Eduardo Bolsonaro, o ativista pró-armas da família

0
251
Eduardo Bolsonaro disse que vai tratar de mudanças na lei com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e com o pai quando tiver oportunidade. Ele defende flexibilizações, como eliminar limites para a compra de munição e liberar armas de qualquer calibre para o cidadão. FOTO: Divulgação

Terceiro filho do presidente da República, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se tornou o principal ativista da causa armamentista na família. Nos últimos dias, o parlamentar mais votado na história do País aumentou a quantidade de publicações sobre o tema nas redes sociais, e tem dado detalhes do que entende como mudanças necessárias na lei para facilitar a posse e o porte de armas.

Nas postagens há bate-papos temáticos, vídeos em que o deputado testa pistolas em um clube de tiro e até dicas para quem quer adquirir sua própria arma. No final de dezembro, o então presidente eleito, Jair Bolsonaro, usou o Twitter para anunciar que pretende mudar as regras para posse e registro de armas de fogo por meio de um decreto. Já o deputado publicou, nos últimos quatro dias, ao menos 16 mensagens sobre armas em suas páginas oficiais na internet.

“A primeira coisa que se deve fazer quando você recebe um novo armamento é testá-lo”, escreveu. “Normalmente quem anda armado gosta de armas, mas, além de divertido, isso também é um treinamento.”

Na segunda-feira, 7, Eduardo publicou uma entrevista que deu a um site especializado em armas. Nela, diz que vai tratar de mudanças na lei com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e com o pai quando tiver oportunidade. Ele defende flexibilizações como eliminar limites para a compra de munição e liberar armas de qualquer calibre para o cidadão.

Uma das mudanças que poderiam ser feitas via decreto, na sua opinião, é na documentação exigida para a compra de armas. A relação do que deve ser entregue para a aquisição de armamento de fogo consta em um decreto de 2004, que poderia ser substituído. Ele admite, porém, que suas posições não serão necessariamente aceitas. “A gente está falando aqui hoje em um momento em que ninguém sabe o teor do decreto.”

Nesta terça-feira, 8, Eduardo embarcou para os Estados Unidos, onde deve encontrar o filósofo e guru bolsonarista Olavo de Carvalho, que também defende a liberdade para porte de armas.

Projetos

Em outra frente, Eduardo propõe mudanças na legislação que vão além do que pode ser alterado via decreto. Ele defende um projeto de lei que revoga o Estatuto do Desarmamento e excluiria a exigência de declaração para comprovar a necessidade da posse da arma. A proposta deve entrar na pauta do Congresso neste ano.

Outra mudança que o deputado dá como certa é em relação à abertura do mercado para empresas estrangeiras. Nas redes sociais, ele critica a discrepância entre os preços nos Estados Unidos e no Brasil. “Sem abrir o mercado nacional não faz sentido, vai permitir que apenas ricos tenham a legítima defesa”.

O deputado ainda defende que atiradores esportivos tenham licença automática para o porte, e vincula essa questão a uma possível ajuda no combate ao crime. “O atirador é muito bem preparado. É uma pessoa que está toda hora lidando com uma arma de fogo. Muitas vezes, comumente, muito mais do que o próprio policial”, diz. “Você vai multiplicar o efetivo de pessoas que podem ajudar na segurança pública sem gastar um centavo.” Em seguida, ele nega que a flexibilização incentive que alguns façam voluntariamente o trabalho da polícia.

A noiva de Eduardo, a psicóloga Heloísa Wolf, também aderiu à campanha. Na internet, postou uma foto de suas mãos em duas pistolas: uma com o cano camuflado e outra com o lema “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” inscrito na lateral. “New babies”, diz a legenda. Agência Estado