Cerca de 10 mil pessoas ainda não se vacinaram contra a gripe em Valadares

Cada vez mais a vacinação da gripe se faz necessária, devido ao aumento de casos da doença, especialmente neste período. Em 2018, apenas no primeiro semestre, já haviam sido registrados 2.715 casos de influenza e 446 óbitos resultantes do vírus, de acordo com o Ministério da Saúde. Esses números já eram o dobro do que havia sido contabilizado no ano anterior. A 21ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza  (A H1N1; A H3N2 e influenza B) termina no dia 31 e é uma forma de proteção. No Brasil, 16,8 milhões de pessoas ainda não se vacinaram contra a gripe. Em Minas Gerais, cerca de 1,1 milhão de pessoas também não se vacinaram. A preocupação é com as crianças e as gestantes, grupos que menos procuram os postos, mesmo a vacina sendo oferecida gratuitamente nas unidades de saúde.

Em Governador Valadares, o público-alvo é de 70.656 pessoas. Até ontem (28), 60.145 pessoas haviam se vacinado e 10.511 ainda não procuraram os postos de saúde. Apesar da orientação e disponibilização, algumas pessoas resistem à imunização, por falta de conhecimento e por crença em alguns tabus. O DIÁRIO DO RIO DOCE foi às ruas de Valadares e entrevistou algumas pessoas, que disseram ter se vacinado normalmente e que esse medo das pessoas está acabando.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre a população prioritária, os funcionários do sistema prisional registraram a maior cobertura vacinal, com 101,6 mil doses aplicadas, o que representa 89,7% desse público, seguido pelas puérperas (88,6%), indígenas (82,0%), idosos (80,6%) e professores (78,1%). Os grupos que menos se vacinaram foram os profissionais das forças de segurança e salvamento (30%), população privada de liberdade (47,2%), pessoas com comorbidades (63,4%), trabalhadores de saúde (69,9%), gestantes (68,8%) e crianças (67,6%).

Os portadores de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo pessoas com deficiências específicas, devem apresentar prescrição médica no ato da vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle de doenças crônicas do SUS deverão se dirigir aos postos em que estão registrados para receber a vacina, sem a necessidade de prescrição médica. É o caso de Pedro Henrique de Oliveira Lemes, de 14 anos, que tem bronquite, doença considerada crônica, e precisa se vacinar. “Desde que meu filho começou a tomar a vacina sinto que ele melhorou muito. A vacina dele é prescrita pelo médico. Eu sou professora e também não perdi tempo. Fui logo tomando a minha vacina, e não senti nada. As pessoas podem tomar sem medo”, conta a mãe de Pedro, Jakeline Maria.

A gestante Michele Vieira, que está grávida de sete meses, já se imunizou. “Tomei a vacina e não senti nada. Ouvia as pessoas falando que era perigoso, mas tomei logo quando começou e acho que pra mim vai ser excelente, porque fico gripada demais. Acho que neste ano isso não vai acontecer.”

Público-alvo

A escolha do público prioritário no Brasil segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa definição também é respaldada por estudos epidemiológicos e pela observação do comportamento das infecções respiratórias, que têm como principais agentes os vírus da gripe. São priorizados os grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias. A vacina contra a gripe é segura e reduz as complicações que podem produzir casos graves da doença.

Casos de gripe no Brasil

Neste ano, até 11 de maio, foram registrados 807 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza em todo o país, com 144 mortes. Até o momento, o subtipo predominante no país é o vírus influenza A (H1N1), com registro de 407 casos e 86 óbitos. A Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza teve início no dia 10 de abril em todo o país. No primeiro momento, foram priorizadas as crianças e gestantes. A vacinação está aberta para todos os públicos desde o dia 22 de abril e se encerra nesta sexta-feira, dia 31.

Casos de gripe em Minas

Em 2018 foram notificados 388 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 19 associados à influenza. Dos 49 óbitos por SRAG, um associado à influenza. Já em 2019, o número registrado até abril é de 373 casos de SRAG, sendo 10 associados à influenza. Dos 36 óbitos por SRAG, um encontra-se em investigação.

Casos de gripe em Valadares

No dia 24 de maio foi confirmado o primeiro caso de influenza A H1N1 em Valadares. O paciente de 61 anos de idade, renal crônico, já recebeu alta. O resultado foi confirmado pelo laboratório de referência da Fundação Ezequiel Dias (FUNED), em Belo Horizonte.

Tratamento da gripe

Todos os estados estão abastecidos com o fosfato de oseltamivir e devem disponibilizá-lo de forma estratégica em suas unidades de saúde. Para o atendimento do ano de 2019, o Ministério da Saúde já enviou aproximadamente 9,5 milhões de unidades do medicamento aos estados. O tratamento deve ser realizado, preferencialmente, nas primeiras 48h após o início dos sintomas.

Enquete

Adilson Fernandes – 52 anos

“Fiquei gripado três dias na primeira vez que tomei a vacina, mas agora eu tomo a vacina normalmente e não sinto nada. Tem quinze dias que tomei e estou ótimo”.

Luiz Antônio dos Santos – 68 anos

“Tinha muitos anos que eu não tomava a vacina. Tomei neste ano, faz um mês, e não senti nada. Voltei a tomar porque estava ficando sempre gripado”.

Welida Alves – Mãe de três filhos

“Tenho três filhos e todos eles já vacinaram. Tenho um de 12 anos, que tem doença crônica. Este que está comigo é meu sobrinho e também já se vacinou.”

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br | Fotos: Angélica Lauriano