Deputados  avaliam as barreiras que atrapalham a vinda de novas indústrias

Cada parlamentar comentou sobre o atual cenário econômico da região e apontou alternativas para o desenvolvimento industrial de Valadares

O que tem sido feito para atrair novas indústrias para Governador Valadares? A pergunta reaparece em um novo momento que o município atravessa, entre perdas e conquistas de novos estabelecimentos comerciais. Aliás, a cidade, por ser polo regional, absorve com facilidade as novas opções de produtos e marcas que chegam. Porém, ainda carece de empresas de médio e grande porte. Muitas delas fecharam as portas e não deram espaço para outras. Questões burocráticas também atrapalharam, ao longo do tempo, a vinda de novos investimentos. Enquanto isso, o surgimento de novas indústrias continua sendo a principal demanda dos valadarenses aos representantes políticos, tanto na Assembleia Legislativa (BH) quanto na Câmara dos Deputados (DF). Nesta reportagem, cada parlamentar eleito na região foi questionado sobre o que tem feito até agora para mudar esse péssimo cenário.

Perto de completar oito meses de governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do governador Romeu Zema (Novo), os cinco representantes políticos com reduto eleitoral em Valadares, os deputados federais Hercílio Diniz (MDB), Euclydes Pettersen (PSC) e Leonardo Monteiro (PT) e estaduais Celise Laviola (MDB) e Coronel Sandro (PSL), afirmam estar buscado alternativas, por meio de articulações, para atrair novos investimentos para a região. As maiores barreiras, segundo a maioria, são a duplicação da BR-381, da ponte do São Raimundo, a situação do Aeroporto e a redução dos impostos.

Há mais tempo na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), o deputado Leonardo Monteiro (PT) diz que o país atravessa seu pior momento na economia. “Desde 2016 o Brasil vive um ciclo sombrio, de retrocessos, redução de investimentos em áreas essenciais, inclusive para as indústrias. E o governo Bolsonaro não consegue apresentar nenhum projeto de país que induza ao desenvolvimento”, criticou.

Com quatro mandatos, Monteiro foi questionado sobre os bloqueios que atrapalham a chegada de novos empreendimentos em Valadares desde o dia em que assumiu uma cadeira no Congresso. Para o parlamentar, o desenvolvimento do município passa primeiro pela área da educação. “Procurei priorizar nosso mandato viabilizando ações na área da educação, como indutora do desenvolvimento. Nesse pensamento, contribuí com a implantação do Instituto Federal na nossa cidade, com cursos técnicos de nível médio e curso superior (de engenharia). Participei ainda da viabilização da Universidade Federal (campus UFJF) com 11 cursos, inclusive o de medicina. Ajudei ainda na liberação do curso de medicina da Universidade Comunitária (Univale). Portanto, foram dois cursos de medicina na cidade. Essa ação garante, sem dúvida, formação profissional e movimentação do mercado e de toda a cadeia produtiva em torno da educação, que abriga estudantes de toda a região, e de novas oportunidades no mercado, sem falar nas casas do Minha Casa Minha Vida, que não só movimentaram a indústria de engenharia civil, mas garantem emprego e renda e a melhoria na vida de muita gente”, disse.

Em seu primeiro mandato como deputado federal, Hercílio Diniz (MDB) disse que Valadares tem potencial para atrair empresas ainda maiores do que as que já atuam por aqui, devido à localização, em razão do entroncamento das BRs 259, 381 e 116. “Nós precisamos fortalecer as empresas que já operam aqui, facilitar o comércio, como é o caso da MP 881 que, com muito trabalho, aprovamos no Congresso. Precisamos também melhorar a nossa infraestrutura, acelerar a duplicação da BR-381 e da ponte do São Raimundo, melhorar o nosso Aeroporto, que já está em obras, porque as empresas querem e precisam de facilidade de acesso e infraestrutura para se instalar aqui. Temos que nos empenhar para a aprovação da reforma tributária, que é alvo dos debates da CFT, Comissão de Finanças e Tributação, em que sou membro titular na Câmara, porque com a proposta de simplificação dos impostos aumentamos as chances de atrair novas indústrias; e, claro, trabalhar para que a cidade tenha acesso aos projetos do governo”, informou Diniz.

Sudene: sonho ou realidade?

A inclusão do Vale do Rio Doce na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) tem sido a principal articulação dos três deputados valadarenses em Brasília. Com a inclusão serão possibilitados, assim como em estados do Nordeste, benefícios fiscais para garantir investimentos locais, gerando mais emprego e renda. O projeto segue em tramitação no Senado Federal. “Estamos conversando com cada senador, passando essa cobrança para a inclusão de Governador Valadares na área de atuação da Sudene. Isso vai gerar renda para nossa região, promover ainda mais o desenvolvimento sustentável da cidade e atrair investidores com grande potencial de alavancar o setor industrial e mudar o panorama sustentável da cidade”, comentou Euclydes Pettersen (PSC).

“A Sudene já garantiu para Minas mais de R$ 5 milhões, entre 2012 e 2015, em investimentos, gerando mais de 13 mil empregos. Aprovando o projeto no Senado, incluindo novos municípios, vamos garantir que a Sudene seja um importante indutor de desenvolvimento também para Valadares e toda a região”, ressaltou Leonardo Monteiro.

Falta de união

Na esfera estadual,  Coronel Sandro (PSL) questionou a falta de união da classe política na busca de novas empresas. “Tem uma questão histórica no fato de Governador Valadares não atrair indústrias, a falta de união. Falta união política nesse sentido. É preciso superar as diferenças partidárias políticas e buscar soluções para atrair novas indústrias. Outro problema é a deficiência na questão de ‘modabilidade’ nas rodovias federais. Outro fator que desmotiva o interesse de novos investimentos é que nossa cidade não produz commodities, como no caso do Vale do Aço e outras regiões de Minas. Isso não desperta o interesse de empresários de se instalar aqui”, argumenta.

Já para Celise Laviola (MDB), a linha férrea Vitória a Minas deveria ser mais bem aproveitada na cidade. “Nossa linha férrea é pouco explorada. Acredito que, se tivesse uma política para facilitar o transporte de cargas com um terminal em Valadares, muitos empresários viriam para cá. A linha férrea passa por dentro da cidade. Outro grave problema é que toda a política fiscal do Estado nos últimos governos tem atrapalhado a implementação de novos empreendimentos em Valadares. Sabemos que é uma cidade polo, mas pouco foi feito. O governo Romeu Zema (Novo) tem sinalizado mudar isso e facilitar novos investimentos na região”, complementou a deputada.

por Eduardo Lima | eduardolima@drd.com.br