Dia Internacional da Mulher e a importância delas na sociedade

"A representação das mulheres na política ainda é insatisfatória, e sua ampliação tem o potencial de beneficiar a sociedade como um todo", ressaltam as vereadoras.Foto: Divulgação

O Dia Internacional da Mulher surgiu após um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York, em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local. Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança de trabalho, gerando melhores condições para os trabalhadores norte-americanos. Mas somente em 1975, no Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.

A ideia da data não é apenas focar nas comemorações, mas na realização de conferências, debates e reuniões com o objetivo de discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir, e quem sabe um dia acabar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado ao longo desses anos, mas muito ainda há para ser mudado nessa história.

No Brasil pode-se dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nessa data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, os direitos de votar e de ser eleitas para cargos no executivo e no legislativo. Em 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta de discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo e, em 1985, com a primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Valadares

Em Valadares as mulheres vêm buscando cada vez mais o seu “lugar ao sol”. Na Câmara Municipal, por exemplo, três mulheres representam não só a população valadarense, mas as mulheres da cidade. O presidente da Casa Legislativa, Júlio Avelar (PV), ressalta a importância da data, fala da mulher como vereadora e da mãe que ele perdeu recentemente. “Falar da mulher é falar inicialmente de dona Landa Tebas de Avelar, uma viúva guerreira que criou 10 filhos sozinha e teve mais três de criação. Mulher é mãe. Mulher é sexo forte, é alicerce familiar, educação, dedicação, amor, tolerância e, acima de tudo, segurança em todos os sentidos da palavra. A primeira mulher na política valadarense foi a vereadora Marilene Marques. Hoje temos três grandes guerreiras: Iracy de Matos, Rosemary Mafra e Fátima Salgado. Mulheres de sucesso em toda a cidade”.

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a Câmara Municipal vai realizar uma sessão solene, para agraciar 21 mulheres com o Diploma Bertha Lutz. A homenagem vai ser realizada no dia 15 de março, às 18h, durante as reuniões ordinárias. As homenageadas são indicadas pelos vereadores. O Diploma Bertha Lutz é entregue pela Câmara, em reconhecimento a pessoas da sociedade que se destacam pelo protagonismo feminino. Bertha Lutz foi a precursora, no Brasil, na luta pelo direito de voto às mulheres.

Mulheres vereadoras

Para a vereadora Rosemary Mafra (PCdoB), o Dia Internacional da Mulher é uma data com muita representatividade, mas ela acredita que as mulheres devem ficar atentas, para que todas as conquistas adquiridas ao longo dos anos não caiam em retrocesso. “Vivemos numa época em que cresceu muito a participação e a importância das mulheres nas atividades econômica, política e social. Nós, mulheres, temos nos destacado em todos os terrenos do trabalho, mas, por outro lado, apesar de ter havido progresso no campo da legislação, procurando aproximar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e essa igualdade de direitos ser consagrada na lei, ela acaba não valendo muito na vida real. Nós tivemos uma elevada importância no texto da construção federal, muitos avanços, mas é preciso falar das condições de vida das mulheres nesse sistema capitalista em que nós vivemos, onde prevalece o neoliberalismo marcado pela desvalorização do trabalho. Com salário diferenciado, a mulher é a que mais sofre as consequências de uma falta de política pública; isso é exatamente resultado da baixa representatividade política. Então, nós acabamos nos tornando um elo muito fraco. Podemos até dizer que ultimamente a gente tem visto um retrocesso de direitos reais e trabalhistas das mulheres que preocupa muito. As mulheres querem viver numa realidade onde o seu papel social seja respeitado e valorizado, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. E a gente tem visto aí que o que está crescendo e muito é a violência contra a mulher”, comentou Rosemary.

De acordo com a vereadora Iracy de Matos, “esta data foi criada como marco da luta de mulheres que buscavam garantir a equidade de direitos e oportunidades. O Brasil está classificado como o quinto país com mais assassinatos de mulheres no mundo. Paradoxalmente, em um país com características conservadoras, apoiado na valorização da família, mais de 50% dos crimes de feminicídio são cometidos por companheiros e ex-companheiros.Devemos lembrar que mulher agredida é família destruída.É imprescindível promover debates sobre misoginia e lutar pela implementação de políticasafirmativas, que possam mudar esses dados”.

A vereadora Fátima Salgado foi procurada pela reportagem, mas informou que está viajando e só estará de volta à cidade na semana que vem.

43ª Subseção da OAB terá programação alusiva ao Dia Internacional da Mulher

Para marcar o Dia Internacional da Mulher, a 43ª Subseção da OAB/MG terá uma programação especial, durante todo o mês de março, aberta ao público feminino. Com início hoje, 8, a subseção receberá profissionais de diversas áreas, para debates sobre as principais bandeiras do universo feminino frente à advocacia e à sociedade contemporânea. Os eventos acontecem hoje, no dia 13 e no dia 28 de março, na Casa do Advogado.

Mês da mulher na UFJF

Os interessados em sugerir ações para a programação do mês de atividades pelo Dia Internacional da Mulher 2019 podem enviar suas propostas. Os eventos ocorrem nos campi de Juiz de Fora e de Governador Valadares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), no período de 18 a 30 de março.

A programação do mês é desenvolvida pela Diretoria de Ações Afirmativas (Diaaf) da UFJF, em parceria com coletivos e entidades representativas da Universidade. As inscrições tiveram início no dia 28 de fevereiro e vão até terça-feira, 12. A programação final será divulgada pela comissão organizadora, no dia 14, no site da Diaaf.

As sugestões devem seguir a temática “Lutas e organização das mulheres na sociedade brasileira”, além de outras especificações. De acordo com o Edital nº 01/2019, são aceitas propostas de atividades como palestras, minicursos, oficinas, apresentações culturais, experiências de geração de renda de mulheres, entre outros. Professores, técnico-administrativos em educação, estudantes, coletivos, movimentos sociais, além de outros órgãos e instituições públicas, podem enviar propostas.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br