Ciúmes, eu tenho?

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Você pode pensar inicialmente que este artigo não é para você, pois acredita não ser ciumento(a). Mas, e se o pensamento popular de que todo mundo tem um pouco de ciúme for verdadeiro? Numa escala de 0 a 10, qual é o seu grau de ciúmes? Quando o nível do ciúme passa a ser patológico (doentio)? É “normal” ter ciúmes desde objetos até pessoas? O que realmente é o ciúme? Qual é o papel da psicoterapia no tratamento? Se você tem uma dessas dúvidas, a leitura deste artigo pode te ajudar, e muito, a compreender melhor esse transtorno.

O que é o ciúme? Há várias formas explicá-lo, entre elas: o ciúme é um sintoma resultado de um complexo de inferioridade de um ser inseguro no tocante àquilo que pode oferecer frente ao que deseja receber do outro. Traduzindo, o indivíduo é inseguro no afeto que acredita que vai receber da sua(seu) parceira(o) frente às suas formas de dar afeto. Nisso, revela-se como um ser ciumento. Outra forma de explicá-lo é: o ciúme é um afeto mau elaborado de um indivíduo que não sabe mensurar o equilíbrio da qualidade e da quantidade de afeto e acaba transbordando na quantidade e qualidade, sendo controlador e pegajoso. Esses comportamentos podem ser interpretados socialmente como ciúmes. Nesse aspecto, inicialmente é necessário compreender a má elaboração do afeto para depois trabalhar as questões de quantidade e qualidade.

Qual é a origem do ciúme? Dentre as várias possibilidades da “formação de uma pessoa ciumenta” temos, por exemplo, um indivíduo que passou por perdas e privações significativas na infância, as quais não foram bem elaboradas internamente. Um exemplo é a perda de espaço para um irmão mais novo, a falta de atenção mais específica ou a negação de um afeto por parte de um desses cuidadores. Fatores como esses são os mais comuns no desencadeamento de sentimentos de incompetência do ser, por não ter feito o suficiente para manter uma atenção ou cuidado de uma pessoa considerada importante em seus primeiros anos de vida. Veja que o indivíduo é uma criança e já sentiu que não era “competente” para manter algo que lhe era importante. Nossos sentimentos atuais são reflexos da evolução da forma que aprendemos a sentir na infância. Na fase adulta tendemos a nos comportar de acordo com a forma como interpretamos e sentimos o mundo externo. Veja que essa interpretação é singular ao indivíduo. Se algo importante faltou no passado podemos projetar que sempre continuará faltando, ou que sempre seremos incompetentes em manter as relações que queremos, e uma das formas de o indivíduo projetar essa falta é através do ciúme.

É verdade que todo mundo sente um pouco de ciúme? E quando o ciúme passa a ser considerado doentio? Em determinado grau, todos nós temos um cuidado e atenção às pessoas que consideramos importantes em nossas vidas, de tal forma que não gostaríamos de perdê-las. Isso é extremamente normal; de forma geral, ninguém quer perder nada. Lembra das definições que passamos lá no início? A atenção que damos faz com que haja uma troca natural de afetos, contudo, quando a exigência dessa atenção se transforma em sentimentos e comportamentos de possessividade, alto nível de cobrança ou até mesmo subjugação em função da baixa autoestima, aí temos um transtorno na vida do indivíduo, ou seja, gera problemas de tal forma que a má elaboração desse sentimento já está atuando de forma doentia.

É normal se apegar a coisas e a pessoas? Infelizmente, sim. Os acumuladores são um ótimo exemplo disso. Há pessoas que se apegam demasiadamente a objetos do seu dia a dia como se fossem a sua vida. Nessa circunstância, há a junção de outros fatores, como o apego a algo que há menor possibilidade de perda, pois o objeto não possui desejo próprio (é um ser inanimado), ou seja, a chance da perda é bem menor, fazendo com que o indivíduo se sinta mais seguro com o seu comportamento obsessivo de controle.

Qual o papel da psicoterapia no tratamento? Ela é fundamental, pois contribui muito, ajudando o indivíduo a lidar com seus pensamentos, interpretações do mundo, sentimentos e comportamentos, compreendendo sua fixação pelo controle de pessoas e objetos, dando suporte com aprendizagem de novas experiências e habilidades e ajudando a diminuir o sofrimento. Em alguns casos há a necessidade de um acompanhamento psiquiátrico junto à psicoterapia, para auxílio de medicação.

Espero que a leitura deste artigo tenha lhe ajudado. Aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada ao problema que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento escrita por Leonardo Sandro Vieira, é só entrar em contato pelo 33-98818-6858 ou 3203-8784 ou pelo e-mail: leosavieira@gmail.com.