Casos de dengue em 2019 já preocupam Secretaria de Estado da Saúde

Fique atento com ralos e pratinhos de plantas no verão, quando a circulação do Aedes aegypti é maior, dizem especialistas.Foto: Divulgação

Um boletim epidemiológico de monitoramento dos casos de dengue, chikungunya e zika vírus, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) no dia 25 de fevereiro, mostra que, até o momento, Minas Gerais registrou 30.352 casos prováveis de contaminações. Em janeiro e fevereiro já são 11 óbitos em investigação só para a dengue.

Em relação à chikungunya, Minas registrou 509 casos prováveis da doença. Foram confirmados dois óbitos por chikungunya nos municípios de Coronel Fabriciano e Ipatinga em 2018; há um óbito em investigação. Em 2019, até o momento, não houve registro de óbito relacionado às doenças. Quanto ao zika vírus, foram registrados 145 casos prováveis da doença em 2019, até a data de atualização do boletim.

A SES-MG esclarece que um registro maior de casos é esperado para este período (meses quentes e chuvosos), devido à sazonalidade da doença. Dessa forma, o Estado está em situação de alerta para esse aumento no número de casos das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Valadares ainda tem risco de surto

Mesmo com os constantes trabalhos de conscientização, Valadares registrou um índice de infestação por Aedes aegypti de 7,8%, taxa considerada alta, de acordo com os parâmetros definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – a taxa ideal seria inferior a 1%.

Segundo a diretora do Departamento de Vigilância de Saúde de Valadares, Caroline Martins Sangali, há risco de surto na cidade. “Em Valadares, se analisarmos 100 casas, oito apresentam focos do Aedes aegypti, sinalizando fortemente um cenário para alta incidência de casos de febre por zica vírus, dengue ou chinkungunya, especialmente no período de verão, quando o clima favorece a reprodução do vetor (mosquito)”, comenta.

Na cidade, até hoje, já foram registrados 65 casos prováveis de arboviroses, sendo 37 por dengue, 27 por chikungunya e um caso de zika. “Os números são menores, em relação a 2017 e 2018, mais isso não quer dizer que a população esteja em uma zona de conforto”, explica a referência técnica em arbovirose, Fabiana Almeida Leão. “Em 2017 tivemos 3430 casos prováveis; esse número caiu significativamente em 2018, com 91 casos, porém, não é para comemorar, afinal, temos que continuar com ações para baixarmos ainda mais esses números agora em 2019”, ressalta Fabiana.

Uma pesquisa realizada em 5917 imóveis da cidade apontou que mais de 80% dos focos do mosquito estavam dentro dos domicílios. Os grandes vilões ainda são os ralos destampados, seguidos dos pratinhos de plantas. Os bairros que mais tiveram casos prováveis de arboviroses este ano foram, em primeiro lugar, o São Pedro, com sete casos, em segundo lugar o Turmalina, com cinco, e em terceiro o bairro de Lourdes, com quatro casos. A Ilha dos Araújos continua sendo o bairro com maior índice de infestação, com 13,4%, seguida pelos bairros Vila Bretas, Vila Mariana, ACVRD, Nossa Senhora de Lourdes e São Geraldo. Já os bairros com menor índice são Jardim Alice, JK, São Paulo, Santa Terezinha e São Tarcísio com 2,2%.

Ações de controle

A SES-MG destaca que as ações de controle da dengue, zika e chikungunya são permanentes, ocorrendo durante todo o ano. Dentre as ações desenvolvidas pela Secretaria para o enfrentamento ao Aedes aegypti estão:

Realização de reunião técnica com as regionais de saúde em setembro de 2018, para revisão das atividades do Programa Estadual de Controle das Doenças Transmitidas pelo Aedes;

Monitoramento dos indicadores municipais do PROMAVS (Programa de Monitoramento das Ações de Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais). Dentre todos os indicadores, um deles é referente à obrigatoriedade de cadastro dos agentes de combate a endemias (ACE) no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde) pelo município, mantendo vínculo no serviço. Isso gera continuidade nas ações de prevenção e controle das arboviroses;

Elaboração dos Planos de Contingência Estadual e Municipais para prevenção e controle das doenças transmitidas pelo Aedes. A partir da fase em que o município se encontra, algumas ações são desencadeadas pelo Estado.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br