos que perdemos ele há 10 anos, quando adoeceu, ficou fora do ar, ficou fora da escrita, fora da fala. Ele era um homem que tínhamos que amar. Morreu pobre, humilde, simples, porém cercado do amor dos quatro filhos e dos netos, que o amavam muito. Tenho certeza de que ele não será esquecido. Como vereador, em breve vamos criar uma rua com o nome desse grande homem: “Sebastião Carioca Nunes”. Que Deus o receba lá em cima!

Júlio Avelar – Jornalista, colunista social do DRD e presidente da Câmara Municipal