Bolsonaro diz ‘não ver maldade’ nos diálogos de Moro com Deltan Dallagnol

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por TALITA FERNANDES FOLHAPRESS

Ao comentar o vazamento de mensagens do ministro Sergio Moro (Justiça), o presidente Jair Bolsonaro disse “não ver maldade” nos diálogos envolvendo o titular da pasta e a Lava Jato.

“Não vejo nenhuma maldade em advogado conversar com promotor, Polícia Federal falar com promotor. Tem que se falar para achar denúncia robusta”, afirmou, referindo-se a Moro, mas sem citar o cargo de juiz, ocupado por ele até aceitar o convite para integrar o governo.

Em café da manhã com jornalistas que cobrem o Planalto na manhã de ontem, o presidente começou a falar espontaneamente sobre Moro ao dizer que sabia que os repórteres entrariam no assunto.

Diálogos exibidos pelo site The Intercept mostram que, enquanto era juiz da Lava Jato, Moro discutia com o procurador Deltan Dallagnol processos em andamento e comentava pedidos feitos à Justiça pelo Ministério Público Federal.

Bolsonaro justificou o silêncio que manteve por quatro dias sobre o caso dizendo que “uma imagem vale mais que mil palavras”.

Como exemplo, citou o fato de ter ido junto com Moro a uma evento da Marinha, na terça (11), de quem permaneceu ao lado durante a cerimônia.

Questionado sobre os desdobramentos que as mensagens podem trazer para a Lava Jato, Bolsonaro minimizou e disse que o Brasil tem muito a agradecer ao ex-juiz.

Ele mencionou o fato de ter sido apresentado “há algumas semanas” a um aplicativo que pode simular troca de mensagens no celular, mas evitou afirmar que desconfia de que as conversas entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol tenham sido forjadas.

Bolsonaro disse apenas que o “primeiro crime é a invasão”.

Sobre Moro, disse que o ministro se manteve isento nas eleições e que ele “não fez campanha” e “nem entrou em campo”.

O presidente disse não se preocupar com eventuais vazamentos de suas mensagens por meio de aplicativos de celular, mas afirmou que não usa o telefone criptografado fornecido a ele pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Durante o café da manhã, o ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno, disse que o órgão forneceu um aparelho a todos os ministros, além do presidente e do vice.

O próprio Heleno afirmou não usar o aparelho por ele ter limitações como não permitir o uso de ferramentas como WhatsApp.

Bolsonaro disse seguir usando o WhatsApp para se comunicar e que usou o aplicativo na manhã desta sexta.

“Apesar de quem está do meu lado pedir mais cuidado, eu não tenho nada a esconder”, disse.

Segundo ele, “a única forma de se comunicar de forma segura é pessoalmente”. O presidente disse ainda que “se existe um telefone grampeado no Brasil, é o meu”.

LULA

Durante o café da manhã, Bolsonaro mostrou-se incomodado quando um repórter perguntou sobre o fato de o ex-presidente Lula ter questionado a veracidade da facada da qual foi vítima em setembro de 2008, durante a campanha.

“Presidiário presta depoimento, não dá entrevista”, disse.

Ele afirmou ainda que poderia mostrar a cicatriz para provar que era verdade.

Segundo o presidente, ele não teria “nem grana e nem contatos” para forjar um ataque.

Bolsonaro ironizou o fato de Lula ter dito que a facada era mentira por não ter saído sangue de sua barriga.

“Se fosse na barriga do Lula ia sair muita cachaça”, disse.

O ministro do GSI, general Augusto Heleno, se exaltou e pediu a palavra quando foi comentado o questionamento de Lula sobre a veracidade da facada de Bolsonaro.

O ministro chamou o ex-presidente de “canalha” e disse que “tinha vergonha” de ele ter sido presidente do Brasil.

Ele disse tratar por Bolsonaro de “senhor” por respeito e para dar exemplo e que esse é o papel do presidente. Disse ainda que presidente da República desonesto deveria ter “prisão perpétua decretada”.