Depressão – Quando o silêncio grita

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Se tem uma doença que me assusta é a depressão. Seu jeito de agir, ardiloso, sinistro, quase covarde, faz a gente tremer. Ela constrói muros, fere a alma, aniquila as relações, destrói vidas. Entender a depressão exige delicadeza, por isso é tão difícil. As pessoas pararam de se olhar, perceber, entender e aceitar. Todos correm, ninguém sabe ao certo pra onde, mas estão ávidos para chegar. Cada um por si, criando distâncias intransponíveis.

A Organização Mundial de Saúde registra o Brasil como o quinto país mais depressivo do mundo e o número um em ansiedade. Isso significa que em alguns anos podemos estar no topo do ranking, o que não é orgulho pra ninguém. A cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo.

Como lidar com esse mal que assola a alma, que não escolhe idade, raça, profissão, grupo econômico ou estado de espírito? Como abrir espaço para falar sobre isso, sem gerar medo, desconfiança e permitir a quem sofre acreditar que pedir ajuda é a melhor escolha. Já vi gente de todo tipo e lugar contando como lidou ou busca lidar com ela. Eu mesma convivi anos e anos com alguém muito especial que se aprisionou na dor do silêncio, até não suportar mais e tirar a própria vida. Naquele tempo, falar sobre isso era “quase proibido”, afinal, para a maioria das pessoas, era “coisa de maluco”. Também perdi amigos e colegas de trabalho que não imaginávamos que sofriam em silêncio, camuflando suas amarguras.

Como conviver com essa dor? Como explicar o vazio que ninguém vê? Como justificar a falta de opção quando na percepção do outro não falta nada? Como não ter medo, quando seus pensamentos são seus maiores inimigos e, para piorar as coisas, há o julgamento alheio, que afasta, maltrata, fere, condena?

Forte é aquele que se permite ser fraco. Parece estranho, mas é justamente quando falamos de nossas mazelas que criamos coragem e damos espaço para criar a nossa força. O silêncio é o maior inimigo de quem está sofrendo. Falar é a melhor saída para esvaziar essa dor, desatar alguns nós, se livrar das amarras. Você não está sozinho. Isso não acontece só com você. NÃO é frescura, NÃO é castigo, NÃO é punição dos céus. É doença.

Quando fica doente, a gente procura ajuda. Você que está sofrendo, que pensa e sente que não há solução, que quer desistir, eu quero te dizer que eu te entendo. Que sinto muito por estar passando por isso, e quero te dizer que há, sim, caminhos possíveis. Que você pode pedir ajuda e enfrentar essa doença, até estar forte, o suficiente, para viver de forma mais leve e livre.

O silêncio assombra. Falar liberta. É preciso falar sobre as emoções, sobre sentimentos, atitudes. É preciso estimular o diálogo franco para que possamos romper paradigmas e construir relações. Saiba que você é seu maior tesouro. Colocar sua alegria e felicidade nas mãos de alguém ou de alguma coisa jamais irá preencher esse vazio da alma. Escolha se olhar, se cuidar, se amar, se aceitar como é.

Dica da Iô: Coloque-se em primeiro lugar. Seja sua maior prioridade. Abra seu coração, rompa o silêncio, fale de seus medos, angústias, emoções e sentimentos, sem culpa e vergonha. Entre dias bons e outros ruins, o que existe é VIDA. Viver é a melhor escolha, apesar das dificuldades que enfrenta. Isso é VIVER.

Eu mesma já naveguei em mares profundos, revoltos, com águas turvas. Sofri em silêncio, até que aprendi a mergulhar em mim, desnudar minha alma e aprender a nadar em águas claras e calmas, enfrentando minhas tempestades, acreditando que em algum momento tudo passa. Acredite, você pode! Conta comigo. Que o setembro amarelo seja renovado pela força dos GIRASSÓIS!

Eu acredito em você! Vá lá e faça acontecer!!