Artista Plástica Clores Lage será agraciada pela Câmara com a Ordem Municipal do Brasão

A natureza inquieta de Clores Lage a leva à contínua apreensão de conhecimentos, experiências e vivências. FOTO: Divulgação

Clores Lage tem todos os trabalhos feitos ao longo de seis décadas organizados e deseja que eles sejam doados pelos filhos para o Museu da Cidade, após a sua morte

O dia 11 de junho vai ser marcado por muitas emoções na Câmara Municipal de Governador Valadares. Às 19h, a artista plástica Clores Lage vai receber a Ordem Municipal do Brasão, honraria concedida por meio de projeto de autoria da vereadora Rosemary Mafra (PCdoB). Clores Lage contribuiu muito para o desenvolvimento artístico da cidade e região. Aos 75 anos, viúva, mãe de cinco filhos e nove netos, ela já levou o nome da cidade a inúmeros países. Recentemente chegou do Egito, onde foi preparar um documentário sobre suas viagem. Sem problemas de saúde, Clores vive a vida “Borboletrando”, como diz em um de seus livros. No dia da homenagem, a artista faz questão de sortear uma tela e alguns livros para os que forem prestigiar o evento. O hall de entrada da Câmara será todo decorado com obras dela.

Esta obra de arte será leiloada no dia da homenagem na Câmara

Clores conta que a arte começou em sua vida quando tinha três anos, e já são mais de seis décadas dedicadas ao mundo artístico. “A minha ligação com a arte veio da genética, exposta no meu livro ‘Ecos de outras Eras’. Na minha árvore genealógica tem Roberto Carlos, tem Chico Buarque de Holanda e Carlos Drummond de Andrade. Os cientistas dizem que as informações vêm através do sangue. Na realidade, comecei com três anos, desenhando borboleta e baratinha, e com 12 comecei meus trabalhos com tinta e pincel.”

A artista conta que, quando nasceu, Valadares tinha seis anos. “Eu peguei Valadares sem calçamento, no final da Afonso Pena. Tinha uma porteira pra gente passar. O Colégio Ibituruna não tinha muro. Fui crescendo com informações dos meus ancestrais e fazendo alguma coisa com desenho. Depois fiz curso de decoração. De pintura nunca fiz curso, sou autodidata. Embora tenha estudado no Colégio Santa Clara com a irmã Germana, ela também não tinha formação. Por meio de pesquisa que fui crescendo e trabalhei como decoradora de ambiente, decoradora de festas de época e pintando quadro. Já pintei também cerâmica. Aqui em Valadares tem várias casas que ainda têm piscinas e banheiros com as pinturas no azulejo. Já fiz tapeçaria, pinturas em telas. Hoje eu me sinto mais feliz executando telas e esculturas em chapa de ferro.”

As esculturas farão parte da decoração do hall de entrada do Legislativo Municipal no dia da homenagem

Clores é uma amante das viagens e vive “Borboletrando”, nome de um de seus livros, que participou de um concurso internacional e foi um dos selecionados. “O Borboletrando é uma releitura dos livros que já escrevi. Eu tive de ler tudo de novo; tudo é Borboletrando, ora pintando, ora viajando. No momento não pretendo lançar mais livros. O que posso deixar são relatos. Isso não quer dizer que parei, vou buscar outros ares.”

A realização de Clores Lage não é só pessoal, ela busca ajudar os outros grandes artistas plásticos da cidade. “Sou muito feliz com as obras que criei em Valadares, por exemplo, Associação dos Artistas Plásticos do Vale do Rio Doce e a tradicional Feirinha Artesanal da cidade. Várias outras coisas foram idealizadas por mim, mas, por motivos políticos, acabaram. O artista plástico passa, mas as obras que ele faz ficam registradas.”

Clores relata que a Associação dos Artistas Plásticos de Governador Valadares foi criada em 1980 e até hoje não tem sede própria. Outro sonho de Clores que pode sair do papel é um parque turístico que vai se chamar “Etana – terra da gente”. “Valadares tem muitos artistas bons. Hoje os arquitetos e decoradores da cidade vão comprar obras em outras cidades, porque, infelizmente, os nossos artistas não têm lugar para expor o seu trabalho.”

Cineasta e carnavalesca

Clores Lage conta que já fez quatro filmes e inúmeros documentários. O último é o da viagem ao Egito. “Tudo o que faço são realizações pessoais. Tudo meu é arquivado e quero deixar para o Museu da Cidade. Meus filhos já têm consciência disso e concordam com minha vontade.”

Ela também foi carnavalesca, em 1975, participando dos carros alegóricos e das festas no Garfo Clube. Realizou quatro bienais na cidade, sendo a primeira em 1985. “Tivemos participação de 60 obras de 21 estados do Brasil. Na abertura das bienais fazíamos apresentações de balé, peças de teatro, passávamos filmes. Era perfeito! Fiz exposições em São Paulo, na Academia de Belas Artes, e ganhei a primeira medalha no Salão Nacional de Pararrealismo.”

Sonhos reais

Em Valadares Clores criou também a primeira Casa Arte e o primeiro salão de pintura e fotografia. A artista tem orgulho de dizer que seu talento não ficou só em Valadares. Em Ipatinga, além de decoração de festa de época (carnaval), no Cariru Tênis Clube, ela decorou a cidade e a casa do prefeito da época João Lamego. Criou o primeiro salão de pintura e fotografias de Ipatinga. Foi decoradora em carnavais de Manhumirim. E em Virginópolis, participou do Festival de Jabuticaba.

Livros

“Estrela por um dia”, “O canto do Cisne”, “Poesia com pincel na mão”, “Contomico”, “Ecos de Outras Eras”, “A deusa das flores” e “Borboletrando”.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br

Fotos: Angélica Lauriano

Essa obra de arte será leiloada no dia da homenagem na Câmara

As esculturas farão parte da decoração do hall de entrada do Legislativo Municipal