Rosemary Mafra entra com pedido para exclusão do nome de Fátima Salgado da CPI da Valadarense

A vereadora Rosemary Mafra (PCdoB) protocolou requerimento pedindo a impugnação do nome de Fátima Salgado na CPI da Valadarense. FOTO: Divulgação.

Repercute de forma negativa nos corredores da Câmara Municipal a indicação do nome da vereadora suplente Fátima Salgado (PSDB) para compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar supostas irregularidades no contrato da Empresa Valadarense de Transporte, atual Mobi. Depois da rejeição do presidente da Câmara, vereador Júlio Avelar (PV), foi a vez de a vereadora e autora do pedido de CPI, Rosemary Mafra (PCdoB), manifestar sua indignação. A vereadora protocolou na tarde de ontem um pedido de impugnação em razão de impedimento do nome de Fátima Salgado para compor o quadro da comissão.

O pedido de instalação da CPI foi feito pela vereadora Rosemary Mafra (PCdoB) na quarta reunião ordinária do mês de fevereiro, realizada no dia 7. O objetivo da comissão é apurar eventuais irregularidades na formalização do atual contrato de concessão da exploração do serviço de transporte coletivo urbano firmado em 2012 pela Empresa Valadarense. A indicação dos nomes para a CPI que irá apurar as irregularidades na empresa foi formalizada na segunda-feira (18), na Câmara Municipal. Foram indicados os vereadores Marcílio Alves (MDB), Alessandro Ferraz, Alê (PHS) e Fátima Salgado (PSDB,) como representantes da bancada do Governo; Coronel Wagner (PMN), do bloco independente; e Rosemary Mafra (PCdoB), do bloco da minoria.

O que gerou surpresa em boa parte dos vereadores e da população foi o nome da vereadora Fátima Salgado (PSDB) na lista de indicações da Comissão Parlamentar. Fátima era a presidente do Conselho Municipal de Transporte (CMT) desde o início da gestão do atual governo municipal e consentiu com o último aumento na tarifa de ônibus, para R$ 4,30.

Em reportagem publicada na edição do dia 19 de fevereiro no DIÁRIO DO RIO DOCE, Júlio Avelar afirmou que a presença do nome da vereadora na comissão é legal, mas imoral. “Acho que a participação da vereadora pode comprometer a CPI, já que ela não pode participar das comissões técnicas, e por ter presidido o Conselho Municipal de Transportes ano passado. Na época, a vereadora viu as planilhas e aceitou o aumento da tarifa de ônibus”, disse o vereador.

Na tarde de ontem, 20, a vereadora Rosemary Mafra protocolou um requerimento pedindo a impugnação do nome de Fátima na CPI da Valadarense. O requerimento também teve a assinatura do Coronel Wagner (PMN). “Ocorre que a indicação de Fátima Salgado não se mostra adequada, na medida em que foi nomeada, em 2017, como representante do Poder Público para compor o Conselho Municipal de Transportes e, posteriormente, nomeada como presidente do mesmo conselho. Na época, a vereadora ocupava o cargo em comissão na Secretaria Adjunta de Governo, e convocou diversas reuniões, inclusive, com as seguintes pautas: reajuste do tarifário distrital, custo do transporte público coletivo, dentre outros”, explicou Rosemary.

A vereadora líder da oposição disse estar confiante em que seu pedido de impugnação seja aceito pelos demais vereadores. “O período de dois anos como presidente do Conselho Municipal de Transporte é o suficiente para caracterizar sua impugnação. Isso porque o objetivo da CPI gira em torno dos aumentos nas tarifas do transporte público de Valadares; tais aumentos passam pela avaliação do Conselho”, apontou.

Fátima aceita indicação

A equipe de reportagem do DIÁRIO DO RIO DOCE conseguiu entrar em contato com a vereadora Fátima Salgado, que, por telefone, informou, que vai aguardar a convocação oficial dos membros da comissão para se manifestar. “Eu ainda não recebi nenhum comunicado oficial. Só fique sabendo que fui indicada. Já trabalhei em diversas CPI´s e, se tiver que atuar nessa, vou trabalhar da mesma forma. Tudo depende da decisão do líder do bloco, Regino Cruz (PTB)”, disse. O trabalho da CPI deverá ser concluído em 90 dias, podendo ser prorrogado por mais 60 dias. A CPI vai apontar se há ou não irregularidades no contrato entre a Valadarense e o Município.

CPI da Valadarense divide opiniões

O DRD foi às ruas para ouvir a opinião da população sobre a indicação do nome da vereadora Fátima Salgado (PSDB) para a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Valadarense, atual Mobi.

 

Marcos Gomes, gesseiro
“Não tenho nada contra a Valadarense. Só podiam investigar esse preço da tarifa, que é muito alto.”

Walber Cota, servidor público
“Tem que abrir a caixa preta da Valadarense mesmo. Tudo precisa ser investigado. Só achei estranho o nome da Fátima Salgado na CPI; não vai de acordo com o que precisa ser feito.”

Neiry Gonçalves, aposentada
“Não tenho problemas com a Valadarense, mas deveriam melhorar o serviço do ônibus. Esses dias quase caí dentro do ônibus, por falta de segurança.”

Odair Gomes, comerciante
“Se vão investigar a Valadarense, têm de colocar vereadores competentes para fazerem isso. Tem que tomar cuidado para não colocar gente errada nesta CPI.”

por Eduardo Lima | eduardolima@drd.com.br