Aprendendo a lidar com as inconstâncias do ser

Já reparou que às vezes é mais fácil lidar com o problema das outras pessoas do que com os nossos? Tentar nos entender não é nada fácil. Há dias que começamos o dia totalmente eufóricos sem motivo algum e ao final do dia, mesmo com motivos para se alegrar, estamos tristes, desanimados. Há momentos que fazemos algo que nunca pensávamos que iríamos fazer e não é porque é questão de mudança de opinião ou gostos, mas sim por contradição. Quem nunca se pegou fazendo algo totalmente diferente daquilo que se tem como valor? São as contradições ou inconstâncias do SER.

Costumo dizer que uma das maiores loucuras que fazemos na vida é casar ou aceitar um pedido de casamento, pois se há dias/momentos que nem nós mesmos estamos nos suportando, imagina a “obrigatoriedade” do outro de ter que suportar nossos “azedumes”. Então você pode me dizer: é simples; é só ficar quieto e respeitar o lugar do outro, por suposto que sim, contudo, não é fácil para o parceiro, pois, enquanto esse processo acontece ele tem um turbilhão de pensamentos e precisa aprender a lidar com as inconstâncias do SER do seu cônjuge, pensando: será que fiz algo? Será que não me ama mais? Essa percepção do casamento a maioria das pessoas não possui antes de casar. Quero ressaltar que considero o casamento um dos melhores presentes que o indivíduo pode se dar e dar ao outro também, desde que, realizado altruisticamente através de uma escolha consciente da pessoa e do momento adequado a se casar. Casar é muito bom, mas exige afeto, respeito e atitude com o parceiro. Enfim, continuemos, pois, nosso artigo de hoje não é sobre casamento (rsrsrs).

Uma observação relevante que precisamos fazer é que estamos diante de uma geração muito inconstante e, parte desta inconstância, não é só devido às instabilidades dos nossos dias, mas também pela grande facilidade de se frustrarem, ou seja, não sabem lidar com os nãos da vida. Às vezes me preocupo muito com a narrativa que você pode tudo, você é um campeão, um vencedor, como se as alegrias da vida estivessem somente ancoradas no fato das conquistas de valor social relacionadas ao “status” e ao “dinheiro” — mais uma vez a narrativa do TER sobrepõe a do SER, ou seja, mais um fator para o SER entrar em crise.

O ser inconstante sofre muito, pois não conhece a beleza do esforço, da perseverança, da paciência, da persistência entre outros atributos que só desenvolve aqueles que se prontificam arduamente a aprender a lidar com a espera se mantendo constante em seu ofício, que é demonstrar afeto e cuidar, plantar e regar por tempos para depois colher.

Inconstância é o que faz uma pessoa mudar de humor, de vontades num curto espaço de tempo. A pessoa não consegue ser estável em seus comportamentos, opiniões, atitudes e, principalmente, em seus sentimentos. Entenda que não estamos falando da bipolaridade, ou seja, do transtorno bipolar, que é uma doença mental que leva a alterações dos processos neurais e do comportamento do indivíduo, fazendo com que ele entre em polos distintos de humor num curto espaço de tempo com períodos de irritação e mania. Todos estes sintomas fazem parte do quadro depressivo. Estamos falando de pessoas que se mostram inconstantes com o seu ser, não conseguem transmitir confiança, nem credibilidade através da sensatez e equilíbrio.

Como lidar com a minha inconstância? Como não tornar isso algo muito grave em minha vida? A seguir, daremos algumas orientações. O objetivo não é passar a padronizar uma questão vivencial e única do ser humano mas possibilitar um olhar mais ampliado sobre o problema e fornecer possíveis estratégias para cada um lidar com sua dificuldade.

1º: Não existe fórmula mágica para a resolução dos seus problemas — todos nós passamos por problemas na vida, não é necessário ser uma pessoa inconstante pra se ver com inúmeros problemas a serem resolvidos. Muitas vezes o que gostaríamos é fugir deles como se nada estivesse acontecendo e tudo fosse desaparecer ou ser resolvido num passe de mágica. Fugir, mentir, mostrar-se grosso com as pessoas ao seu redor ou até mesmo fingir que não há nenhum problema só irá mostrar sua inabilidade em lidar com estas situações. Encare-os e busque a solução. Não se envolver com a resolução dos próprios problemas só irá mostrar seu lado vulnerável e imprevisível. Concentre-se no essencial e busque conquistá-lo. Isto lhe ajudará a conquistar bem-estar e equilíbrio.

2º: Se conheça — Esta deveria ser a meta de todas as pessoas. Já percebeu que essa orientação está sempre presente nos meus artigos? Se conhecer possibilita o indivíduo ir mais além daquilo que ele poderia chegar; ajudá-lhe a discernir melhor o que é bom, adequado, sensato e ideal para a sua vida. A inconstância também se dá pelo não conhecimento do SER e, por isso, qualquer atitude que julgar interessante se propõe a praticar, pois, não possui um senso crítico do que é realmente necessário ou do que dá conta. Uma dica é: anote num papel quais 3 qualidades e pontos a ser melhorados que você possui e por que acredita que é assim, depois peça a 3 amigos que também façam o mesmo, mas não mostre a eles o que cada um escreveu. Em seguida compare os resultados, você se surpreenderá com os disparates apresentados por você e pelos outros e dentro destes disparates busque formas de agir com eles.

3º: Coloque metas e objetivos atitudinais no seu cotidiano — Não estou querendo dizer aqui de metas para conquistar bens materiais, estou dizendo de metas atitudinais: não se entristecer por qualquer coisa; não deixar de conversar com algum colega de trabalho ou familiar por qualquer fato; ou simplesmente fazer aquilo que prometeu. Tudo isso ajudará a você perceber que é possível levar uma vida sem uma grande variabilidade comportamental e que não precisa se sentir totalmente triste porque algo não aconteceu do modo como gostaria.

4º: Busque apoio profissional — Sim, um profissional da área da psicologia pode lhe ajudar e muito em situações como esta. Ele foi treinado de modo bem específico para identificar essas nuances comportamentais. Nós somos mestres em sabotar nossos projetos de vida e, principalmente, nossa felicidade. Muitos de nossos modelos mentais são originados lá da infância e rompê-los demanda uma energia muito grande. Um psicólogo poderá fazer uma diferença incrível em sua vida para romper essas barreiras. Há vários profissionais competentes em nossa cidade que poderão lhe ajudar dentro desta e outras demandas.

Espero que a leitura deste artigo possa tê-lo ajudado. Aproveite e mostre a um amigo que necessita de uma leitura mais apropriada sobre o problema por que esteja passando. Caso queira contribuir com críticas ou sugestões a esta coluna de comportamento, escrita por Leonardo Sandro Vieira, é só contactar pelo 33-988186858 – 3203-38784 ou pelo e-mail: leosavieira@gmail.com